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Barca dos Corações Partidos fala sobre projeto de Macunaíma

Cia. Barca dos Corações Partidos e equipe de “Suassuna” no Prêmio Shell 2018 (Foto: Leonardo Torres)

A Cia. Barca dos Corações Partidos está reestreando o premiado espetáculo “Suassuna – O Auto do Reino do Sol” no Teatro Carlos Gomes, no Centro, mas já pesquisa para sua próxima montagem. Será uma adaptação musical do livro “Macunaíma” (1928), de Mário de Andrade (1893-1945). Alfredo Del-Penho, diretor musical dos trabalhos do grupo, adianta que o espetáculo contará com canções originais. “A gente ainda não tem data para estrear, mas já está pesquisando, lendo, trocando informações, caminhando para isso”, diz ao Teatro em Cena.

“Macunaíma” é uma das obras-chave do modernismo brasileiro, leitura obrigatória em escolas e universidades. O personagem é um herói preguiçoso, nascido em uma tribo amazônica. Ele foi concebido por Mário de Andrade a partir de pesquisas sobre as especificidades do povo brasileiro. Uma das inovações trazidas pelo livro na época foi a utilização da linguagem coloquial, a escrita “como se fala”, mesmo quando se fala errado.

Grande Otelo como Macunaíma na adaptação cinematográfica de 1969 (Foto: Reprodução)

Esse será o quinto espetáculo da Barca dos Corações Partidos, depois de “Gonzagão – A Lenda” (2012), “Ópera do Malandro” (2014), “Auê” (2016) e “Suassuna – O Auto do Reino do Sol” (2017). O grupo acumula prêmios importantes com esses trabalhos. Nesta semana, “Suassuna” ganhou três troféus no Prêmio Shell.

– Fico muito feliz pelo reconhecimento dos prêmios. A gente entra na sala de ensaio para fazer o possível para levar às pessoas, ao público, o melhor que a gente pode fazer, então quando os processos começaram a ficar mais longos, a gente passou a ter mais tempo para conduzir, experimentar, jogar fora. Isso faz parte do processo teatral. Quando os processos são mais longos, como os dois últimos, que duraram oito meses cada, eu acho que a gente tem a chance de depurar um pouquinho mais. – pontua Alfredo.

Com “Macunaíma”, não será diferente. A Barca fechou parceria com Bia Lessa para a direção: em seu mais recente trabalho no teatro, a adaptação do livro “Grande Sertão: Veredas” (1956), ela passou 600 horas com o elenco em sala de ensaio. Além disso, Bia já participou de uma montagem de “Macunaíma”, como atriz, em 1978, dirigida por Antunes Filho.

(Foto: Reprodução / Paulo Freitas)

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