Teatro do Saara (Foto: Alexandre Macieira)
Acredite se quiser: Rio de Janeiro está ganhando novos teatros. Sim, parece mentira, diante da crise econômica que assola o município, o estado e o país como um todo, em especial no que concerne à cultura. Mas é verdade: a cidade ganhou três novas salas de teatro desde o início do ano, o que é para ser comemorado. As novidades são a Casa de Baco, na Lapa, o Teatro do Saara, no Centro, e o Theatro Bangu Shopping, logicamente em Bangu. Eles têm premissas, tamanhos, origens e intuitos bem diferentes.

A Casa de Baco tinha uma placa de “vende-se” na porta até que o produtor Sandro Rabello passou por ali e teve a ideia: comprar e transformá-la em espaço cultural. Junto com a sócia Alice Steinbruck, ele reformou o local inspirado em ambientes alternativos da Praça Roosevelt, em São Paulo, e agora tem um espaço multiuso que pode receber de 30 a 200 espectadores, adaptando-se a diversos formatos. Já o Teatro do Saara, a 1,5 km dali, fica em um sobrado centenário parcialmente destruído. A ideia de transformar o local em espaço artístico foi do diretor Fernando Maatz, de olho na circulação diária de 80 mil pessoas naquele comércio popular. Seu intuito é oferecer programação cultural acessível, conveniente e vespertina: ele chama de “teatro de varejo” – um diferencial para aumentar a frequência de público em produções teatrais. Para inaugurar o local, esbarrou em dificuldades burocráticas.

– A regulamentação, infelizmente, ainda diferencia pouco os espaços como o nosso (com capacidade para 40, 45 espectadores) de espaços de grande porte para até 1000 pessoas. Nesse sentido, a maioria das exigências ainda é atrasada. Ao comparar eventos para até 1000 pessoas e eventos para máximo de 45 pessoas, fica claro que ainda temos uma regulamentação antiquada. – Maatz sublinha em entrevista ao Teatro em Cena.

Sérgio Marone e Juliana Martins: atores com casa cheia no Theatro Bangu Shopping (Foto: Reprodução / Facebook)

Um caso diferente é o do Theatro Bangu, que segue o padrão do Theatro Net Rio, de Copacabana, e tem capacidade para 574 pessoas. É administrado pela Brain+, que atualmente gere cinco teatros no Brasil. Faz parte de uma rede de grandes empreendimentos. “Falam que eu sou louco, que é uma insanidade, porque também estou planejando mais outros sete teatros”, diz Frederico Reder, diretor da empresa, “eu sou de São Gonçalo e abrir um teatro onde não tem teatro faz muito mais sentido para mim hoje. Em Bangu, o povo estava sedento por teatro”. Ele sente-se formando uma plateia, com programação para todas as idades.

Os novos teatros são rentáveis? Frederico devolve a pergunta: “teatro é rentável?”. Sua aposta é justamente na diversificação de negócios: quando a programação de um teatro está em baixa, a de outro está em alta. “É uma equação que tenho que administrar com muita inteligência”, diz. Já a Casa de Baco, por sua vez, abre pela manhã como café e à noite como bar, como forma de gerar renda. “Nosso faturamento diário está começando a ser o mínimo necessário para pagarmos todas as nossas contas já com duas semanas de abertos”, comemora Alice Steinbruck, “na Europa e nos Estados Unidos, todos os teatros possuem um bar com várias opções de bebidas, chapelaria, comida, um complexo inteiro para que a pessoa ao pagar para assistir a obra artística tenha também condições de ter um entretenimento completo no local”. O Teatro do Saara, por sua vez, conta com verba limitada e espera obter patrocínio para viabilizar a reforma do casarão e transformá-lo em centro cultural com teatro de pequeno porte, sala de ensaio, escritórios e oficinas. “Abrir um teatro sempre será uma teimosia”, conclui Maatz.

Sócios Alice Steinbruck e Sandro Rabello na porta da Casa de Baco (Foto: Divulgação)

CASA DE BACO
Endereço: Rua da Lapa, 243 – Centro | Contato: 3796-6191.
Capacidade: 30 a 200 lugares | Destaque em maio: “Para Onde Ir”, com Yashar Zambuzzi.
Descrito como um “espaço de convivência artística”, ele inaugurou com uma programação de shows e espetáculos teatrais, além de cursos, bar e gafieira – esta última com entrada franca. Para as peças, os ingressos têm custado R$ 30. Para os shows, chegam no máximo a R$ 40. Em maio, a casa recebe “E o Mar Já Não Existe”, sobre a violência contra a mulher, segundas e terças às 19h; e “Para Onde Ir”, inspirado em “Crime e Castigo” de Dostoiévski, de sexta a domingo às 19h30.

TEATRO DO SAARA
Endereço: Largo de São Francisco, 19 – Centro. | Contato: 98035-8777.
Capacidade: 40 lugares. Destaque em maio: “Sobre os ombros dourados da felicidade”, gratuito.
Dentro do maior centro de comércio popular do Rio de Janeiro, um sobrado do século XIX parcialmente destruído tornou-se teatro. O diferencial é sua programação vespertina. São peças curtas de até 25 minutos, apresentadas sempre às 12h30, 13h30 e 14h30. Elas podem ser de drama, comédia, tragédia, suspense, etc. Os ingressos são muito acessíveis: apenas R$ 3. Três reais! Além disso, há opções para a manhã – o infantil “Redondinhas”, sábados às 11h (R$ 20) – e para a noite – com teatro-show “Sobre os Ombros da Felicidade (Punk Modo On)”, quintas e sextas às 18h30 (gratuito).

THEATRO BANGU SHOPPING
Endereço: Rua Fonseca, 240 – Bangu | Contato: 2143-6012.
Capacidade: 574 lugares. Destaque em maio: “Uma Shirley Qualquer”, com Susana Vieira.
Do mesmo responsável pelo Theatro Net Rio, o teatro com th do Bangu se tornou uma opção cultural na Zona Oeste. O local tem recebido, desde janeiro, uma programação mais voltada para a comédia e o infantil, mas o gestor avisa que grandes musicais também estão a caminho. “O Musical Mamonas” está acertado. Os preços são mais elevados e chegam a R$ 80.