(Foto: Rodrigo Menezes)

Um brinde ao teatro! É assim que começa o espetáculo “A Incrível Jornada do Narcoléptico Edmundo em Busca da Impenetrável, Porém, Coração Nobre Catharina… ou Ed&Cath” (sim, o nome é imenso!), da Cia. Doêrro, que cumprirá temporada todas as quintas às 20h no Teatro Cândido Mendes, em Ipanema. Os atores recebem os espectadores na porta e oferecem uma dose de cachaça para dar aquela animada. A ideia, segundo a dramaturga e diretora Helena Almeida, que também está em cena, é recriar o clima acolhedor de boteco dentro do teatro.

– Eu sou do palco e do álcool. O nome do meu cachorro é Buteco. Tenho um prazer enorme em estar em ambos os espaços: teatro e boteco. E no Rio de Janeiro, em particular, existe esse fenômeno incrível dos botecos que é a “contação” de história. Basta você escolher uma mesa para observar que já dá para reconhecer o narrador. Ele pode estar de pé, ou sentado, mas está falando empolgado, aumentando os fatos, e, é claro, interpretando cada personagem com seus trejeitos, vozes e respiração. Quando decidimos levar o “Ed&Cath” para os palcos, resolvemos que seria uma história contada como nos botecos: despretensiosamente, porém, com energia, e dividindo cada fato com todos os presentes. – Helena explica ao Teatro em Cena.

(Foto: Rodrigo Menezes)

A peça conta a saga do personagem Edmundo (papel de Ruy Carvalho, palhaço profissional) para conquistar o coração de Catharina (também feita por Ruy), atravessando algumas provações e driblando seu distúrbio de sono. O espetáculo nasceu na rua. Foram dois anos de apresentações gratuitas em praças do Rio de Janeiro. “Foi na rua que a gente descobriu a potência do encontro com o espetador”, diz a diretora, “começávamos com a praça vazia, e, aos poucos, as pessoas iam chegando, meio tímidas, sentando, ficando e, no final, estávamos todos juntos contando a mesma história”. Depois, a dupla levou “Ed&Cath” para o refeitório de uma escola, e deu certo. Perceberam que era possível fazer as apresentações em locais fechados…

Não queriam, no entanto, se fechar para o contato com a plateia. “Decidimos manter, à nossa maneira, aquela liberdade da rua”, pontua Helena. No espetáculo, as luzes ficam acesas e os atores podem olhar nos olhos de cada espectador. Além disso, cada cantinho da sala do teatro é aproveitada, “para que o espectador sinta que o espaço também é dele”. Helan e Ruy só evitam, eles mesmos, exagerarem na dose da cachaça. No brinde com a plateia, a dose deles é “bem menorzinha”.

– Por mais que sejamos uns pinguços resistentes, qualquer alteração no nosso metabolismo diminui a percepção de si e da cena. E, particularmente neste espetáculo, que é feito de luz acesa e com uma proximidade incomum com a plateia, precisamos estar com nosso nível de atenção bastante alto. – explica.

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SERVIÇO: qui, 20h. R$ 40. 70 min. Classificação: 18 anos. De 19 de julho até 6 de setembro. Teatro Cândido Mendes – Rua Joana Angélica, 63 – Ipanema. Tel: 2523-3663.