Entrevista

Amado e detestado, Gregorio Duvivier usa arte para debater política

Gregorio com figurino de "Uma Noite Na Lua" (Foto: Renato Mangolin)

Gregorio com figurino de “Uma Noite Na Lua” (Foto: Renato Mangolin)

Gregorio Duvivier está de volta à cidade com o espetáculo “Uma Noite Na Lua”, que lhe rendeu o Prêmio APTR de melhor ator em 2013. Ótima oportunidade para uma entrevista do Teatro em Cena. Contato feito com a produtora da peça e entrevista marcada, é hora de preparar a pauta, o que todo jornalista sabe que significa googlar (Gregorio é poeta e deve gostar de neologismos, então fica bom começar esse texto com um). Aproximadamente 366 mil resultados, o buscador diz. Aparecem os links da coluna dele na Folha, da página no Facebook, no Twitter, na Wikipédia (Wikipédia é sempre bom, embora nenhum jornalista assuma publicamente), no Instagram, no IMDB (38 créditos como ator e seis como roteirista), na Companhia das Letras, e muitas notícias – é o que interessa, no fim das contas. Entre as matérias, Gregorio se desculpando por uma piada com travestis no Porta dos Fundos, sendo criticado por colunistas da Veja, ironizando “coxinhas”, pedindo o impeachment do Papa… política, política, política. Dá para falar com ele sem entrar em política? Dificilmente.

– Cara, eu acho muito importante a gente se pensar como artista dentro de uma sociedade. O artista não existe fora da sociedade. Ele é filho de uma sociedade e, ao mesmo tempo, pai dela, porque ajuda a forjá-la. O que eu tento ser é um artista que não se acomoda em ser forjado pela sociedade, mas de alguma maneira tenta também transformá-la, gerar alguma reflexão, gerar algum tipo de mudança. Isso, para mim, é o ideal: que o artista seja pautado pela coragem e não pelo medo. – ele diz ao Teatro em Cena.

Sócio-fundador do Porta dos Fundos, colunista da Folha de S. Paulo e eventualmente roteirista de programas de TV, ele tem como colocar qualquer assunto em pauta, e costuma fazê-lo. Gregorio questiona, debate e explica o que vê para seu público. Ele está sempre metido em polêmicas, e não aquelas dos sites de celebridades envolvendo sextapes e flagras no Baixo Gávea. Gregorio estampa capa de revista defendendo legalização do aborto, dá entrevista falando abertamente sobre consumo de maconha, e não tem problemas em se indispor com políticos. O presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) tem sido um nome recorrente na sua boca. Com isso, aumenta a admiração de muitos fãs, mas também conquista muitos opositores. Sim, Gregorio, como figura pública, tem opositores – não ao seu trabalho, mas às suas ideias. Sua assessoria de imprensa deve ficar de cabelo em pé.

gregorio duvivier feira do livro

Ele diz que sempre foi politizado, desde a infância, quando os pais o colocaram para fazer teatro no Tablado para perder a timidez. Filho do músico Edgar Duvivier e da cantora Olivia Byington, a escolha pela arte para lidar com a vida não foi uma surpresa. Morador da Gávea, fez Letras ali na PUC e teve seu primeiro livro de poemas aclamado pela classe. O segundo, mais recente, já morando sozinho no Jardim Botânico, também foi bem recebido. Os padrastos dele são a atriz Maria Clara Gueiros (de “Enfim, Nós”) e o diretor Daniel Filho (da franquia “Se Eu Fosse Você”), e os ex-sogros são o diretor João Falcão e a escritora Adriana Falcão. “Uma Noite Na Lua”, aliás, é do João. Quer dizer: Gregorio tem, em seu núcleo familiar, as chaves de todas as portas. Não é o tipo de celebridade que precisa de polêmicas para ser lembrado. Um almoço de família pode lhe render trabalhos. Com Maria Clara, por exemplo, ele prepara uma montagem do musical “Se Meu Apartamento Falasse” para o ano que vem. Ele poderia viver muito bem sem se posicionar politicamente perante o público, como fazem a maioria dos artistas, esquivos de assuntos delicados. Mas não quer. Quer ser corajoso.

A polêmica da travesti, por exemplo. O esquete do Porta dos Fundos, que não entra nessa matéria pois o próprio retirou de sua página no Facebook, não foi bem recebido – e Gregorio logo pediu desculpas públicas. “Respeito muito a luta pelos direitos trans. O objetivo do texto era inverter o preconceito. Não funcionou e acabou reverberando o velho preconceito vigente. (…) Prometo ser ainda mais cuidadoso quando o assunto é trans e ainda mais engajado na luta contra transfobia. Escoguerrei. Escorregamos. Desculpa”, escreveu. Talvez nem todo mundo saiba, mas, ao contrário de seus pares do humor, Gregorio levanta, sim, a bandeira do politicamente correto. Não acha um limitador. Não fazer piadas racistas, machistas e homofóbicas é um posicionamento artístico e, quando tropeça, se ratifica. Sua comédia é engajada e suas escolhas são políticas.

– Dizem: “mas não vai ser um inferno essa vida em que você não tem direito de dizer o que quiser?”. Minha resposta é não, claro que não. Assim como não é um inferno uma vida na qual você não pode bater em outra pessoa. Você acha um inferno não poder roubar ou bater? Não. Chama-se viver em civilização. Para mim, faz parte da vida em sociedade você se tolher. Chama-se educação. Não chama censura.

Com o elenco do Porta dos Fundos(Foto: Reprodução / Cecilia Acioli/ Folhapress)

Com o elenco do Porta dos Fundos(Foto: Reprodução / Cecilia Acioli/ Folhapress)

E ele não é menos bem sucedido por isso. O espetáculo de improvisação “Z.É. – Zenas Emprovisadas”, fundado por ele, Marcelo Adnet, Rafael Queiroga e Fernando Caruso quando tinha apenas 17 anos, ainda é um sucesso. Está há 12 anos em cartaz, com idas e vindas. O Porta dos Fundos, por sua vez, segue crescendo. São mais de dez milhões de inscritos no Youtube, um contrato com a Fox, uma loja virtual e um filme a caminho. A produtora de conteúdo parece até um império, com DVD, livro, camiseta… A revista Exame estima que o grupo faturou cerca de R$ 30 milhões em 2014. Quer dizer, já pode gritar que é rhyca.

Teatro em Cena – Quando foi realmente que você começou a ganhar dinheiro de verdade?

Gregorio – Ahhhh… não comecei ainda.

– Ah, tá bom.

– É verdade, é verdade! A gente faz o Porta dos Fundos, que é um projeto de Internet. Hoje em dia, minha fonte de renda é o Porta e o teatro, que, como você sabe… Ainda mais as peças que eu faço: “Uma Noite Na Lua”, que é uma comédia triste, ou então “Portátil”, que vai ter muito sucesso de público, claro, mas ao mesmo está longe de te enriquecer no teatro. É muito difícil hoje em dia, você sabe disso. Ainda mais sem patrocínio nenhum. Então, do teatro não vem [riqueza]. E, do Porta dos Fundos, a gente tenta investir ao máximo o dinheiro que a gente ganha, então também não conseguimos tirar um dinheiro significativo não. Eu continuo… Não vou dizer que sou pobre, ainda mais com o país em crise, não posso reclamar mesmo. Mas, ao mesmo tempo, estou muito longe de ser um milionário.

Ele não pode mesmo dizer que é pobre. A revista Istoé revelou em junho que Gregorio assinou contrato com o Banco do Brasil para criar conteúdo para o intranet, com vídeos e textos motivacionais para os 100 mil funcionários. O valor do cachê não foi revelado, mas… é um banco! Gregorio esquece de citar isso entre seus rendimentos, mas tudo bem. Está perdoado. A entrevista ocorre em um intervalo que separa uma gravação para TV e uma apresentação de “Uma Noite na Lua” no Oi Casa Grande. Havia alguma correria, então não era como se fosse exigida uma declaração completa de imposto de renda.

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

Falando em “Uma Noite Na Lua”, você faz esse espetáculo desde 2012. Mudou sua relação com ele ao longo desses anos?
Uh, claro! Eu fiz o espetáculo em 40 cidades, então acaba que mudou à beça. É outra peça. Eu estou mais velho também, então o personagem tem talvez um pouco mais de peso, não sei, e, sobretudo, eu me apropriei do texto, sem mudar, porque o considero muito brilhante para ser mudado, muito perfeito, de verdade. Eu acho que o João não tem uma falha que precisa ser consertada. Não. Mas hoje em dia eu tenho mais domínio do texto e do personagem.

A que você atrela o sucesso da peça há tanto tempo em cartaz?
Primeiro, à qualidade do texto, que eu considero perfeito. Depois, eu acho que tem um tipo de comédia que eu gosto muito, que é a comédia triste do Chaplin, do Woody Allen e do João Falcão. É o tipo de comédia que também pode fazer chorar. A peça está nesse “entrelugar” do drama que faz rir e da comédia que faz chorar. Acho isso muito bonito. Quando uma obra consegue fazer as duas coisas ao mesmo tempo, ela acaba agradando uma grande quantidade de gente, tanto o público que só quer rir e se divertir quanto o público que vem e quer se comover.

Eu achei tão bonito o que você escreveu sobre o João no Instagram no dia da estreia no Oi Casa Grande. Você disse que, ao ser dirigido por ele, “dá vontade de se aposentar de tudo e ficar batendo palma”. O que ele tem de tão incrível?
Cara, o João tem uma… Ele é um vulcão de criatividade. Ele é um sujeito em constante erupção, tanto é que tem esse nome que já é um aumentativo duplo, João Falcão, uma coisa abundante que lembra vulcão, essa profusão de furacão, de ideias. É um sujeito que não para de brotar coisas geniais da cabeça dele. Eu fico muito admirado. Se eu vi e conheci um gênio, é o João.

(Foto: Reprodução)

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Nesse espetáculo, ele escreveu sobre um ator enfrentando a dificuldade de escrever, em uma síntese bem esdrúxula. Você também escreve. Como é sua relação de identificação com esse texto? Há momentos de transpiração e dificuldade de concentração?
Hum, não. Hoje em dia, cada vez mais, estou aprendendo a me concentrar mais e dominar um pouco a criatividade, que acho que é o grande desafio de quem escreve. Hoje em dia, estou enfrentando esse desafio de frente.

Quando você vai escrever para o Porta ou para a coluna da Folha, como você faz? Se isola? Senta? Deita? Silêncio? Com música? Como é?
Tem que ser no silêncio total, porque eu sou muito disperso, então não adianta ter música, nada. E eu gosto muito de escrever de manhã. Sou mais produtivo de manhã do que à noite ou de madrugada. Até porque de madrugada, de noite pelo menos, seu celular não para com as pessoas chamando para sair, para beber, para jantar. De manhã, as pessoas evitam me ligar, porque acham que estou dormindo, então a vida fica mais tranquila de manhã.

E tem alguma regra para o celular?
Cara, eu gosto de ficar longe dele, porque o celular e a Internet são os maiores inimigos de quem está criando. É um entretenimento muito fácil, uma diversão muito fácil, né? Então, fica muito difícil competir com isso. Se for competir com a Internet, vai perder. É texto, é foto, é vídeo, tudo misturado. É um entretenimento muito convidativo, então gosto de ficar um pouco longe do celular e da Internet. Tiro o computador do Wi-Fi para focar mesmo no Word, no texto em branco.

Você costuma ser atormentado por suas ideias? Do tipo, deitar para dormir e ficar pensando e desenvolvendo algo na cabeça em vez de pegar do sono?
Muito, cara, muito. A noite, em geral, é mais inquieta, e eu sou muito atormentado das ideias. Por isso que eu gosto de escrever, na verdade. Escrever é uma ótima maneira de exorcizar suas obsessões e aquilo que não te deixa dormir, sabe? Eu acho que é uma ótima maneira de calar esse barulho que tem na cabeça da gente.

Na sua coluna na Folha, você sempre fala de política, em todas as dimensões e possibilidades dela – seja quando realmente fala sobre o governo, nesse aspecto mais óbvio, ou quando trata de questões do dia a dia e ela aparece nas entrelinhas. A política sempre está ali. Você sempre foi politizado?
Eu acho, desde pequeno. Sempre me interessei por isso, sobretudo porque acho inevitável. A política não é opcional. Você não tem a opção de se engajar ou não se engajar, porque é sua vida. Eu acho importante você perceber que é afetado pela política, então não tem o que fazer. Você tem que tomar parte, senão as pessoas vão decidir por você sua própria vida. Então, é inevitável se envolver com política, na minha opinião pelo menos.

O que você lê?
Eu gosto de ler tudo. Sou um fanático de leitura, desde jornal, que leio todo dia, até romance. Romance policial é uma coisa que eu gosto muito também. Eu li um ótimo agora… “A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert” [de Joël Dicker]. Eu adoro esse tipo de romance, de mistério, de aventura. Eu gosto de literatura de todos os tipos, até a chamada baixa literatura, que é essa de romance de mistério, policial, e até claro poesia, que é uma coisa que eu também escrevo e gosto de ler. O Brasil tem uma tradição de conto e crônica que é maravilhosa, nossos cronistas são os melhores do mundo, então sou muito fã. Eu gosto de ler qualquer coisa que me caia sobre os olhos.

(Foto: Reprodução)

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Eu não vejo muitos artistas posicionando-se politicamente semanalmente. Seu nome aparece mais em sites que tratam de política e discussões nacionais do que sites de fofoca e celebridades. Você saiu na revista Fórum! Você tomou para si esse papel de botar o assunto na mesa? Você pensa no impacto do que escreve para o jornal?
Eu penso total. Eu acho fundamental pensar no impacto. Às vezes uma piada é boa, mas não vale a pena fazer, porque ela vai estar apoiando determinado lado com o qual você não concorda. Não basta achar uma coisa engraçada, tem que pensar que vai estar afetando a vida das pessoas, eventualmente ofendendo uma grande quantidade de pessoas. Eu acho que você tem que ter esse tipo de empatia pelos outros. Acho muito importante e até fundamental na vida do humorista pensar no impacto das piadas que você faz.

Em várias entrevistas, você se posiciona a favor da chamada “patrulha do politicamente correto” e diz que não rir de piadas racistas e sexistas é um processo civilizatório. Mas eu vejo muito ainda, muito mesmo, em qualquer comédia, piadas do riso pelo riso com homossexuais. E ainda funcionam com a plateia. Se é um processo civilizatório e uma evolução, em que estágio estamos?
Cara, boa pergunta. Eu acho que a gente está ainda muito, muito atrasado. A gente está começando o processo e algumas coisas já são absurdas você dizer. Mas falta muito, cara. O machismo, a homofobia e o racismo estão muito entranhados na gente, então é muito difícil mesmo. Está muito longe da gente se ver livre disso. A gente comete isso o tempo todo – homofobia, machismo, racismo. Homofobia, então, como você falou, está muito entranhada, inclusive entre homossexuais mesmo. A gente tem muito que tomar cuidado e se policiar mesmo, porque a gente está iniciando um processo.

O Porta trouxe a fama para você. Como que é sair de casa e todo mundo te conhecer, mas você não conhecer ninguém?
É muito louco, né? É estranho isso. Com o Porta, todo mundo sabe [quem eu sou]. Tem um afeto muito grande. É claro que tem horas que é chato: você está atrasado, correndo, e para para tirar foto e conversar com todo mundo, com medo de perder o voo. Ao mesmo tempo, acho que é o preço que se paga de ter o teatro lotado. Hoje em dia, estou super bem de público – se não lotado, está sempre bem de público. Viajei o Brasil inteiro e o púbico em geral tem curiosidade de ver a peça. Isso aí para mim é a melhor coisa do mundo, sabe? Não tem muito como reclamar. Já fiz teatro para muita pouca gente. Fazia teatro alternativo para 10, 15 pessoas. Então, quando vejo um teatro cheio para me ver, não há nada melhor do que isso. Não posso reclamar. Mesmo, mesmo. Só tenho a agradecer.

Gregorio como jurado do 5º FESTU Rio - Festival de Teatro Universitário (Foto: Matheus Cabral)

Gregorio como jurado do 5º FESTU Rio – Festival de Teatro Universitário (Foto: Matheus Cabral)

Como é encher sozinho o Oi Casa Grande, que acomoda mais de mil pessoas?
Pô, eu acho muito lindo, a coisa mais bonita que tem. Ainda mais com um texto poético. O texto dessa peça é muito singelo, poético, pouco apelativo. Emociona-me muito encher o teatro para contar essa história de poesia e de amor.

Eu vi que você participou do FESTU neste ano. O que achou dos trabalhos apresentados?
Eu me surpreendi muito, cara. Mesmo. Eu vi o último dia, então já vi a seleção da seleção. Foram 270 inscritos [266, mais precisamente], sei lá, aí desses escolheram 27 e, desses 27, ficaram só nove para a grande final. Eu vi esses nove, bem peneirado, e fiquei muito surpreso. Tinha de tudo, e achei isso muito legal: comédia, um mais experimental, um drama… E atores excepcionais! Fiquei abismado lá com um ator, Matheus Macena [que apresentou “A Terrível Planície de Kenótita”]. Um texto também muito legal do Igor Cosso [“Golden Gate Bridge”]. Um monte de gente boa. Uma diretora muito boa, Helena Panno [de “A Terrível Planície de Kenótita”], menina nova, 21 anos, e dirigiu uma puta cena linda sobre mendigos! Eu fico realmente muito emocionado de ver isso.

Com tanto trabalho, você consegue frequentar teatro?
Não (risos). Hoje em dia eu vejo pouco, porque estou quase sempre em cartaz, sacou? Eu queria muito ver mais. Eu consegui ver na quinta-feira o Pedro Cardoso, no “O Homem Primitivo”. Mas em geral é difícil. Quando eu consigo ver é um milagre, porque estou quase todo final de semana em cartaz. Então o que eu vejo é mais o alternativo ou naquela estreia para a classe na segunda-feira.

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

Quando entrevistei o Paulo Gustavo, eu perguntei para ele o segredo do sucesso e ele disse que não sabia, mas achava que um caminho era a autoprodução. Além de atuar, escrever e se produzir, que é algo que você também faz. Você engrossa esse coro?
Com certeza! Eu acho que é muito importante pra o ator não depender do convite – do texto dos outros, do diretor, dos outros, enfim. É importante ele ser seu próprio motor. Claro que ele não é um ator pior se não escrever e só fizer o texto de outras pessoas. Mil atores geniais, como o próprio [Marco] Nanini, não gostam de escrever. Mas te dá uma liberdade muito grande fazer o texto. Como ator, se você souber produzir, escrever e eventualmente até dirigir, isso vai te dar um leque muito grande e vai te fazer muito bem.

Para terminar, me conte como está o projeto do musical “Se Meu Apartamento Falasse” com a Maria Clara Gueiros.
Está muito legal, cara, muito legal. É para o ano que vem. Meu personagem é um cara que empresta o apartamento para todo mundo namorar, em uma época em que não tinha essa liberdade toda, então precisava de uma alcova, de uma garçoniére. O coitado dorme todo dia na rua, porque não tem coragem de dizer para as pessoas que precisa do apartamento para dormir. Ele se apaixona pela ascensorista da empresa e descobre que ela está transando com o patrão dele no apartamento dele. É um quiproquó, uma comédia de erros, na qual o cara está apaixonado pela mulher que está transando no apartamento dele com o patrão dele, uma grande coincidência. É uma comédia romântica. Tem diálogos maravilhosos. Ela foi transformada em peça pelo Neil Simon, que é um dos maiores autores do século XX e da história, um cara genial mesmo de teatro. Tem diálogos primorosos.

Com "Uma Noite na Lua": curta temporada no Oi Casa Grande (Foto: Divulgação)

Com “Uma Noite na Lua”: curta temporada no Oi Casa Grande (Foto: Divulgação)

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SERVIÇO: sex e sáb, 21h; dom, 19h. R$ 80. 70 min. Classificação: 12 anos. Até 23 de agosto. Oi Casa Grande – Av. Afrânio de Melo Franco, 290 – Leblon. Tel: 2511-0800.

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