Amanda Mirásci, Dominique Arantes, Mariana Nunes, Larissa Siqueira e Vilma Melo formam o elenco de “Isso Vai Funcionar de Alguma Forma” (Foto: Elisa Mendes)

Mulheres na autoria, na direção, no elenco e em 100% da ficha técnica. Esta é a proposta de “Isso Vai Funcionar de Alguma Forma”, espetáculo inédito, que estreia no Oi Futuro Flamengo em 8 de março. A data marca o Dia Internacional da Mulher e motiva uma programação cultural especial na cidade. Além desse espetáculo, ocorrerão a Mostra Mulheres em Cena no Teatro Maria Clara Machado, na Gávea, e a Semana Cultural Justiça Feminina, no Centro Cultural Justiça Federal, no Centro. A multiplicidade do feminino é a pauta do mês.

– Somos muitas, com tantas histórias, trajetórias, corpos e etnias diferentes. São lutas diversas, que ora estão nos pontos de interseção, ora as diferenças se acentuam. – destaca Dominique Arantes, idealizadora de “Isso Vai Funcionar de Alguma Forma” e uma das quatro autoras da dramaturgia. As outras são Renata Mizhari (de “Galápagos”), Keli Freitas (de “Consertam-se Imóveis”) e Daniele Ávila Small (de “Garras Curvas e um Canto Sedutor”). O espetáculo também traz quatro diretoras, Cristina Moura (de “Nu de Botas”), Denise Stutz (de “Eu, um Branco”), Inez Viana (de “Mata Teu Pai”) e Rúbia Rodrigues (assistente de “Dançando no Escuro”).

Com cinco atrizes no palco, a montagem marca a união de forças femininas para falar justamente sobre como é, socialmente, ser mulher. Os textos que compõe a peça dão pistas: “Licença”, “Movimento Plantar”, “Silência” e “Você Tem Medo de Quê? Não Pode”. O projeto é resultado da justaposição de vozes a partir da escuta entre 16 artistas criadoras. Iluminação, figurino, cenário, trilha sonora e assessoria de imprensa também são de mulheres.

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SERVIÇO: qui a dom, 20h. R$ 30. 70 min. Classificação: 16 anos. De 9 de março até 29 de abril. Oi Futuro Flamengo – Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo. Tel: 3131-3060.

Semana Cultural Justiça Feminina

Proposta similar motiva a programação do CCJF entre os dias 6 e 9 de março. Com o tema “Mulher, Poder e Democracia”, a sema cultural feminina terá exibição de filmes, debates, exposição, apresentações de performances, cantoras e poetisas. Em diferentes manifestações, vozes femininas versarão sobre assédio, política, direitos humanos, feminilidade, humanidade, empoderamento, trabalho e educação. O melhor de tudo é que o evento tem entrada gratuita. Para assistir às mesas-redondas, é necessário se inscrever pelo site oficial do local.

Mostra Mulheres em Cena

No Teatro Maria Clara Machado, a programação de 7 de março até 1º de abril inclui debates, oficinas, aulas gratuitas de yoga e oito espetáculos protagonizados por mulheres. A mostra estreará com “Mujeres de Arena”, peça do autor mexicano Humberto Robles sobre o feminicídio, isto é, o assassinato de mulheres. Serão duas apresentações nos dias 7 e 8 às 21h.

A mostra também apresentará o monólogo “Silêncios Claros”, com compilação de quatro contos de Clarice Lispector; “Peça de Câmara Para 1 Atriz e 4 Personagens”, com texto de Maria do Rosário de Assumpção Braga; “Uma Ciranda Para Mulheres Rebeldes”, do Coletivo As Dramáticas; “Um Ato!”, primeiro solo da atriz Marcia do Valle (de “Êxtase”); “Cheiro de Manga”, de Laura de Castro; e “O Cheiro da Feijoada”, de Iléa Ferraz.

(Foto: Dalton Valério)

Confira a programação completa:

MUJERES DE ARENA – Dias 7 (quarta) E 8 (quinta) às 21hs
“Mujeres de Arena” é um grito de denúncia contra os feminicídios e os desaparecimentos de mulheres que ocorrem no Brasil e na América do Sul. Como num ato manifesto, pretende-se denunciar e expor diversos abusos sofridos. “Mujeres de Arena” é um grito por justiça e liberdade.

Textos: Antonio Cerezo Contreras, Marisela Ortiz, Denise Dresser, Malú García Andrade, María Hope, Eugenia Muñoz, Servando Pineda Jaimes e Juan Ríos Cantú
Dramaturgia: Humberto Robles
Tradução: Rosite Val e Mirian Arce
Direção e Atuação: Rosite Val

SILÊNCIOS CLAROS – Dias 9 (sexta), 10 (sábado) às 21hs e 11 (domingo) às 19hs
4 contos de Clarice Lispector – “O Grande Passeio”, “Uma Tarde Plena”, “A Fuga” e “Uma Galinha”, sem adaptações, constituem esse espetáculo solo, uma leitura cênica, que traz as estações da vida em quatro tempos, traduzindo, com irreverência, as sutilezas da feminilidade da autora. Anseios, desejos inconfessos, contradições, alegrias e tristezas, sentimentos embutidos em histórias escritas em diferentes fases da vida de Clarice, permeadas por seu humor particular. Quatro diferentes etapas da vida de uma mulher que vivencia a memória, as lembranças da família, saudade, alegria, o desejo e a morte, pontuados pela sensibilidade e intimidade com que a autora penetra e passeia pela vida humana, suas contradições e vicissitudes.

Textos –Clarice Lispector
Direção – Fernando Philbert
Atriz – Ester Jablonski

4 –PEÇA DE CÂMARA PARA 1 ATRIZ E 4 PERSONAGENS – Dias 14 (quarta) e 15 (quinta) às 21hs
Prêmio Funarte Estímulo à Dramaturgia. “Três mulheres sob o mesmo teto. A Mulher é professora de matemática e completa o orçamento com bicos. Sustenta a Garota, sua filha adolescente, e a Velha, sua sogra. A Velha segreda à Garota, sua neta, que o Homem, seu filho, voltará para matá-la. O Homem volta, mas porque pressentiu que a Velha, sua mãe, vai morrer. O que acontece quando Velha, Mulher e Garota se veem frente ao homem que as deixou?”. Com personagens e situações vistas ou vividas na nossa latinoamérica, 4 – Peça de Câmara se situa na fronteira difusa entre cinema e teatro. Objetividade, Abandono, Irreverência, Acolhimento, Superação, Possibilidades.

Texto de Maria do Rosário de Assumpção Braga
Direção – Duaia Assumpção
Atriz – Duaia Assumpção

UMA CIRANDA PARA MULHERES REBELDES – Dias 17 (sábado) ÀS 21hs e 18 (domingo) às 19 hs
De Adriana Maia, Ana Achcar, Anna Wiltgen e Dadá Maia, foi criado coletivamente a partir de uma pesquisa sobre a vida de quatro mulheres que estiveram envolvidas com a Revolução Russa de 1917 e que lutaram pelos ideais socialistas no início do século passado – Alexandra Kollontai – líder revolucionária russa comunista e feminista, Zinaida Bronstein – filha mais velha do dirigente comunista Leon Trotsky, Zinaida Reich – atriz russa da companhia do diretor Meyerhold, e Caridad del Rio – agente da NKVD soviética e mãe do assassino de Leon Trotsky. Reunindo relatos ficcionais criados a partir de episódios verídicos de suas vidas, “Uma ciranda para mulheres rebeldes” convida o espectador a entrar no mundo dessas mulheres que sonharam ou que foram castigadas por sonhar, que sobreviveram e que em razão de seus legados nos ajudam a sobreviver. A utopia da revolução, a dor do exílio, as escolhas difíceis, a opressão, a maternidade, as descobertas, a esperança, o vazio, a luta, o medo, a rebeldia, a existência vivida por elas, mulheres que nos comovem por sua determinação, sua desobediência constante e também por sua fragilidade. Por trás de cada relato, de cada cena proposta, existe o desejo de celebrar a vida de mulheres que não conheciam o ato de se resignar.

Criação, atuação e produção: Coletivo as dramáticas

UM ATO! – Dias 21 (quarta) e 22 (quinta) às 21hs
É uma peça poema! O primeiro solo da atriz Marcia do Valle, em 30 anos de Teatro. O espetáculo é composto de pequenas histórias e poemas, dos autores e poetas Affonso Romano de Santana, Eduardo Galeano, Paulo Leminski, Mario Quintana, Viviane Mosé e a polonesa Wislawa Szymborska. Em diálogo com o momento delicado pelo qual o país e o mundo estão passando, o Teatro segue fortalecendo seu lugar de coragem, transformação, escuta, troca, afeto, liberdade, paixão, ousadia, renovação, reinvenção… Os textos constroem um caminho de pensamento sobre as violências que temos vivido. Uma atriz é muitas mulheres! O roteiro traz a poesia como forma de indignar-se com arte, uma resposta ao tempo! “O ator é o arauto da vida!” Nele, explodem sentimentos e falas! Na plateia, o semelhante.

Textos de: Affonso Romano de Sant’anna, Eduardo Galeano, Paulo Leminski, Mario Quintana, Viviane Mosé e Wislawa Szymborska.
Atriz: Marcia do Valle
Direção: Gaby Haviaras e Renato Farias

EU É NÓS – Dias 23 (sexta), 24 (sábado) às 21hs e 25 (domingo) às 19hs
Surgiu a partir da palavra desamparo,encontrada no livro – Quem pensas tu que eu sou? De Abrão Slavutzky. O espetáculo, se configura como um exercício de autoficção, cheio de humor e sensibilidade.

Atriz: Suzana Saldanha
Direção: Luis Artur Nunes
Processo Colaborativo: Abrão Slavutzky, Leonardo Netto e Suzana Saldanha
Dramaturgia: Suzana Saldanha

CHEIRO DE MANGA – Dias 28 (quarta) e 29 (quinta) às 21hs
O espetáculo Cheiro de Manga convida o público a fazer uma viagem através dos sons, das cores, dos cheiros e do movimento, criando a memória através do imaginário, trazendo os espectadores para dentro da cena, proporcionando que eles vivam uma experiência completa dos ‘seis’ sentidos. Com dança, teatro, canto e muita música o espetáculo tem o objetivo de mostrar a pluralidade da arte, contando histórias, vivenciando experiências e redescobrindo os caminhos de terra batida da pequena vila de pescadores Toubab Dialaw, no Senegal, e seus arredores. O espetáculo fomenta e instiga a curiosidade sobre a cultura africana e seus desdobramentos, mas muito além disso, dará ao espectador a oportunidade de construir suas próprias reflexões e sensações a partir das histórias contadas em cena.

Criação e interpretação: Laura de Castro

O CHEIRO DA FEIJOADA – Dias 30 (sexta), 31 (sábado) às 21hs e 1 de abril (domigo) às 19hs
O monólogo musical O CHEIRO DA FEIJOADA, através da memória de uma lavadeira, preta velha centenária, conta a estória de uma feijoada que foi preparada no tempo da escravidão e lança um novo olhar sobre a história do Brasil ao abordar questões que envolvem nossas diferenças sociais e a edificação da nossa diversidade cultural. Sambas, Xotes e funk compõem a trilha sonora deste espetáculo, dirigido e interpretado por Iléa Ferraz.

Direção e Interpretação: Iléa Ferraz
Texto: Thomas Bakk

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SERVIÇO: R$ 40. De 7 de março até 1º de abril. Teatro Municipal Maria Clara Machado – Avenida Padre Leonel Franca, 240 – Gávea. Tel: 2274-7722.