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Afinal, de onde vem a inspiração? – Por Bárbara Dias

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(Foto: Divulgação)

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Quando comecei a compor, eu estava terminando meu primeiro relacionamento, aos 15 anos. Tinha acabado de comprar meu notebook novo e instalei um programa de edição de música, comecei a brincar e, tchanã! Surgiu o meu primeiro desabafo em forma de canção. Depois, percebendo que isso me deixava mais calma, comecei a bombardear o violão e os vizinhos, que me ouviam cantar o dia inteirinho. Músicas legais, músicas nada legais, músicas, músicas e muitas músicas. Eu só precisava escrever. Hoje, enquanto pouco a pouco tento conquistar um espaço legal no meio da música e da composição, escrevo quase todos os dias. E o que as pessoas mais me perguntam é: mas de onde você tira inspiração para tanta música?

Eu, sinceramente, não sei responder com precisão, mas vou tentar. Escrevo muito sobre amor, de todos os tipos. O amor que dá certo, o que dá errado, o que leva a gente à loucura e o que queremos construir delicadamente e com cuidado. Eu sempre fui muito romântica, mas não sou tão romântica nas minhas atitudes, porque me sinto frágil. Então, canalizo essa possível fragilidade para os acordes. A música eternizou muitos momentos que eu nem sequer lembraria se não as tivesse escrito. Já fazem 5 anos desde esse primeiro término e, por causa da música que eu estava escrevendo, consigo me lembrar exatamente do que eu sentia.

Depois comecei a escrever sobre outras coisas. No meu período de vestibular – um inferninho na Terra – eu comecei a escrever sobre minhas dúvidas, os meus anseios e sobre essa nossa (eterna) busca de quem somos realmente. Escrevi sobre a gravidez da minha melhor amiga, inesperada e no meio do nosso ensino médio. Escrevi sobre como eu gostaria que meu irmão parasse de crescer para que ele não sentisse esse meu conflito de adultisse e pudesse viver no seu paraíso para sempre. Escrevi sobre como é difícil começar a pensar em sair do ninho. A inspiração da minha arte é a vida. Ela é tão complexa, tão mágica, tão trágica, tão boa e tão ruim, tão poesia e tão confusa. E tão linda, tão linda, tão linda… Que, dentro da minha confusão pessoal, preciso transbordá-la de alguma forma. O ator, o cantor, o pintor, o músico… Imitando a vida, com um pedacinho de arte, um toque lúdico, mas sempre traduzindo um amor, uma dor, uma fragilidade, uma verdade, uma mentira, um sonho, um desejo inconsciente, uma febre de SER. A inspiração vem para os loucos que, por onde passam, levam dos lugares e das pessoas um pouquinho e, eventualmente, precisam se colocar para fora.

Já me magoei muito deixando o mundo entrar, também. Cabe a gente fazer uma listinha de prós e contras (bem pragmática), e resolver abrir essa porta ou mantê-la fechada. A vida, o mundo, os lugares e as pessoas são inspiração para quem quiser abrir o coração para o mundo entrar. Li uma frase, não me lembro onde, nem quem a escreveu… Gostaria de lembrar. Bom, ela diz “Em caso de seriedade em excesso, loucure-se!”

Minha inspiração é me deixar enlouquecer. Eu escolhi viver assim e isso me embuiu de uma inspiração maravilhosa! E a sua inspiração? De onde ela vem?

Bárbara Dias é atriz, cantora e compositora.

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