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Atriz decora 31 espetáculos possíveis para peça-game Ex.troll.gênio

“Ex.troll.gênio” é uma peça-game em cartaz na Casa da Glória. Brisa Rodrigues (e “In.com.patíveis”) é a única atriz em cena. Todo fim de semana, ela vai para o teatro sem saber exatamente qual será o resultado do que vai apresentar. São 31 espetáculos possíveis, dependendo dos votos do público, e ela tem que saber todas as opções de cor, claro. Por isso, está sempre ensaiando, mesmo com a temporada correndo. “Sempre ensaiamos as cenas que não foram escolhidas pelo público na apresentação anterior para mantê-las frescas na memória”, conta ao Teatro em Cena. “Às vezes, consulto um esqueleto do roteiro que eu preparei e deixei na coxia. Toda vez que preciso dele, sinto que perdi um pouco o jogo”.

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

Em cena, ela vive três personagens – Beatriz, Lila e Daniela. Uma é stalker viciada em Internet, a outra tem um canal no Youtube e apresenta questões relacionadas ao universo feminino, e a terceira precisa da ajuda do público para lidar com o machismo. Para definir o que acontece com cada uma, toda noite, os espectadores votam em tempo real por um aplicativo. Ao contrário da maioria dos espetáculos, que pedem que os celulares sejam desligados, o pôster desse anuncia: “traga seu smartphone e aparelho com wi-fi e interaja ao vivo e online!” O intranet permite que o público decida o humor da personagem em determinadas cenas e escolha suas reações. Isso deixa Brisa em uma situação muito peculiar no palco. “É preciso estar ligado o tempo todo. Isso por ser um monólogo, por ser uma peça-game e por ser teatro!”, diz. Para possíveis erros, ela também se prepara. Além de atriz, ela se torna uma jogadora, já que se trata também de um game. Isso lhe dá a possibilidade de perder – “desde que não comprometa a cena”.

Confuso? Peças-games, com forte interação com o público, vem aparecendo de vez em quando na programação cultural. Essa já é a segunda de Brisa, por exemplo. Ela também fez “In.com.patíveis – Melodrama Interativo”, da mesma autora e diretora de “Ex.troll.gênio”, Vida Oliveira. Os dois espetáculos colocam a atriz em contato direto com a tecnologia, o que traz um leque novo de riscos. Na estreia dessa temporada, por exemplo, o aplicativo teve problemas e, como o conceito da peça gira em torno dele, houve um déficit. “A peça aconteceu, claro, mas percebemos como essa fragilidade em lidar com a tecnologia interfere diretamente, não só no momento da ação cênica, mas também em todo o desdobramento das questões que apresentamos ao público no espetáculo”, comenta. “Essa é a grande questão da peça: o lugar que essa tecnologia tem em nossas vidas, a forma com que lidamos com as redes, com as mensagens instantâneas, a comunicação imediata”.

Detalhe do cartaz (Foto: Divulgação)

Detalhe do cartaz (Foto: Divulgação)

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SERVIÇO: sáb e dom, 20h. R$ 40. 45 min. Classificação: 16 anos. Até 29 de novembro. Casa da Glória – Ladeira da Glória, 98 – Glória. Tel: 98108-2856.

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