Internacional

Brasileira dirige musical Chicago no West End: “elenco dos sonhos”

(Foto: Divulgação)

Sua carreira internacional aconteceu despretensiosamente, mas já são mais de dez anos trabalhando mundo afora. Depois de ser diretora residente do musical “Chicago” em São Paulo em 2004, Tânia Nardini foi convidada para dirigir uma montagem em Seul, na Coreia do Sul, em 2007. Desde então, cuida de todas as montagens de “Chicago” aonde quer que seja. O espetáculo, original da Broadway e remontado há mais de quatro décadas, recentemente reestreou no West End, em Londres, com Cuba Gooding Jr. (vencedor do Oscar por “Jerry Maguire: A Grande Virada”) no elenco. Quem o dirigiu? Ela mesma, Tânia.

– Foi um sonho! Um ator absurdamente talentoso, dedicado, competente, respeitoso e afetuoso, de alma, cabeça e coração abertos. Com um olhar totalmente generoso e curioso, mesmo tendo um Oscar e sendo uma personalidade super conhecida, se permitiu construir uma parceria solida com seus colegas de cena e colocar a “história” em primeiro plano. É um ator com alma de criança, sem reservas, sem máscaras, completamente envolvido e entregue ao “jogo teatral”, com um prazer imenso pelas descobertas. Foi uma honra e um prazer enorme ajudá-lo a descobrir e construir o “Billy” dele. – ela conta ao Teatro em Cena.

Tânia Nardini e Cuba Gooding Jr. (Foto: Reprodução / Facebook)

Como diretora associada, a brasileira já trabalhou em “Chicago” também no Japão, na Argentina, na Rússia, na Alemanha e na Dinamarca. Garante que cada montagem tem sua própria cara, porque o musical depende muito do desempenho dos atores. Escolher o elenco perfeito é fundamental. “Não temos cenários, efeitos, trocas de figurino… nada mais onde se apoiar, só atores”, diz, “a ‘geografia’ das cenas é quase sempre a mesma, mas a interpretação de cada personagem é particular de cada ator, de cada cultura”. O que mais lhe interessa nessa experiência internacional, na verdade, é justamente o contato com artistas de outras culturas. Como “Chicago” é um musical famoso, ela sempre tem oportunidade de dirigir atores de formação sólida em todos os países. E, de cada temporada internacional, ela leva boas recordações. Na Coreia do Sul, foram diversos trabalhos ao longo do ano e ela já está lá novamente para mais uma montagem.

– A Coreia é sempre interessante. É uma cultura oriental contando uma história absolutamente ocidental, completamente distante da realidade deles. O mesmo acontece no Japão, mas ainda entre as duas culturas há diferenças, portanto, a leitura da história também é diferente. Rússia foi interessantíssimo, não só pela diferença de cultura, mas porque tive a oportunidade de trabalhar com primeiros atores da Cia. de Repertório Puchkin, a mais famosa do país. Atores que nunca tinham feito musical. Argentina, um elenco passional, todos muito jovens e um pouco defensivos no início, mas quando se entregaram foi bonito ver a paixão a serviço da história. Na Alemanha, tive um elenco bem misturado, mais da metade não era alemão e aprendeu a língua para fazer o espetáculo, um super desafio. Na Dinamarca, um elenco de profissionais de teatro musical, foram surpreendidos com a responsabilidade de ter a história totalmente em suas mãos, sem apoio nos grandes cenários e efeitos, abraçaram esta dificuldade e construíram um belíssimo espetáculo. Londres… um elenco dos sonhos, não só pela qualidade, mas especialmente pela disponibilidade e respeito pelo oficio, muito inspirador… – lembra.

Entre as viagens para “Chicago”, Tânia Nardini volta ao Brasil e assina trabalhos aqui. Em 2016, ganhou o Prêmio Cenym pela coreografia de “Raia 30” e, no ano passado, recebeu o Prêmio Reverência pela coreografia de “My Fair Lady”, que fez temporada em São Paulo. Recentemente, “Cauby! Cauby! Uma Lembrança” foi apresentado no Rio com coreografias dela. Ou seja, sua carreira nacional tampouco é deixada de lado. Perguntada sobre a situação do Brasil, com a perseguição às artes, em compara:

– Cada país tem suas dificuldades. Estamos vivendo uma crise mundial, todos os continentes estão passando por alguma grande dificuldade. Os motivos não são os mesmos, as dificuldades não são as mesmas, mas o mundo inteiro está lidando com uma grande virada e a arte é sempre um veículo de observação e de transformação.

Think about it.

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