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Após polêmica, Castelinho do Flamengo vai reabrir com programação LGBTQ

(Foto: Reprodução / Facebook)

Após uma semana de polêmica, a administração do Castelinho do Flamengo e a Secretaria de Cultura do Rio decidiram em reunião na quarta (11/10) reabrir o local – com a programação do “outubro da diversidade”. A exposição de artes visuais “Curto-Circuito” voltará a ser montada na sexta (13/10): os artistas do coletivo poderão comparecer a partir das 10h da manhã, sem risco de “pane elétrica”. O espetáculo “Bicha Oca”, de São Paulo, já foi realocado para a Sala Baden Powell e o “Nascituros”, montado com especificidades para o Castelinho, poderá fazer sua estreia na próxima quinta (19/10), informou o autor e ator John Marcatto (o mesmo de “Zoológicos”).

O início dessa programação estava marcado inicialmente para o dia 5 de outubro. Na data agendada, no entanto, os artistas foram surpreendidos com o portão fechado e um bilhete pregado na entrada: “devido à pane elétrica, o Castelinho do Flamengo está com visitação suspensa”. Luzes, Wi-Fi e ar condicionado, no entanto, seguiam ligados, com funcionários trabalhando lá dentro, o que gerou uma desconfiança de censura. Pelo WhatsApp, viralizou um vídeo em que um senhor se dirigia ao prefeito Marcelo Crivella repudiando o conteúdo da exposição – com fotos de homens e trans nus. Ligando os pontos, criou-se um cenário grave. Ao Teatro em Cena, o ator Hugo, de “Bicha Oca”, contou:

– Já existia uma postura de preocupação com o teor do nosso trabalho, sim, bem como o teor da exposição que seria inaugurada no mesmo dia. Quando a gente chega lá e é alegada uma pane que não existe para cancelar a apresentação, não tem como a gente não ficar ressabiado e vincular isso a um censura pelo teor do trabalho. A própria administradora do espaço disse para gente que havia “vazado” o teor da exposição, que estava sendo montada, e também do que ia rolar na peça.

“Nascituros”: estreia anunciada para 19 de outubro no Castelinho do Flamengo (Foto: Danillo Sabino)

A administração do local e a Secretaria de Cultura nunca falaram em censura e repetiram a versão dos problemas na eletricidade todo o tempo. Na sexta passada (6/10), um grupo de artistas realizou um protesto e ocupou o Castelinho do Flamengo, reafirmando que “não aceita a censura às artes que tem ocorrido de forma sistemática no país, afetando a cultura livre e divulgando uma série de mentiras e absurdos para criar preconceitos e disseminar o ódio”. Era exigida uma posição para o destino da exposição e dos espetáculos – o que agora veio. Ficou acertado que a exposição trará um aviso sobre conteúdo de nudez na entrada, além da explicitação da classificação etária.

Mesmo com a questão contornada, acontece nesta quinta (12/10) um ato contra a censura na Praça Mauá, chamado de “Arte Pela Liberdade”. Anunciada como uma “ocupação cultural”, ela tem início às 10h com um ritual indígena e vai até a noite, com oficinas, apresentações, intervenções e rodas de conversa.

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