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Atores dormem na rua embaixo de viaduto como laboratório para peça

(Foto: Divulgação)

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“Fazer laboratório”. Para os atores, isso significa mergulhar na realidade daquilo que pretende tratar com seu personagem. Para Grazi Massafera na novela “Verdades Secretas”, por exemplo, significou passar um tempo na Cracolândia para interpretar uma viciada em drogas. E quando você vai dar vida a um morador de rua? Imagine só. É pelo que passaram os atores da Cia. Du’Arthe, em cartaz no Teatro Arthur Azevedo, em Campo Grande, com o espetáculo “Filhos das Ruas”. Eles dormiram embaixo de viaduto, comeram restos de comida, pediram esmola na rua e em transportes coletivos, venderam bala e fizeram malabares no sinal. Quer dizer, que experiência!

– Nós trabalhamos diretamente com a verdade. Acreditamos que somente a verdade pode convencer o público e trazer a beleza do drama. Nossa preparação foi totalmente embasada nos conceitos de [Constantin] Stanislavski. – o ator Treison Lohan, integrante do elenco, conta ao Teatro em Cena – Também foram realizados trabalhos psicológicos de acordo com a personalidade de cada personagem. Por exemplo, a personagem Teca foi estuprada quando criança. Para chegarmos a essa realidade no corpo do ator, fizemos exercícios de simulação de um estupro, despindo totalmente a atriz.

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O espetáculo, escrito por Willian Vita em 1997 e baseado em fatos reais, conta a história de oito moradores de rua dos arredores da Candelária, onde aconteceu aquela histórica e inesquecível chacina. Na trama, os jovens formam uma gangue para enfrentar o dia-a-dia. A dramaturgia trata de temas delicados para a idade dos personagens: além do estupro, há drogas, álcool, cigarro, sexo, violência, DST e gravidez. Com direção e produção de Adeildo Duarte, “Filhos das Ruas” já ganhou prêmios no Festival Nacional de Teatro de Barbacena e no Festival Estudantil de Teatro de Cabo Frio (FESTUD).

Para Lohan, a peça é um tapa na cara da sociedade, e consegue abrir os olhos das pessoas para uma realidade que poucos se propõe a ver e dar atenção. É comum os espectadores saírem emocionados da sessão. “Algumas pessoas não conseguem falar e simplesmente nos abraçam. Já aconteceu de uma senhora falar ‘vocês contaram a história da vida do meu filho’. Já aconteceu caso de saírem chorando antes mesmo da peça acabar”, conta o ator. “O teatro tem uma força enorme. Sim, ele é capaz de chocar a sociedade. Poder levar esse tema para as pessoas através da arte é maravilhoso, porque, além de incentivarmos a cultura, estamos trazendo conscientização social”.

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SERVIÇO: qui, 20h. R$ 20. 110 min. Classificação: 14 anos. Até 29 de outubro. Teatro Arthur Azevedo – Rua Victor Alves, 454 – Campo Grande. Tel: 2332-7516.

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