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Amir Haddad supervisiona solo de ator do Tá Na Rua

Foi por incentivo de Amir Haddad que o ator Osvan Costa, do Grupo Tá Na Rua, decidiu montar o solo “MINHA”, uma peça inédita de Wilson Sayão (vencedor do Prêmio Shell em 1990 e 1997). Nada mais natural, então, do que contar com o apoio dele na empreitada. Amir assina a supervisão do espetáculo, que estreia no sábado (9/6) no Teatro Dulcina, no Centro. “[A supervisão] É um tipo de trabalho que vai nas sutilezas, no entendimento do que está sendo dito, do que o autor colocou e porque colocou num determinado texto”, diz Osvan, “é um trabalho que não tem marcação, mas que ao mesmo tempo está em tudo, está no âmago do que se vê e do que se sente em contato com um espetáculo onde tem o Amir Haddad por perto. O cuidado e o carinho do Amir com a gente neste espetáculo marca como uma mancha de dendê (eu que baiano sou): uma ‘marca’ que não sai”.

(Foto: Serginho Carvalho)

O texto foi apresentado à turma do Tá Na Rua durante uma oficina de leitura. Nunca montada, a peça trata de solidão, inadequação social, preconceitos, casamento e a iminência da morte a partir da história de um homem, pai de dois filhos, que divide suas atividades diárias com a atenção dedicada à esposa em coma no hospital. O personagem conversa com a mulher, em “sono profundo”, e revela-se sem máscaras sociais. “Na minha opinião, ‘Minha’, é uma das melhores peças escritas por Wilson Sayão e ele é o autor das melhores peças brasileiras contemporâneas”, elogia Amir Haddad. Com a torcida do mestre, Osvan Costa aceitou o desafio: seu primeiro monólogo.

– Estar sozinho num palco sem um olhar cúmplice, sem a troca com os companheiros é ultrapassar limites e neste caso, meus muitos limites: como ator, como pessoa, como cidadão. É uma desconstrução e um desassossego que não ficam só na retórica. Em absoluto. – fala o ator, dirigido por Fátima Leite.

Sozinho e dentro de um teatro: bem diferente dos trabalhos realizados com o Tá Na Rua. Mas o ator leva a bagagem na empreitada solo. “Ali a gente aprende a se despir de egos, vaidades, e a experimentar nossa liberdade. E creia, experimentar esta liberdade, saber o que fazer com esta liberdade, não é nada fácil. Neste sentido, o Tá Na Rua é suporte constante, um aprendizado que eu ainda aprendo, que levo comigo para sempre seja na rua, num tablado, num palco, em cima de um caminhão. Para uma multidão ou para um morador de rua que senta no meio fio para ver um ator ou uma trupe de atores exercitar sua liberdade”.

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SERVIÇO: qua a dom, 19h. R$ 10 (qua) e R$ 40 (qui a dom). 60 min. Classificação: 14 anos. De 9 de junho até 8 de julho. Teatro Dulcina – Rua Alcindo Guanabara, 17 – Cinelândia. Tel: 2240-4879.

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