(Foto: Vinícius Bertoli / Divulgação)

Terminando a temporada de “A Noviça Rebelde” no teatro, a atriz e cantora Alessandra Verney está lançando o primeiro single do projeto “Café de Hotel”. A música é “Noturno”, regravação do sucesso de Fagner do final dos anos 1970. “Antes de lançar as músicas autorais e inéditas, eu queria muito resgatar alguma canção que tivesse sido marcante nos anos 70/80 e que fosse visceral”, ela diz ao Teatro em Cena, “o produtor musical Fernando Nunes e eu pesquisamos muito e um dia me veio a ideia… ‘Coração Alado’! Ou melhor, ‘Noturno’ – que ficou imortalizada na belíssima interpretação do Fagner. Inclusive, a maioria das pessoas acha que a composição é dele, mas não é. É dos compositores cearenses Caio Sílvio e Graco Braz”.

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A canção marcou a infância de Alessandra e ela percebeu que as gerações mais novas não conhecem nem mesmo a gravação do Fagner. Tudo convergiu para a vontade de resgatar esse material. “Foi mais um motivo para tentar trazer a música de volta, com outa roupagem. A letra é atemporal, fala de força, sonhos, desilusão, libertação. Fala de solidão… acho que tem tudo a ver com os tempos que estamos vivendo”. As ideias para o novo arranjo surgiram há cerca de dois anos. O projeto vem sendo concebido há bastante tempo.

Vencedora do Prêmio Cesgranrio por “Kiss Me, Kate – O Beijo da Megera”, a atriz tem emendados trabalhos e atuado tanto nos palcos quanto na TV e no teatro. Tem dois filmes com estreias previstas para 2019. Falta algo próprio na música. No ano passado, ela fez os primeiros shows do “Café de Hotel”, idealizado como uma maneira de escolher um repertório que falasse a ela como artista e não como personagem. Os shows trazem músicas muito conhecidas da MPB repaginadas.

– Acho que é bem diferente porque são as minhas escolhas, as minhas nuances e, de alguma forma, a minha personalidade como cantora mais evidente. Quando canto como personagem, estou a serviço dele e da partitura escrita para ele, do estilo pedido, etc. O meu timbre é o mesmo, mas o estilo de música é bem diferente do que costumo cantar nos musicais, tem uma pegada mais rock e eu me concentro mais na interpretação e no conceito do trabalho mesmo, sem foco na virtuose vocal. – ela comenta – Para gravações fonográficas, a estética é bem diferente do musical, mas certamente uma coisa ajuda a outra. O musical me trouxe muita versatilidade vocal e acredito que isso esteja presente no meu trabalho solo. A minha grande preocupação é ter, nesse projeto, uma linha de trabalho, com sonoridade e repertório coerentes com o que quero propor.

(Foto: Juliana Cerdeira)