CríticaOpinião

Montagem de texto francês mostra crueldade e imaginação infantis

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Inédito no Brasil, “Foi Você Quem Pediu Para Eu Contar Minha História”, da francesa Sandrine Roche, é mais um processo de construção em cena do que um espetáculo em si. Não há uma história específica contada, e sim uma colcha de retalhos aleatórios. No palco, quatro atrizes interpretam meninas que brincam de criar suas próprias ficções, por vezes cruéis, sempre criativas. Há bons momentos, mas a dramaturgia é pouco lapidada, cheia de cortes sem emendas (que a direção tampouco resolve), e com um desfecho insatisfatório.

(Foto: Rodrigo Lopes)

(Foto: Rodrigo Lopes)

Como o espetáculo é fragmentado, com vários temas e situações tratados em sequência, sem que um tenha qualquer vínculo com o outro, parece um conjunto de cenas curtas e independentes, estreladas pelas mesmas personagens. Um espectador pode ter a impressão de ter entrado em uma aula de teatro, assistindo aos jogos cênicos das atrizes. Apesar de mal construído, o texto é bem humorado (não uma comédia) e toca em pontos relevantes da sociedade, posicionando-se com relação a algumas questões ao botar o oposto do que se pensa na boca das meninas.

A montagem brasileira é dirigida por Guilherme Piva (de “Como É Cruel Viver Assim”), e estrelada por Fernanda Vasconcellos (de “Dona Flor e Seus Dois Maridos”), Bianca Castanho (de “A.M.I.G.A.S.”), Karla Tenório (de “Antes da Coisa Toda Começar”) e Talita Castro (da novela “Milagres de Jesus”). A imagem de atrizes adultas interpretando menininhas causa estranhamento, não só no início, como em outras cenas no desenvolvimento do espetáculo, como se elas deixassem a peteca cair. Mas, na verdade, a peça tem todo um tom farsesco – uma opção da direção – o que combina com o fato das personagens irem e virem entre o real e o ficcional o tempo todo, por vezes sem explicitar de que lado está.

As atrizes do elenco (Foto: Rodrigo Lopes)

As atrizes do elenco (Foto: Rodrigo Lopes)

A estética cênica não foge do preto, branco e tons de cinza em nenhum detalhe. A cenografia de Paula Santa Rosa e Rafael Pieri é composta por um trepa-trepa e um balanço, ambos sem cores, e a iluminação de Renato Machado acentua o olhar do espectador em um ou outro espaço. O figurino das quatro atrizes é o mesmo, como um uniforme, assinado por Carol Lobato: saia preta e blusa cinza. Ele cai bem em algumas atrizes, mas deixa outras um tanto patéticas e inadequadas, verdade seja dita.

Por Leonardo Torres
Pós-graduado em Jornalismo Cultural.

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SERVIÇO: qua e qui, 21h. R$ 60. 70 min. Classificação: 14 anos. Até 30 de julho. Teatro do Leblon – Sala Fernanda Montenegro – Rua Conde Bernadotte, 26 – Leblon. Tel: 2529-7700.

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