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Bandeiras – Por Cristiana Pompeo

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(Foto: Andrea Rocha)

(Foto: Andrea Rocha)

“Qual a sua bandeira ou convicção ideológica? Você é de Direita? Coxinha? De esquerda? É caviar? Gay?Vegetariano? Transexual?” São perguntas que não se calam e nunca falaram tão alto. Estamos vivendo um momento ímpar, onde existe uma tendência a qualificar, “categorizar”, “tachar”, o outro levando em conta posicionamentos políticos e muitas vezes (na grande maioria delas) , meras opiniões publicadas em redes sociais. A internet virou uma grande mesa redonda de debates, que não raro, geram polêmicas e até inimizades. Até quem decide não se posicionar e fica “em cima do muro” é atacado. Lembro bem, que nas últimas eleições presidenciais, muitas amizades foram desfeitas. Lembro de ler um post onde alguém dizia: “Se não disser aqui em quem vai votar, eu deleto!” Como assim? O que aconteceu com o direito ao voto secreto? O que houve com o Estado Democrático e a liberdade de expressão? Será que é saudável essa intolerância? A internet, tão acessível a todos, terá se tornado um megafone na mão de alguém sempre furioso, disposto a atirar pedras ao primeiro que atravessar seu caminho ideológico? Não perdemos “a mão”, por conta da facilidade hoje de atirarmos palavras a esmo, num clique apenas? Será que devemos levar tão a sério tudo o que é dito na rede, a ponto de pautarmos nossas relações assim?

Claro que os tempos são outros, e com novas tecnologias leis devem ser criadas e um código de ética deve vir junto. Por isso novas leis, configurando “crimes da internet” tem sido vistas e revistas todos os anos. No entanto, não é a internet a grande vilã, mas seu uso indiscriminado. Einstein, que “inventou” a bomba atômica, era um pacifista. As ferramentas, portanto, não devem ser demonizadas, mas estarem a serviço de nós. Assim como a democracia é relativamente recente no Brasil, a internet é recente no mundo tudo. Acho que o ditado “quem nunca comeu melado, quando come se lambuza”, se aplica bem nesses casos. Estamos descobrindo a medida do seu uso (tanto da internet quanto da democracia), e a diferença entre levantar bandeiras e desrespeitar os outros, entendendo que a palavra pode tanto transformar quanto destruir. Abaixo-assinados são feitos virtualmente, contratos prévios por e-mail que servem como documento, acordos e uma enorme gama de “pontes” são construídas, pra que então usá-la pra destruir tais pontes? Bandeiras podem ser alçadas lado a lado, como vemos em eventos esportivos como nas Olimpíadas, que se darão no Rio, na minha amada cidade natal ano que vem. Porque não deixar elas ali, tremulando ao sabor do vento pacificamente?

Resolvi falar de bandeiras, porque elas também falam muito de nós como indivíduos e sociedade, de quem somos e de como defendemos um país, uma ideia, um pensamento. Porque não junto com outras, levantar primeiro a bandeira branca, que é universal e todo mundo sabe que é sinal de paz? Se Einstein fosse vivo e tivesse Facebook, tenho certeza que estaria levantando exatamente essa, por ali!

Cristiana Pompeo é atriz.

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