Adrén caracterizado como Mademoiselle Sultana (Foto: Divulgação)
Semana especial para Adrén Alvez, um dos destaques de “Suassuna – O Auto do Reino do Sol”. O ator recebeu o Prêmio Cesgranrio de melhor ator em musical na terça (30/1) e o Prêmio Botequim Cultural na mesma categoria na quarta. Por esse trabalho, ele foi indicado a todas as maiores premiações do teatro carioca: concorre ainda ao APTR e ao Shell.

– É um sentimento de dever “quase” cumprido. O processo nunca está finalizado, mas o fato de ser indicado a tantos prêmios me causa uma alegria muito grande e revela que a minha intuição na sala de ensaio estava certa. Ser indicado me mostra que alcancei com verdade o coração do espectador. E esse é o maior desafio do ator, fazer com que a palavra tenha mais vida do que o arquétipo da personagem. – ele diz ao Teatro em Cena.

Adrén é um dos integrantes da Cia. Barca dos Corações Partidos, com a qual fez os musicais “Gonzagão – A Lenda”, “Ópera do Malandro”, “Auê” e mais recentemente “Suassuna”, um tributo a Ariano Suassuna (1927- 2014). No espetáculo, ele vive duas personagens femininas: a dona de circo Mademoiselle Sultana e a tradicional Eufrásia Fortunato, criadora de gado. A caracterização com maquiagem e figurino leva uma hora e o vestido de Eufrásia pesa dez quilos. É um esforço a cada sessão, mas tem sido reconhecido. Todas as críticas têm destacado sua boa atuação desde a estreia.

– Leio tudo e embora, até agora, eu tenha tido críticas muito boas no Rio e São Paulo, mantenho meus ouvidos abertos. Cada trabalho é um desafio, cada dia o palco te dá uma chance. E a crítica responsável e embasada, tem o importante papel de dimensionar um trabalho artístico. – comenta o artista – O que mais me interessa é a busca da verdade. Falar o texto todos os dias como se fosse a primeira vez. A personagem não pode ser distante de mim, ela tem que ser eu. É meu corpo, é a minha voz, ela sou eu. Se eu não for sincero, não adianta fazer tipo, voz, usar peruca e maquiagem.. a alma não chega ao espectador.

(Foto: Rhavinne Vaz)

Esse é o terceiro espetáculo da Barca no qual Adrén entra em cena travestido. A feminilidade tem sido recorrente em sua trajetória e o ator diz que grandes atrizes e cantoras de rádio sempre foram suas inspirações desde muito cedo. “Eu lembro que aos cinco anos, eu chegava em casa da escola, me trancava no quarto com os sapatos da minha mãe e ficava andando de salto alto. Um dia fui picado, no dedo, por um escorpião. Acho que ali fui envenenado pro resto da vida”, brinca. Isto, no entanto, não diminui o desafio de cada personagem novo. Quando soube que faria tanto Eufrásia quanto Sultana em “Suassuna”, ele conta que se desesperou, porque eram duas grandes personagens de uma vez.

– Fazer “Suassuna”, um espetáculo tão importante pra cena brasileira, é uma honra! E mais ainda, falar do universo tão rico de Ariano Suassuna, um dos maiores dramaturgos de todos os tempos. Esse homem que dedicou toda a sua vida a cuidar e enaltecer a cultura do nosso país. – conclui.