A obra de Nelson Rodrigues (1912-1980) marca presença na 26ª edição do Festival de Curitiba com “Anjo Negro”, montada pela Eitcha Cia. de Teatro. Formada em Aracaju, no Sergipe, a companhia está em cartaz na democrática Mostra Fringe, que ocupa teatros e espaços públicos da cidade com apresentações sem curadoria: todos os trabalhos inscritos chegam ao público. “Anjo Negro” fica no Teatro Cleón Jacques até segunda (3/4), às 19h. “A gente está muito feliz de estar no Fringe. Não é a primeira vez que a gente vem. Já viemos também com teatro de rua”, conta o ator e diretor André Santana.

(Foto: Divulgação)

Nesse espetáculo, Nelson Rodrigues aborda a temática da discriminação racial de forma violenta. Na história, Ismael é um negro que não aceita a própria cor e se casa com uma mulher branca que faz de tudo para não ter filhos negros. Vivendo isolados do resto do mundo, o casal ultrapassa da sanidade por causa de preconceitos. O texto foi escrito em 1946, mas foi censurado e só chegou aos palcos dois anos depois.

Na montagem sergipana, o cenário é mínimo e limitado a tecidos pendurados do teto ao chão, na cor preta. A iluminação, na mesma linha, valida a penumbra na maior parte da encenação. O elenco conta ainda com Luanda Ribeiro, Paulo Ricardo, Rosana Costa e Rose Ribeiro.

Além de se apresentar, o grupo aproveita a viagem para prestigiar os outros espetáculos do festival. “A gente chegou antes de ontem e está acompanhando. Saindo daqui, vamos ver outras peças. Estamos assistindo. O Fringe tá lindo”, diz Santana.

Os ingressos para “Anjo Negro” custam R$ 40. O último dia de apresentações é nesta segunda (3/4), mas o festival segue com vasta programação até o dia 9 de abril. Confira aqui!

*O Teatro em Cena viajou a convite da produção do festival.