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8 dicas do que (não) fazer em audições de musicais teatrais

Qualquer espécie de avaliação gera nervosismo em quem se põe à prova. Mas, se o ator não domar isso, vive em ataque de nervos. A vida do artista é, de certa forma, se submeter a testes frequentemente. Quando se trata de musicais teatrais, são as chamadas audições – que, além dos testes de interpretação, envolvem no mínimo canto e dança. Com a expectativa, a ansiedade e o nervosismo intrínsecos da situação, é comum que os candidatos cometam derrapadas e não consigam mostrar todo seu potencial.

O que é indicado fazer? O que não pode? Não há manual e o feeling às vezes engana. Por isso, o Teatro em Cena conversou com profissionais atuantes no mercado para colher algumas dicas para jovens atores em início de carreira. O diretor musical Marcelo Castro, as diretoras Carla Reis e Lidy Marx, o coreógrafo e ator Victor Maia, e os atores André Vieri, Livia Dabarian e Reiner Tenente chamam a atenção para oito pontos.

Ator diante da banca em audição para musical do Rock in Rio (Foto: Reprodução)

Ator diante da banca em audição para musical do Rock in Rio (Foto: Reprodução)

1) Esteja preparado
Parece óbvia, mas a dica é valida: não compareça às audições sem preparo. Há cada vez mais concorrentes altamente qualificados e não dá mais para achar que é possível levar o teste na flauta. Despreparo pode ser entendido também como desinteresse. O diretor musical Marcelo Castro, por exemplo, aconselha a nunca, jamais, em hipótese alguma, ler as músicas. “Tente decorar, mesmo que tenha sido entregue de um dia para o outro”. Chegar com a cifra sem partitura e pedir para o pianista mudar o tom também não vale, né? A avaliação começa antes de sair de casa. Não vá para um teste de dança com roupa inadequada, tampouco. All Star e calça jeans não é o que os avaliadores esperam ver. O coreógrafo e professor Victor Maia explica que o recomendável é ir de malha e, caso não tenha, bermuda ou calça de moletom, blusa ou camiseta de malha em cores neutras, e tênis apropriado para dança. Anotou?

2) Fazer o íntimo e/ou puxar saco da bancada: nem pensar!
É unânime: ninguém gosta de puxação de saco e falsa intimidade por parte dos candidatos. Não é assim que você vai conseguir o papel. Caso contrário, a banca convidaria apenas os amigos para as audições e pronto. A diretora Carla Reis diz que é irritante quando o ator aparece fazendo piadinhas para forçar um clima que não existe: “muita gente faz isso”. O ator e coaching André Vieri concorda: “É legal ser amável, mas não extremamente simpático. Entrar na sala de audição distribuindo beijos, abraços e deixando um bolo de banana para cada um da banca não vai ajudar em nada”.

Danilo Timm em audição para "Elis, a Musical", trabalho que lhe rendeu prêmio (Foto: Reprodução)

Danilo Timm em audição para “Elis, a Musical”, trabalho que lhe rendeu prêmio (Foto: Reprodução)

3) Evite exageros
Tenha bom senso. Exagero não vale nem para musical do Cazuza (lembra do ator que ficou pelado e fumou maconha em plena audição?). Há candidatos que, na ânsia de mostrar o quanto querem o trabalho e o quanto são capazes, extrapolam os limites. “Já passei por várias situações estranhas: ator que se jogou no chão, tirou as calças, desmaiou e caiu com o rosto no chão… Tivemos que interromper a audição”, narra Marcelo Castro. Não queira ser lembrado por um micão. É simples assim. Ir vestido como o personagem também não funciona, nunca, segundo o professor e preparador de elenco Reiner Tenente. “A não ser que a produção peça. Até porque não sabe para que vão te testar. Soa arrogante”. André Vieri também recomenda cautela quanto à interação com a banca. “Sei de casos de candidato puxar o diretor pelo braço, subir na mesa, dar tapinha na cabeça enquanto canta…”, lembra. “Por mais louco que possa parecer, a banca está lá buscando aliados, eles querem gostar de você. Mas se eu sou da banca e vem um louco encenando pra cima de mim, eu vou querer sair correndo”.

4) Tempo é dinheiro
Os exageros conduzem a outro ponto: o tempo. Candidato fora da casinha costuma abusar do tempo da banca, que não é ilimitado. Há um monte de gente para ser avaliada, então limite-se a fazer o que tem que ser feito. A diretora de peças infantis Lidy Marx não gosta quando o candidato leva figurino, objetos cênicos, troca de sapato e deixa todo mundo olhando e esperando enquanto vai tirando item por item da bolsa. “Quando o candidato entra com mochila, chego a tremer!”, comenta. “Por favor, o que estamos avaliando é seu corpo-dança, voz-canto e interpretação. Não precisa de mais nada que um bom preparo em uma calça e blusa preta”. Reiner aconselha também a não gastar o tempo se desculpando por qualquer problema. André Vieri faz coro: “se estiver gripado ou mal dormido, respire fundo e guarde a informação para si”.

Tacy de Campos no teste que a selecionou para o papel de Cássia Eller (Foto: Reprodução)

Tacy de Campos no teste que a selecionou para o papel de Cássia Eller (Foto: Reprodução)

5) Escolha da música
Em geral, música em inglês não é bem vista, a menos que esse seja o foco do musical para o qual se destina a audição. Se o teste é para o musical do Michael Jackson, vai fundo. Senão, não. Dê preferência para o português, porque é assim que cantará em cena. Além disso, escolha uma canção que você possa interpretar. Audição para musical não é audição do “The Voice”. Livia Dabarian ressalta a importância de interpretar a música: “Não é ‘beltar’ na cara da sociedade. Não são a nota aguda e o grito que vão fazer pegar o job. Tem que poder interpretar e fazer a banca esquecer que está vendo uma audição”.

6) Interpretação
Se a interpretação é importante na audição de canto, imagine na audição específica para avaliação da habilidade de atuar! Não dá para achar que essa é uma etapa mais fácil. “Como as audições tem o canto como primeira etapa, os alunos buscam o canto e tentam dar um truque na interpretação”, comenta Reiner Tenente. “Isso não funciona por muito tempo. Teatro musical é antes de tudo teatro”.

Atores em audição com o pianista Marcelo Farias  para "O Mágico de Oz" (Foto: Reprodução)

Atores em audição com o pianista Marcelo Farias para “O Mágico de Oz” (Foto: Reprodução)

7) Confundir TV e teatro
Lidy Marx conta que não pega bem quando o candidato leva um material incompatível com o espetáculo. Nada de texto de curso para TV em teste de interpretação para teatro, por favor. “Lancei um teste para musical infantil e cerca de 70% dos candidatos foram com uma cena de TV, bem aqueles monólogos que todo curso de vídeo dá. Aí olham para nossa cara como se fosse a câmera e fazem uma cena parada, falando baixo. Ok, se o teste fosse para TV, mas em teatro precisam se mostrar, preencher o espaço, falar alto e, por favor, interpretar” , aconselha.

8) Conhecimento da banca
É interessante que o candidato faça uma pesquisa sobre as preferências dos avaliadores e sobre o projeto em questão. Adequar-se é uma dica do Marcelo Castro. “Conhecer a banca e, em geral, saber como pensam os diretores é recomendável. Não que isso seja uma tarefa fácil. Mas tem banca que não gosta que o candidato olhe diretamente para ela, por exemplo, e tem banca que quer isso”. O que funcionou na audição da semana passada pode não funcionar na desta semana. Inteire-se.

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