Depois de tentar se esquivar da acusação de assédio sexual, o ator José Mayer (de “Kiss Me Kate – O Beijo da Megera”) finalmente admitiu sua atitude inaceitável com a figurinista Su Tonani, do Projac, em carta aberta, divulgada nesta terça (4/4). “Eu errei. Errei no que fiz, no que falei, e no que pensava. A atitude correta é pedir desculpas. Mas isso só não basta. É preciso um reconhecimento público que faço agora”, escreveu o ator de 67 anos, casado com Vera Fajardo (de “BarbarIdade”), “tristemente, sou sim fruto de uma geração que aprendeu, erradamente, que atitudes machistas, invasivas e abusivas podem ser disfarçadas de brincadeiras ou piadas. Não podem. Não são”.

A TV Globo emitiu comunicado avisando que José Mayer está suspenso de produções futuras da casa. Ele estava escalado para uma novela, e não a fará mais.

(Foto: Divulgação)

Su Tonani, de 28 anos, publicou um texto na Internet na semana passada, revelando que o ator tocou sua genitália no camarim, diante de outras atrizes, que apenas riram da suposta “brincadeira”. No texto, ela relata o quanto se sentiu abusada, invadida e amedrontada, evitando encontrar José Mayer em outros dias de trabalho.

Letícia Sabatella (de “Trágica.3”) foi a primeira atriz a se posicionar a favor da figurinista. Mas o assunto repercutiu muito e, na manhã desta terça (4/4), equipe técnica e elenco da Globo vestiram camisas com a frase “Mexeu com uma, mexeu com todas. #ChegaDeAssédio”. Nomes como Sophie Charlotte (de “Confissões de Adolescente”), Alice Wegmann (de “Conto de Verão”), Julia Rabello (de “Atreva-se”), Fernanda Rodrigues (de “Tô Grávida!”) e Drica Moraes (de “A Primeira Vista”) postaram fotos com a camisa, sem citar o nome de José Mayer. Uma arte com o mesmo dizer viralizou no Instagram: Gloria Pires, Grazi Massafera, Bruna Marquezine, Camila Pitanga (de “O Duelo”), Taís Araújo (de “O Topó da Montanha”), entre tantas outras, postaram. Atores do sexo masculino também aderiram, como Rafael Primot (de “Fluxorama”) e Igor Rickli (de “Jesus Cristo Superstar”).

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Leia a carta de José Mayer na íntegra:

Carta aberta aos meus colegas e a todos, mas principalmente aos que agem e pensam como eu agi e pensava:

Eu errei. Errei no que fiz, no que falei, e no que pensava. A atitude correta é pedir desculpas. Mas isso só não basta. É preciso um reconhecimento público que faço agora.

Mesmo não tendo tido a intenção de ofender, agredir ou desrespeitar, admito que minhas brincadeiras de cunho machista ultrapassaram os limites do respeito com que devo tratar minhas colegas. Sou responsável pelo que faço.

Tenho amigas, tenho mulher e filha, e asseguro que de forma alguma tenho a intenção de tratar qualquer mulher com desrespeito; não me sinto superior a ninguém, não sou.

Tristemente, sou sim fruto de uma geração que aprendeu, erradamente, que atitudes machistas, invasivas e abusivas podem ser disfarçadas de brincadeiras ou piadas. Não podem. Não são.

Aprendi nos últimos dias o que levei 60 anos sem aprender. O mundo mudou. E isso é bom. Eu preciso e quero mudar junto com ele.

Este é o meu exercício. Este é o meu compromisso. Isso é o que eu aprendi.
A única coisa que posso pedir a Susllen, às minhas colegas e a toda a sociedade é o entendimento deste meu movimento de mudança.

Espero que este meu reconhecimento público sirva para alertar a tantas pessoas da mesma geração que eu, aos que pensavam da mesma forma que eu, aos que agiam da mesma forma que eu, que os leve a refletir e os incentive também a mudar.

Eu estou vivendo a dolorosa necessidade desta mudança. Dolorosa, mas necessária.

O que posso assegurar é que o José Mayer, homem, ator, pai, filho, marido, colega que surge hoje é, sem dúvida, muito melhor.

José Mayer