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Recém-estreado no Rio de Janeiro, o musical “Forever Young” aborda a terceira idade. Atores interpretam versões envelhecidas de si mesmos, em uma trama fictícia, que se passa no teatro abandonado de um retiro de artistas, onde vivem os personagens. O espetáculo é uma importação da Noruega, com tradução e adaptação de Henrique Benjamin, e direção de Jarbas Homem de Mello (de “Constellation”). No repertório musical, apenas músicas antigas – a maioria em inglês – executadas ao piano pelo diretor musical Miguel Briamonte, que desempenha uma espécie de figuração de luxo na dramaturgia.

(Foto: Páprica Fotografia)
(Foto: Páprica Fotografia)

É um musical fraco e entediante. O texto, escrito pelo suíço Erik Gedeon, se aprofunda na construção cênica dos personagens, com estrutura previsível, e não traz quaisquer conflitos ou evoluções. Estagnado como o elenco, que passa a maior parte do tempo sentada em sofás e poltronas, devido à velhice avançada dos personagens. As músicas, escolhidas a dedo para evocar a nostalgia da plateia, pouco ou nada contribuem dramaturgicamente. A grande maioria poderia ser cortada sem perdas para a história, que nada mais é do que “um dia em um asilo de artistas”. Como comédia, pouco anima.

No dia assistido, o elenco foi formado por Vanessa Gerbelli (de “A Paixão Segundo Nelson Rodrigues”), Marcos Tumura (de “Raia 30”), Paula Capovilla (de “Meu Amigo, Charlie Brown”), Jarbas Homem de Mello (de “Chaplin – O Musical”), Drayson Menezzes (de “Constellation”) e Fafy Siqueira (de “Se Eu Fosse Você, o Musical”). Eles aparentam se divertir em cena, fazendo os velhinhos, e isso de alguma maneira capta a plateia. Capovilla e Tumura executam números musicais excelentes, e Jarbas consegue levar o espetáculo na mão com facilidade. Todos têm bons desempenhos. Fafy, inclusive, em regime de participação especial, também deixa sua marca como a enfermeira do retiro – ainda que as cenas de sua personagem sejam repetitivas e cada vez menos engraçadas. Mas as interpretações não salvam uma dramaturgia rasa – com direção preguiçosa. Como diretor, Jarbas apresenta um resultado nada criativo.

“Forever Young”, em vez de musical teatral, poderia ser apenas um ensaio fotográfico. O visagismo de Hugo Daniel é eficaz, os figurinos de Paulette Pink compõe o estereótipo de cada personagem, e a direção de arte de Rosa Berger cria um ambiente convincente. Com a iluminação acertada de Fran Barros, daria boas fotos, e ponto.

Por Leonardo Torres
Pós-graduado em Jornalismo Cultural e mestrando em Artes da Cena.

Ficha técnica
Autor: Erik Gedeon
Direção Geral: Jarbas Homem de Mello
Supervisão Artística/tradução/adaptação: Henrique Benjamin 
Direção Musical e canções adicionais: Miguel Briamonte
Elenco: Carmo Dalla Vecchia, Vanessa Gerbelli, Claudio Galvan , Marcos Tumura e Paula Capovilla e Marya Bravo -Piano: Miguel Briamonte
Stand In: Naíma e Drayson Menezzes
Supervisão Cenográfica: Luís Rossi
Figurino: Paulette Pink
Visagismo: Hugo Daniel
Designer de Luz: Fran Barros
Designer de Som: Rafael Caetano
Produtora de Objetos e Direção de Arte: Rosa Berger
Produção Geral: Henrique Benjamin e Sandro Chaim
Realização: Coisas Nossas Produções, Benjamin Produções,  Chaim XYZ Produções,  Ministério da Cultura, e Governo Federal

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SERVIÇO: qui a sáb, 21h; dom, 20h. R$ 50 (qui) e R$ 100 (sex a dom). 90 min. Classificação: 10 anos. Até 19 de fevereiro. Teatro das Artes – Shopping da Gávea – Rua Marquês de São Vicente, 52 – Gávea. Tel: 2540-6004.