Celular ligado: plateia vai interagir com peça via aplicativo – Teatro em Cena
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Celular ligado: plateia vai interagir com peça via aplicativo

(Foto: Divulgação / Ernani Pinho)

(Foto: Divulgação / Ernani Pinho)

Não dá mais para eliminar o celular da vida das pessoas, principalmente dos jovens. Partindo dessa premissa, o espetáculo “#SeJoga” – grafado assim, sem espaço e com hashtag – decidiu incorporar a tecnologia em sua dinâmica. Se não pode contra ele, junte-se a ele. Não é o que dizem? É o que pensa Alina Lyra, em termos. Diretora da Alkaparra Produções, ela criou o espetáculo de idealizou um aplicativo de smartphone (impro-on) para que a plateia possa interagir com os atores em cena da maneira que mais gosta: pela touch screen. Em “#SeJoga”, não há nada de “por favor, desliguem os celulares.” É a subversão disso.

Se não fosse o aplicativo, seria mais uma peça de jogos de improviso, como tantas outras que existem, com forte apelo ao público. “Z.É. – Zenas Emprovisadas”, “Deu Branco – Cenas Improvisadas” e “DEZImprovisa” são alguns exemplos. Até o “Comédia em Pé”, grupo pioneiro de stand up comedy no Brasil, se rendeu à fórmula mais recentemente. Mas Aline decidiu aproximar ainda mais a plateia, sem gritos ou papeizinhos para as sugestões de personagens, cenários e temas para as brincadeiras. “As pessoas vão ver que os atores sabem o nome de cada um que deu uma sugestão. Ela não é mais vinda de um ‘grito anônimo’ ou de um papelzinho selecionado pela produção”, explicou ao Teatro em Cena. Alina queria, principalmente, abolir os tais papeizinhos. Nota-se que ela tem certa implicância com eles. “Demandam uma logística enorme. Conversando com um grupo de improvisadores, dei a ideia de fazer isso via celular, e todos acharam excelente”.

Criadora Alina Lira e diretora Patricia Pinho (Foto: Ernane Pinho)

Criadora Alina Lira e diretora Patricia Pinho (Foto: Ernane Pinho)

O grupo, no caso, o elenco, é o seguinte: João Côrtes (de “Meninos e Meninas”, e do comercial da Vivo), Thaís Belchior (de “Tudo Por um Popstar, de Thalita Rebouças”), Adriano Pellegrini (de “Conversas Inversas Histórias Diversas”), Ana Luisa Leite (de “Rita, o Musical”), Hugo Germano (de “Vestido de Noiva”), João Cappelli (de “Infância”), Marcela Dias (de “Novelas, o Musical”) e Sil Esteves (de “Batom Comedy”). Há ainda Fabio Nunes (de “Em Caixa de 4”), que fez parte de um grupo de improvisação, e servirá de mestre de cerimônia e mediador. É ele quem vai receber o público e explicar como funciona o aplicativo e a dinâmica com a encenação. Também haverá um banner com detalhes do download e instalação, para quem não tiver baixado ainda. Mas é melhor levar baixado de casa: é de graça.

Uma questão é que o teatro escolhido para a estreia – o Teatro das Artes, no Shopping da Gávea – não tem wi-fi aberto e não foi possível instalá-lo. Alina garante que todas as operadoras têm bom sinal dentro da sala e que o wi-fi do shopping pega no teatro. Ela não acredita que haverá problemas, como na estreia do programa de TV “Superstar”, quando os usuários tiveram que lidar com travamentos. “Para TV, são milhões de pessoas usando o app ao mesmo tempo e com certeza a chance de falha é grande. Mas no teatro são só 396 lugares [o site do local diz que são 421]. É pouca gente comparada à TV”, pondera a idealizadora. “Mas se travar – e São Steve Jobs permita que isso não aconteça – faremos no grito mesmo”. Nos ensaios, com a diretora Patricia Pinho (fundadora do “Buraco da Lacraia Dance Show”), os atores já usam o aplicativo e assim a produção pôde perceber falhas e pedir correções antes da estreia.

Lucas Lacerda e Bruna Scavuzzi em "In.com.patíveis": outra peça com uso de aplicativo (Foto: Ricardo Borges)

Lucas Lacerda e Bruna Scavuzzi em “In.com.patíveis”: outra peça com uso de aplicativo (Foto: Ricardo Borges)

Apesar do discurso da produtora, o aplicativo não terá seu uso limitado ao teatro. Pessoas que estejam longe, até em outro país, poderão usá-lo e enviar sugestões para os atores na hora da peça. A participação, portanto, será mais ampla. Além disso, o app vai expor a agenda do espetáculo, ficha técnica, vídeos de cenas gravadas, e receber fotos postadas pelo público. É muita interação – e essa é a principal diferença de “#SeJoga” para “In.com.patíveis – Melodrama Interativo”, outro espetáculo tecnológico em cartaz. Criada por Vida Oliveira, essa outra peça (que não é de improviso) também utiliza um aplicativo de celular para a interação do público com os atores, mas seu uso é exclusivo no teatro. A assessoria explica que o app só “funciona na intranet da peça, enquanto ela está acontecendo”.

“#SeJoga” estreia na terça (5/8), com ingressos a R$ 50, no Teatro das Artes e fica em cartaz até o dia 28 de outubro. Será uma sessão por semana – às terças às 21h – para provar que a inovação funciona na prática. Alina Lyra ainda está pensando como fazer para incluir nas brincadeiras, de uma maneira criativa, quem não tem smartphone.

A temporada de “In.com.patíveis – Melodrama Dramático”, por sua vez, vai até o dia 21 no Teatro Maria Clara Machado, no Planetário da Gávea. As sessões são quartas e quintas às 20h, com ingressos a R$ 30.

(Foto: Ernani Pinho)

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