Tudo ao Contrário

Artistas cantam exibindo carteira de trabalho em protesto no palco

A 3ª edição do show musical “Tudo ao Contrário”, que celebra a diversidade e arrecada fundos para a Sociedade Viva Cazuza, foi marcada por manifestações políticas por parte dos atores no palco do Teatro Riachuelo, no Centro, na noite de terça (17/4). Grande parte do elenco se apresentou com réplicas de carteiras de trabalho penduradas na roupa, reivindicando a manutenção do registro profissional de artista, em protesto contra o questionamento recente do Supremo Tribunal Federal (STF).

Bruno Fraga e Renan Mattos (Foto: Leonardo Torres)

Victor Maia e Wladimir Pinheiro (Foto: Leonardo Torres)

João Fonseca (Foto: Leonardo Torres)

André Dias, Leo Bahia e Zélia Duncan (Foto: Leonardo Torres)

– A gente é profissional. Eu sei que manifestação artística é muito importante e acho que todo mundo tem que se manifestar artisticamente – cantar, dançar, fazer teatro. Mas a gente trabalha com isso. São oito sessões por semana às vezes, dando emoção, repetindo o texto, não é uma brincadeira. A gente batalhou por isso e merece manter nossa dignidade e o direito do nosso registro. – Stella Maria Rodrigues diz ao Teatro em Cena.

Mas essa não foi a única pauta da noite. Em dois momentos, o brutal assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) foi lembrado. Soraya Ravenle, no fim de sua apresentação, levantou um cartaz perguntando quem matou a parlamentar. Já um grupo de jovens atrizes surpreendeu a plateia, também no fim de um número musical, ao formar a mensagem “Marielle presente!!” com cada letra escrita na camisa de uma elas (foto abaixo). Os disparos contra Marielle aconteceram há mais de um mês e a investigação da polícia ainda não responsabilizou ninguém.

Atrizes em manifestação durante o show (Foto: Leonardo Torres)

As mesmas atrizes, durante sua apresentação (Foto: Leonardo Torres)

– Nos ensaios, o João Fonseca perguntou o que a gente gostaria de fazer de diferente. Isso fazia umas duas ou três semanas da morte de Marielle e a gente achou importante colocar isso neste espetáculo para que se faça mais justiça e para que as pessoas entendam o quão importante é pedir a justiça com relação à morte dela. – diz Thainá Gallo, uma das atrizes que compuseram a frase com as camisas – O espetáculo fala de diversidade, então, todos os números são políticos. Neste ano, estava múltiplo, porque tem tanta coisa acontecendo no Rio de Janeiro. Teve números que falaram do nosso prefeito, do nosso DRT, da nossa profissão, que a gente não quer perder. Foram várias questões. A gente tem que falar e fazer barulho mesmo. Do jeito que está, não dá para ficar.

ESPECIAL TUDO AO CONTRÁRIO:
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