.Plantão

Com Gottsha e Evelyn Castro, musical resgatará legado de Michael Jackson

Com um vídeo cantando “Man In the Mirror”, os atores-cantores Gottsha (de “Rocky Horror Show”), Jules Vandystadt (de “Beatles Num Céu de Diamantes”), Evelyn Castro (de “Vamp – O Musical”) e Chris Penna (de “Yank – O Musical”) anunciaram um novo espetáculo para o fim do ano: “O Homem no Espelho”. O quarteto subirá ao palco para cantar músicas de Michael Jackson (1958-2009), em homenagem ao eterno Rei do Pop. A previsão de estreia é para início de novembro no Oi Casa Grande, um teatro de mais de 900 assentos, no Leblon. A temporada será em dias alternativos – em esquema de avant première.

– Estou achando isso muito chique! Avant première! – brinca Gottsha, primeiro nome confirmado no projeto, há dois anos – É como se a gente fosse abrir para a plateia opinar e, inclusive, criticar. A gente vai abrir um site para que o público diga o que faltou, o que seria melhor, que cores são melhores, quem eles gostariam de ouvir, quais músicas. É uma coisa para a plateia super participar mesmo do espetáculo. A gente quer que a plateia seja um novo integrante da equipe.

É importante ressaltar: o musical não contará a história de Michael Jackson, que começou a carreira na infância, revolucionou a cultura do videoclipe e vendeu milhões de cópias no mundo todo. Só do álbum “Thriller”, foram 33 milhões de unidades vendidas – um recorde. O espetáculo vai se apropriar desse repertório imenso para apresentar releituras teatralizadas das canções emblemáticas – como aconteceu em musicais como “Beatles Num Céu de Diamantes” e “Gilberto Gil – Aquele Abraço, o Musical”. O roteiro ainda vai ser definido: os ensaios começarão em setembro. Os sucessos não ficarão de fora e há chance de entrarem também algumas músicas mais lado b. “Esse momento de roteirizar o show é o que tá dando mais dor de cabeça, porque é tanta música boa. Tem músicas que não fizeram tanto sucesso e também são boas e tem que voltar nesse musical”, Gottsha diz ao Teatro em Cena.

Obviamente, cada um tem sua listinha de favoritas. Gottsha cita “Ben”, que ela canta no show “Discotheque”, além de “Human Nature” e “Thriller”. “Eu acho que toda música do Michael, no fundo, é um pouco melancólica, mesmo as mais agitadas. Tem sempre uma mensagem, um pouquinho de tristeza, dentro de toda aquela agitação”, diz. Jules Vandystadt, que assinará a direção musical, além de estar em cena, aponta ainda “Man In the Mirror”, “Heal the World” e “Billie Jean”. “É difícil escolher”, admite o artista, que nasceu nos anos 1980, auge da carreira do Rei do Pop, “minha mãe tinha os discos e cresci escutando. É uma relação muito próxima com o repertório dele. Sempre me identifiquei muito. O Michael trazia muito essa coisa da criança, por ter sido uma criança muito mal tratada, com abuso e uma série de questões. Essa criança ficou muito viva na obra dele. Ele era sensacional”. A fase do Jackson 5, inclusive, também será lembrada no musical.

Elenco com a diretora (Foto: Reprodução / Instagram)

Michael Jackson no show de intervalo do Super Bowl, em 1993 (Foto: Reprodução)

O espetáculo, com direção artística de Cris Fraga e Kika Freire, vai focar na mensagem das músicas – o maior legado artístico do americano. Gottsha acredita que elas são o antídoto perfeito para a época de crise econômica que se vive no Rio e no Brasil. “Tenho 47 anos de vida e nunca vi a cidade da maneira que está: muita violência, muito abandonada, com falta de amor, falta de amizade. Está todo mundo com muito medo. Eu acho que esse realmente é o momento de vir com a arte, porque pra mim a arte salva. Sempre vi pessoas se curando com a arte. A gente tem essa obrigação”, defende, “as músicas dele têm tudo a ver com o ser humano, com essa coisa de que a gente precisa ser mais generoso, ter mais amor um com o outro”.

O ordem é desconstruir o repertório conhecido, sem descaracterizá-lo. A missão é de Jules Vandystadt, que cuidará dos arranjos. “Claro que certos elementos são sagrados e não se pode mexer, da mesma forma que fiz nos ‘Beatles’, usando como exemplo. É o trabalho de perceber onde a gente pode mexer, botar nossa cara, nosso olhar, e onde não. As pessoas podem esperar para ouvir as passagens maneiras – podem estar desconstruídas, mas vão estar lá”, conta o diretor musical, “por conta dessa época muito difícil para a cultura, a ideia é fazer um espetáculo pequeno, onde o grande chamariz sejam as canções, as vozes e as interpretações. Deixar que grande parte do resultado do musical fique na cabeça das pessoas, sobre como elas vão receber essa mensagem”. Para tirar o projeto do papel, a equipe abriu uma vaquinha virtual no Catarse, com meta de arrecadar R$ 60 mil. Mas Gottsha afirma que eles vão fazer mesmo se não arrecadarem nada.

“O Homem no Espelho” é um projeto que existe há anos e já tentou captação via Lei Rouanet, com isenção fiscal para os patrocinadores, mas não deu certo. Com a redução da receita, as empresas investem cada vez menos na cultura. A única verba que entrou até agora – pequena – foi da Porto Seguro. Os artistas contam com a receptividade do público, afinal Michael Jackson é um nome queridíssimo. “Com esse ano de crise, se a gente não se movimentar, realmente não vai fazer nada”, pontua Gottsha, “A gente preza para, apesar de não ter grana, ter qualidade. Não importa se não vai ter um centavo: a gente vai ter que fazer o nosso melhor. Todo mundo vestiu a camisa e isso é muito legal”.

Para contribuir com o projeto, clique abaixo:

Comentários

comments

Share: