Ator fala sobre musical infantil que vai levar Braguinha para crianças – Teatro em Cena
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Ator fala sobre musical infantil que vai levar Braguinha para crianças

O que “Pirulito que bate bate”, “Chiquita Bacana” e “Balancê” têm em comum? São todas músicas escritas pelo compositor carioca Braguinha (1907-2006). Autor de canções que todo mundo sabe cantar há várias gerações, o nome dele, por outro lado, não costuma ser lembrado. Para fazer justiça, e apresentar os sucessos para a criançada, entra em cartaz em maio “O Menino das Marchinhas – Braguinha para Crianças” no Imperator, no Méier. É um musical infantil que dá continuidade ao projeto “Grandes Músicos Para Pequenos”, que começou em 2013 com “Luiz e Nazinha – Luiz Gonzaga Para Crianças”, indicado aos prêmios Zilka Salaberry e CBTIJ.

(Foto: Diego Morais)

(Foto: Diego Morais)

Pedro Henrique Lopes, ator, produtor e dramaturgo dos dois espetáculos, teve a ideia de continuar levando grandes compositores para o público infantil justamente por causa do sucesso da peça do Luiz Gonzaga. A escolha por Braguinha surgiu de forma natural. “O diretor Diego Morais e eu nos encantamos com a ideia de mostrar um Rio de Janeiro que os cariocas das novas gerações não conhecem: um Rio inocente, fervilhando culturalmente, nos carnavais de rua…”, conta ao Teatro em Cena. “Achamos que seria muito legal resgatar essa inocência e celebrar a vasta obra do Braguinha, um dos compositores mais presentes e atuantes de seu tempo”. Em cena, ele e mais quatro atores – Lucas Drummond (de “Chacrinha – O Musical”), Augusto Volcato (de “Festa Selvagem” da CAL), Beto Vandesteen (de “Chacrinha – O Musical”) e Andrea Bordadagua (de “Cabaré Dulcina”) – transportam o público para os carnavais de rua dos anos 1920, baseado trechos reais da infância e juventude do compositor.

Um “problema” foi a vasta obra do Braguinha. Ele tem marchinhas, canções infantis, músicas de festa junina e clássicos da MPB. “Pela estrada afora, eu vou bem sozinha…”? É dele. “Capelinha de Melão é de São João…”? Também. “Meu coração, não sei por que, bate feliz quando te vê…”? Idem. E ele ainda fez as versões das trilhas dos primeiros filmes da Disney, como “A Branca de Neve” e o “Pinóquio”. Durante a pesquisa, que durou alguns meses, Pedro e Diego se depararam com mais de 350 músicas. Para organizar, as separaram em categorias e, quando começou a escrever a história, Pedro selecionou naturalmente as que tinham a ver.

– Pois é, quando decidimos falar sobre o Braguinha já sabia que ele tinha escrito muita coisa, mas me surpreendi quando percebi que muitas músicas presentes no inconsciente popular são composições dele. – admite Pedro, atualmente concorrente aos troféus de melhor ator tanto no CBTIJ quanto no Zilka Salaberry – Nós estamos circulando pelo interior do Rio de Janeiro antes de fazer a estreia em temporada, e o mais surpreendente é a participação da terceira idade! Eles cantam todas as músicas do espetáculo e interagem muito com o que acontece no palco. Diversas senhoras e senhores vieram cumprimentar a gente depois do espetáculo muito emocionados por ver no palco momentos marcantes e músicas que marcaram a infância e juventude deles.

(Foto: Diego Morais)

(Foto: Diego Morais)

No espetáculo família, as crianças ainda são as donas do ambiente, claro. A história as convida a interagirem com os personagens e, no meio do espetáculo, elas dançam no bloco de carnaval de uma cena. É um tipo de relação que Pedro já vinha experimentando com “Luiz e Nazinha”, o infantil anterior, que fez temporada no Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico.

“O Menino das Marchinhas”, aliás, começou a ser escrito e produzido já durante aquela temporada no ano passado. Na época, Pedro também se apresentava com “Chacrinha – O Musical”, que depois foi para São Paulo e fez turnê nacional. Workaholic assumido, o ator está sempre se desdobrando em vários compromissos. “Era daquelas crianças que tinham muitas atividades, então acho que acabei me adequando a isso sem perceber…”, se autoanalisa. “Agora a gente estreia esse e já tenho mais algumas coisas engatilhadas para virem na sequência”.

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SERVIÇO: sáb e dom, 16h. R$ 30. 50 min. Classificação: livre. De 14 a 29 de maio. Imperator – Centro Cultural João Nogueira. Rua Dias da Cruz, 170. Tel: 2597-3897.

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