Formado por alunas da CAL, da UNIRIO e da Escola Martins Penna, o Coletivo As Minas é um dos destaques da Mostra de Espetáculos do 7º FESTU – Festival de Teatro Universitário, que começa no próximo fim de semana no Teatro Cesgranrio, no Rio Comprido. As minas vão levar “Eu (Quase) Morri Afogada Várias Vezes” para o festival, em apresentação única no dia 14 (uma quinta-feira) às 20h. Levantando a bandeira do feminismo, a peça reflete sobre a desigualdade entre gêneros “em um mundo que deturpa o significado das palavras em prol de valores tão tortos”. Os ingressos custam R$ 30.

(Foto: Victor Hugo Cecatto)

A idealizadora do coletivo é Rayza Noiá, que aposta em uma ficha técnica inteira de mulheres – não apenas em cena. Ela conta com texto de Isadora Cecatto e Naara Barros, direção de Brunna Napoleão, direção musical de Maíra Garrido e canções originais de Carol Mathias, Julia Mestre, Luiza Toledo e Maíra Garrido. Musicistas, cenógrafa, coreógrafa, iluminadora, figurinista, todas são mulheres. É um espetáculo feito por mulheres, sobre mulheres e para mulheres. “Com certeza. Mas também não deixa de ser para qualquer gênero. A todxs que quiserem abraçar o feminino em si e aprender sobre o que significa ser feminista”, Rayza diz ao Teatro em Cena. Ela mesma está em constante aprendizado.

Com 24 anos, a atriz Rayza Noiá se identificou como feminista há poucos anos, durante o curso na CAL. “Sinto que isso sempre esteve dentro de mim e eu nem me dava conta”, comenta, “fui aprender que essa luta tinha nome na faculdade, quando eu mesma reproduzia alguns comportamentos machistas e fui questionada por meninas que já tinham aderido ao movimento”. Criada em um ambiente machista, no entanto, ela sempre sentiu que havia algo errado e não aceitava ser tolida enquanto os irmãos do sexo masculino podiam fazer o que quisessem. “Acho que toda mulher que preza por sua liberdade de ser o que quiser já é feminista”, afirma. Daí surgiu a ideia para o espetáculo, resultado de estudos sobre o assunto e uma vontade de defender sua militância de uma maneira acolhedora.

(Foto: Gabriel Castilho)

– O título “Eu (Quase) Morri Afogada Várias Vezes” exemplifica o dia a dia de toda a mulher, que é constantemente subjugada, diminuída, tolida, humilhada, subestimada, sufocada e ainda assim segue em frente de cabeça erguida. É como se quase nos afogássemos todos os dias nesta sociedade patriarcal e opressora. Acho que toda mulher consegue se lembrar de pelo menos uma vez em que ela quase se deixou afogar. E como isso é bem recorrente inserimos o “várias vezes”. – explica a artista.

A montagem já foi apresentada em duas temporadas na Sede das Cias, na Escadaria Selarón, com certa atenção da mídia e sucesso de público. No fim das sessões, “necessária” e “presente” foram alguns dos adjetivos mais utilizados pela plateia para tratar da peça, segundo a idealizadora. “As espectadoras sempre se davam conta de várias privações e abusos que tinham sofrido”, conta. No FESTU, é a chance do coletivo se comunicar com um público amplo, principalmente de jovens universitários e universitárias – como Rayza na CAL, prontas para o despertar do feminismo.

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SERVIÇO: qui, 20h. R$ 30. Dia 14 de setembro. Teatro Cesgranrio – Rua Santa Alexandrina, 1011 – Rio Comprido. Tel: 2103-9682.