EXCLUSIVO – O drama musical “Dançando no Escuro”, indicado a duas categorias do Prêmio Shell (atriz e música) e uma do Prêmio APTR (música), já tem data para voltar aos palcos. Mesmo sem patrocínio, o espetáculo reestreará em 19 de abril no Teatro SESI Centro. Uma nova temporada é um pedido do próprio público, que se encantou com a história de Selma, a imigrante tcheca que suporta adversidades nos Estados Unidos, focada em juntar dinheiro para que seu filho faça uma cirurgia e não perca a visão, como ela mesma está perdendo aceleradamente.

(Foto: Nana Moraes)

– É uma história que precisa ser contada. As pessoas precisam ouvi-la e vê-la. – diz o ator e produtor Luis Fortes (de “Os Inadequados”), idealizador da montagem junto com a protagonista Juliane Bodini (de “O Beijo no Asfalto – O Musical”) – É um musical grande, com nove atores, criança no elenco, músicos, muitos técnicos, com tudo que um grande musical tem. A única diferença é que o nosso não tem dinheiro. Mas estamos procurando. Quem tiver uma empresa… (risos) Você entra no teatro não só para se divertir ou se emocionar. É um musical que vai além disso.

O espetáculo é uma adaptação do filme do cineasta dinamarquês Lars Von Trier, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes no ano 2000. A protagonista Björk também levou o troféu de melhor atriz no festival. São dela as canções do filme, com destaque para “I’ve Seen It All”, indicada ao Grammy e ao Oscar. No Brasil, a adaptação teatral ganha direção da atriz Dani Barros (de “Estamira”), estreante na função. O musical fez temporadas elogiadas no Centro e em Niterói no ano passado, rendendo o Prêmio Botequim Cultural de melhor atriz para Bodini. Houve convites para se apresentar em outros lugares, mas a produção esbarrou na falta de orçamento.

– O quadro político atual não está ajudando muito a cultura no país. Nossa vontade é estar em todos os cantos da cidade, mas precisamos de alguma verba para levantar o espetáculo. Eu e Juliane estamos sempre tentando levantar essa verba. – o produtor conta ao Teatro em Cena.

Mesmo “na raça”, como se diz no meio, “Dançando no Escuro” faz questão de manter o projeto de acessibilidade e inclusão, o que ainda é um diferencial. Além de sessões com libras, audiodescrição, programas em braile e visitas guiadas para cegos conhecerem o cenário, que encarecem o orçamento, o musical trabalha com deficientes visuais em sua banda. “Achei que a história do ‘Dançando no Escuro’ tinha tudo a ver com acessibilidade e quis ir além com os músicos cegos convivendo com toda equipe artística”, destaca Luis Fortes.