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Atores avaliam trajetória de A História dos Amantes após turnê

É dia de divulgação para o elenco da comédia “A História dos Amantes”. A produção da peça marcou uma estreia para convidados – com William Bonner e Fátima Bernardes na lista – e a assessoria de imprensa agendou algumas entrevistas antes da apresentação. Daniel Rocha (de “Amigos, Amigos, Amores à Parte”), Hugo Bonemer (de “Rock in Rio – O Musical”) e Bruno Gissoni (de “Romeu na Roda”) terminam de atender um veículo e chega a vez do Teatro em Cena. É o segundo encontro do site com o elenco, e dessa vez dão só 15 minutos para a conversa. Eles têm que conferir alguns detalhes técnicos antes de abrir o teatro. O tempo é curto, mas produtivo. A equipe interrompe a entrevista duas vezes, apressando o término, mas os atores são simpáticos e atenciosos, então o clima é amigável.

Bruno Gissoni: "Acho que pisquei em todas as fotos". Acertou. (Foto: Leonardo Torres)

Bruno Gissoni: “Acho que pisquei em todas as fotos”. Acertou. (Foto: Leonardo Torres)

Quando o site conheceu o espetáculo, ele fazia suas primeiras apresentações, em março, em Niterói. Era a primeira parada da turnê nacional, que durou pouco mais de três meses, e preparou os atores para a temporada carioca, no Teatro dos Grandes Atores, no Shopping Barra Square. O elenco era diferente (Bruno ocupou a vaga de Anderson Di Rizzi, que deixou a peça devido a outros compromissos profissionais), assim como a aparência. Daniel tinha mais cabelo (passou a máquina para a novela “Império”), e Hugo também (cortou por praticidade). Mas as mudanças vão além das escancaradas. “O que você vai ver hoje é muito diferente de Niterói. Acho que a peça tomou outro corpo”, destaca Daniel. A turnê – lotando teatros de mil lugares em algumas paradas – foi muito importante para isso.

"A gente vai cada vez mais criar relações com o texto que são nossas, próprias, diferentes das que a gente tinha nas viagens", diz Hugo Bonemer.

“A gente vai cada vez mais criar relações com o texto que são nossas, próprias, diferentes das que a gente tinha nas viagens”, diz Hugo Bonemer.

“A História dos Amantes” tem texto e direção do ator Marcelo Serrado (de “É o Que Temos Pra Hoje”), e cacos mil. A trama dos três amigos que se encontram para tocar em um bar e conversam sobre seus problemas afetivos com as mulheres (interpretadas por eles mesmos, de perucas e vestidos) é um catalisador para todo tipo de piadas e improvisos. Com as viagens, os atores puderam ver quais funcionavam e quais não. “Uma piada dá certo em Recife e em Maceió não. Imagina a diferença de Porto Alegre para lá. A gente foi sacando…”, Daniel aponta. As viagens, aliás, são lembradas com muito carinho. Quando falam delas, sorriem, quase nostálgicos. Citam Porto Alegre, Campinas, Curitiba e Novo Hamburgo como passagens especiais. “A gente teve uma surpresa em Novo Hamburgo, porque se apresentou no dia do jogo do Brasil e colocou mais de 400 pessoas no teatro”, orgulha-se Hugo, que também mostra seus dotes vocais na comédia, cantando Cazuza, Legião Urbana, Beatles e Lulu Santos. “A gente achou que ia ter que cancelar a sessão. Foi chocante”.

Agora no Rio todo fim de semana, eles percebem reações diversas de acordo com as faixas etárias. “Às vezes, a gente faz uma referência que o pessoal mais novo não entende e não conhece, ou uma piada mais atual que o público mais velho não conhece”, analisa Hugo, aparentemente o mais reflexivo. “Não é um clichê não. São públicos completamente diferentes”. Mas, na maioria do tempo, eles conseguem fazer todos rirem. O espetáculo tem classificação indicativa de 16 anos e costuma receber de adolescentes a idosos. O elenco fica atento à resposta que vem da plateia.

"A gente tinha uma relação muito boa com o Di Rizzi. Como ele saiu e entrou o Bruno, tinha essa relação minha com o Hugo ainda, mas tínhamos que criar uma nova relação de três. Uma adaptação, né?", fala Daniel Rocha.

“A gente tinha uma relação muito boa com o Di Rizzi. Como ele saiu e entrou o Bruno, tinha essa relação minha com o Hugo ainda, mas tínhamos que criar uma nova relação de três. Uma adaptação, né?”, fala Daniel Rocha.

Daniel e Hugo tinham esse know how quando tiveram que lidar com a mudança no elenco, e todas as adaptações decorrentes disso. A despedida de Anderson ocorreu nas apresentações de Porto Alegre – às quais Bruno foi assistir para “ver qual era a proposta”. Desde a primeira sessão no Rio, já era Bruno em cena, e ele teve apenas duas semanas de ensaios antes de mostrar o trabalho para o público, em ensaios abertos (com venda de ingressos). “Ele é muito talentoso e dedicado. Chegou aqui, pegou o bonde andando e sentou na janelinha”, brinca Hugo. “Ou eu e Daniel abríamos mão de uma primeira leitura da peça ou ficaríamos obrigando o Bruno a ser outra pessoa que não ele. Foi um trabalho do Bruno perceber o que estava rolando, o que tinha que fazer igual para a gente não enlouquecer, e o que podia somar. E um trabalho de esperteza e generosidade nossas para dizer ‘Nessa hora aqui, você faz o que quiser, e a gente se vira, adapta, faz de novo’”.

Bruno não fala muito, em parte devido à temática da conversa, anterior à sua adesão. Mas os dois parceiros o exaltam com frequência. O clima entre eles é de descontração e cumplicidade, e a amizade não é só cênica, aparentemente. Os três costumam chegar duas horas antes da peça no teatro no fim de semana, e aproveitam para jantar juntos, conversar e bater o texto. “Essa é uma peça sobre três amigos, então acho que a relação boa de coxia conta muito”, pondera Daniel. O clube do Bolinha conta ainda com Rodrigo Becker (de “Raimunda, Raimunda”), que é o stand in dos três, além de assistente de produção. Mas, no geral, os atores conseguem conciliar as agendas com a TV para não faltarem as sessões. Bruno vai mesmo após os ensaios do “Dança dos Famosos”. “Ele chega aqui todo dolorido, na base do Gelol, porque tão tirando o coro dele lá”, diz Hugo.

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