Entrevista

Com três peças em cartaz, Pedro Kosovski disputa todos os prêmios

Pedro Kosovski é o único dramaturgo que conseguiu ser indicado a todas as premiações deste ano. Com “Caranguejo Overdrive”, da Aquela Cia., ele venceu o Prêmio Cesgranrio e pode levar ainda o Shell, o APTR e o Questão de Crítica até o fim da estação. Já consagrada, a peça está em cartaz com sua quarta temporada, desta vez no Teatro Poeira, em Botafogo. Com ela, Pedro se vê em cartaz com três espetáculos simultaneamente. Ele também assina a adaptação do livro “Como Me Tornei Estúpido” (Teatro Sesc Ginástico, Centro), de Martin Page , e uma parte de “Fatal” (Oi Futuro, Flamengo), a convite do diretor Guilherme Leme Garcia (de “RockAntygona”).

Pedro ao receber o Prêmio Cesgranrio em janeiro (Foto: Leonardo Torres)

Pedro ao receber o Prêmio Cesgranrio em janeiro (Foto: Leonardo Torres)

Aos 32 anos, o artista se diz em um bom momento. “Eu nunca tinha escrito, como se diz, ‘por encomenda’, que é até um nome engraçado. Foi ótimo, uma experiência nova”, conta ao Teatro em Cena. Ele atrela os convites ao sucesso de “Caranguejo Overdrive” e “Laio e Crísipo”, as duas peças montadas em 2015 como parte da comemoração dos dez anos de formação da Aquela Cia., grupo intimamente entrelaçado à sua carreira. Os prêmios, indicações e propostas decorrentes configuram uma redenção para o dramaturgo, que amargou críticas negativas em “Edypop”, seu espetáculo anterior. “Foi uma peça muito controversa. A crítica não gostou muito, caiu em cima, mas ao mesmo tempo ela lotava de psicanalistas”. Ele considera aquele trabalho sua retribuição à universidade.

Antes de mergulhar no teatro, Pedro Kosovski cursou Psicologia, com direito até a mestrado. Filho do ator Ricardo Kosovski (de “Estilhaços”) e da diretora Cacá Mourthé (de “Pluft, O Fantasminha”), ele cresceu na sede d’O Tablado, na Lagoa, onde teve aulas, até se rebelar na adolescência e buscar um caminho diferente dos pais. “É algo que causa certa angústia: ‘vou ter que ser isso, vou ter que trabalhar com isso?’”. A Psicologia, no entanto, não engatou e nunca foi exercida. Voltou para o teatro, começou como ator na Aquela Cia. e, desde 2008, assina os textos do grupo. Já escreveu “Lobo Nº1 – A Estepe” (2008), “Do Artista Quando Jovem” (2010), “Outside, um Musical Noir” (2011), que lhe rendeu as primeiras indicações a prêmios, “Cara de Cavalo” (2012), vencedor do Prêmio Questão de Crítica e indicado ao Shell, e “Edypop” (2014). Como dramaturgo, vem se realizando.

"Edypop": espetáculo que juntava Édipo Rei com músicas de John Lennon tinha Letícia Spiller como Jocasta (Foto: Divulgação)

“Edypop”: espetáculo que juntava Édipo Rei com músicas de John Lennon tinha Letícia Spiller como Jocasta (Foto: Divulgação)

Já é possível traçar algumas características de sua obra recente, como o interesse pela música, o underground, a pesquisa sobre mitos, o cinismo e a ousadia. “Gosto muito das histórias esquecidas, meio perdidas, marginalizadas”. O aclamado “Caranguejo Overdrive”, por exemplo, explora o mangue e a metamorfose do homem em caranguejo. Em “Laio e Crísipo”, Pedro trouxe à tona uma história pouco contada do pai de Édipo, ambientando-a em um inferninho de beira de estrada. Até mesmo quando contribui por encomenda, ele imprime sua marca. Em “Fatal”, Pedro, Jô Bilac (de “Conselho de Classe”) e Marcia Zanelato (de “Por Amor ao Mundo, um Encontro com Hannah Arendt”) ficaram incumbidos de escrever, individualmente, uma peça curta inspirada em uma história de amor. Os três terços foram reunidos em um único espetáculo, estrelado por Debora Lamm (de “Infância, Tiros e Plumas”) e Paulo Verlings (de “Beije Minha Lápide”). Ao Pedro Kosovski, coube a releitura de Eros e Psiquê, e ele a levou pra um dark room.

– Por o teatro ocupar esse lugar político, me encanta muito contar histórias que não são narradas de modo dominante. Acho que o teatro pode contribuir, simbolicamente e imaginariamente, para o mundo que a gente vive, narrando um pouco desses personagens esquecidos. Isso é uma função que também me atrai como artista. Isso vem de outros trabalhos também, como o “Cara de Cavalo”, que era um personagem marginalizado, meio apagado. Me encanta dar luz, dar visibilidade, a historias esquecidas.

Com a equipe de "Fatal": Paulo Verlings, Marcia Zanelatto, Jô Bilac, Debora Lamm e Guilherme Leme Garcia (Foto: Zô Guimaraes)

Com a equipe de “Fatal”: Paulo Verlings, Marcia Zanelatto, Jô Bilac, Debora Lamm e Guilherme Leme Garcia (Foto: Zô Guimaraes)

Com a Aquela Cia., seu trabalho é fruto de um processo muito colaborativo, em sala de ensaio. Elabora o texto a partir das ideias e improvisos trazidos pelos atores e o diretor – Marco André Nunes, seu parceiro em todas as empreitadas. Em casa, quando revisa e faz os tratamentos, gosta de escrever ouvindo música alta, “com o ar condicionado no mínimo”. Para “Fatal”, escolheu “Requiem” do Mozart. “Não sei por que, cismei que tinha um clima Requiem”. Durante a adaptação de “Como Me Tornei Estúpido”, ouviu muito jazz, como “Take Five” do The Dave Brubeck Quartet. Com “Laio e Crísipo”, foi Daft Punk. “Acho que cada obra tem uma sonoridade, um timbre e a música é um modelo de acessar essa sensibilidade”, observa. E tem os prazos. Ele adora os prazos.

– Para mim, é difícil ver o teatro e a criação teatral separados de um certo circuito de produção cultural. A produção trabalha com prazos, e acho importante, porque é o princípio de realidade: estabelece os limites. Para mim, é fundamental, porque tenho milhões de obras inacabadas, que ficam ali guardadas justamente porque não tem data de entrega. E isso é lindo, também. Faz parte ter a “a gaveta”, ter esses arquivos de textos inacabados. Mas a minha experiência no teatro é muito prática, muito empírica, ligada a esse lugar de produção. Naturalmente, quando uma ideia surge, vira um projeto e, no momento que esse projeto se viabiliza, ele já tem um prazo. É importante.

Seu próximo deadline é com “Tãotão”, infantil escrito para O Tablado. Será a primeira peça a ser montada pelo grupo (dirigido por sua mãe) sem ser de autoria de Maria Clara Machado (de quem ele é sobrinho-neto). Isso mesmo: com três espetáculos em cartaz simultaneamente, Pedro Kosovski escreve o quarto, para estreia em maio. “É um bom momento. Estou muito feliz”, conclui.

TEATRO EM CENA – Três peças em cartaz, hein? Quer dominar o circuito teatral?
PEDRO KOSOVSKI – Não… (risos) Na verdade, é o seguinte: a minha trajetória é muito atrelada à Aquela Cia., meus projetos autorais, junto com o Marco André, enfim. E aí eu acho que por conta do sucesso do “Caranguejo Overdrive” e do “Laio e Crísipo”, rolaram esses dois convites para peças fora desse esquema das minhas produções. E foi ótimo.

Como diferencia o que faz na companhia e o que faz fora, como “Como Me Tornei Estúpido” e “Fatal”?
N’Aquela Cia., sou o produtor também, então concebo o projeto, é um projeto meu, e acompanho todos os níveis dele, desde a concepção até a pós-produção. Obviamente, tem uma responsabilidade muito grande, e ao mesmo tempo uma liberdade muito grande, porque estou à frente de tudo ou quase tudo, então posso fazer o que eu quiser. E, nos projetos que sou chamado, tem uma demanda externa: alguém me convida para fazer tal coisa. E aí é claro que há um espaço de liberdade, mas ao mesmo tempo você tem que atender a demanda das pessoas que te chamaram. Foi um desafio poder criar, escrever, em condições onde meu texto é realmente só mais uma etapa independente. Mas foi bom. É diferente, na realidade.

Elenco de "Como Me Tornei Estúpido" em foto de divulgação do espetáculo (Foto:  Desirée do Valle)

Elenco de “Como Me Tornei Estúpido” em foto de divulgação do espetáculo (Foto: Desirée do Valle)

Você as escreveu realmente com um intervalo de tempo pequeno entre elas ou apenas calhou dos projetos saírem do papel ao mesmo tempo?
O “Caranguejo”, estou escrevendo desde setembro de 2014, então escrevi bem antes. O “Como Me Tornei Estúpido”, comecei a fazer a adaptação em novembro, no fim do ano, e durou mais ou menos um mês e meio. E o “Fatal”, eles me chamaram no final de novembro, e eu estava muito pegado de tempo fazendo o “Estúpido”, e acabei escrevendo em janeiro, no início do ano. Era um texto curto, então foi escrito em três semanas, quatro semanas.

Você consegue apontar traços seus como autor, que estão sempre presentes de alguma maneira em suas obras?
Sim. No caso do “Fatal”, há todo um trabalho em cima da mitologia grega e obviamente dentro da própria história do teatro. Eros e Psiquê é um tema recorrente, e isso obviamente dialoga com todo meu trabalho. No caso do “Estúpido”, tem uma diferença, por ser uma adaptação. Apesar de todo mundo ter me dado uma grande liberdade – pois o convite tinha isso de certo modo implicado, eu podia mexer como quisesse no texto – mas ao mesmo tempo você tem que ter cuidado porque é um trabalho de transposição de uma linguagem para outra linguagem. No “Estúpido”, tem essa novidade, mas ele ao mesmo dialoga muito com um tipo de crítica, de olhar para o mundo, uma certa acidez, um certo cinismo, que reconheço em alguns trabalhos anteriores. O “Estúpido” tem um certo olhar para a cultura pop que, em outros trabalhos meus, como o “Outside” e o próprio “Edypop”, isso também dialoga. É claro que tem algo ali que, mesmo nesses trabalhos de encomenda, permanece. Tem uma pesquisa que é autoral minha e está lá.

O que te interessa, o que te atrai, como artista?
O teatro ocupa um lugar muito interessante na nossa realidade atualmente. Por ser uma experiência presencial, em um mundo virtualizado, cada vez mais digital, de encontros nas redes sociais, o teatro ocupa uma função importantíssima. Esse tipo de encontro provoca outros níveis mesmo de discurso, e isso me provoca bastante. O teatro, com o público, atualmente também tem a função política, que me atrai bastante. Penso muito o teatro como um campo de relação, de convivência e de troca, e isso por constituição é algo político. Sem dúvida, é um caminho que me provoca – esse espaço de convivência e de troca presencial.

Pedro com o diretor Marco André Nunes: parceria n'Aquela Cia. (Foto: João Julio Mello)

Pedro com o diretor Marco André Nunes: parceria n’Aquela Cia. (Foto: João Julio Mello)

Como surgiu a coisa de escrever para você?
Na realidade, minha família inteira vem do teatro. Num determinado momento, é algo muito potente e, na adolescência, é algo que causa uma certa angústia: “vou ter que ser isso, vou ter que trabalhar com isso?” Eu me formei em Psicologia [na PUC], então eu tentei fugir em algum momento, motivado por uma certa rebeldia adolescente. Eu meio que nasci no Tablado, porque minha mãe, a Cacá, dá aula lá, e o meu pai, Ricardo Kosovski, dá aula lá, e eu sou sobrinho-neto da Maria Clara Machado, então eu na verdade meio que vivi ali. Fiz aula lá durante um bom tempo, com inúmeros professores, e na adolescência decidi tentar outros caminhos. Tentei Psicologia, fiz mestrado, mas vi que não tem jeito. Comecei a desenvolver um trabalho fora do Tablado, muito da minha parceria com o Marco n’Aquela Cia. Pensei: “é possível fazer teatro, mas não exatamente do jeito que mamãe e papai fazem”. É possível fazer teatro de outro modo. Minha mãe é diretora, atualmente diretora artística do Tablado, e meu pai é ator e professor universitário. Eu acho que a dramaturgia e a escrita era um campo novo, que os dois não estavam muito associados. Era uma novidade.

A formação em Psicologia reflete nas suas peças?
Sim, muito. Eu me formei em Psicologia, mas nunca trabalhei com Psicologia, a não ser no estágio, que tive que atender, e foi para nunca mais. (risos) Tive que estar no papel do analista e foi algo bem confuso. Por outro lado, na sequência, eu me arrependi muito de ter feito Psicologia por achar que não tinha nenhuma aplicação na minha vida cotidiana. Mas isso durou pouco. Logo vi que essa formação , com mestrado em cima da psicanálise, me deu uma abertura, uma formação humanista importante, e também no modo de tratar com os grupos, de se relacionar com os grupos. Isso se vê diretamente nos meus trabalhos. O “Edypop”, que foi uma peça muito controversa, a crítica não gostou muito, caiu em cima, mas ao mesmo tempo foi um sucesso entre os psicanalistas. A peça lotava de psicanalistas. No “Edypop”, na verdade, acho que pude devolver um pouco de tudo que a Psicologia me deu. Sem dúvida é um lugar importante.

Você ganhou o Prêmio Cesgranrio com “Caranguejo Overdrive”, e está indicado ao APTR, ao Shell e ao Questão de Crítica. Esperava toda essa aprovação para essa peça?
Não, não esperava, porque o “Caranguejo” na verdade é um trabalho que tem uma radicalidade inventiva muito grande. Sempre que um trabalho tende a isso, a gente não sabe. É impossível prever como será recebido. A gente sempre procura isso na companhia, esse compromisso de pesquisa, sabe? Claro que às vezes a recepção é mais calorosa e as vezes é mais difícil, mas esse é nosso projeto e a gente está há dez anos nesse lugar de trabalho, de batalha, de pesquisa, com pouco incentivo, uma grande dificuldade de continuar, porque a cada trabalho que você faz parece que você zera, que começou de novo, e não que esta aí há anos. No caso do “Caranguejo”, especificamente, é um trabalho que começou em 2014 em uma residência no Teatro Dulcina. A ideia era fazer uma leitura dramática performativa, e escrevi boa parte do texto ali, boa parte da concepção do espetáculo também foi projetada ali, em dez encontros intensivos. Aí nós estreamos a peça em julho de 2015, então tivemos um bom tempo de pesquisa. Acho que todos esses prêmios e essas indicações na verdade consagram um trabalho que vem há dez anos mobilizando, ativando e dando uma sacudida na cena do Rio de Janeiro, sobretudo. Eu consigo ver assim. Tem a ver com esse lastro, esse caminho.

Cena de "Caranguejo Overdrive" (Foto: Divulgação)

Cena de “Caranguejo Overdrive” (Foto: Divulgação)

Você acha que foi essa questão que agradou tanto os críticos?
Acho que tem isso. Por um lado, é reconhecível. Eu acho que as pessoas percebem que se trata de um grupo que tem uma pesquisa consistente, séria e continuada. Isso é notório. E acho que o “Caranguejo” nos surpreendeu também, artisticamente. A gente talvez tenha chegado a lugares que.. Nessa pesquisa, a gente está sempre meio que tateando, tentando perceber de que modo… e, no “Caranguejo”, acho que de fato atingimos um lugar novo para nós. É uma peça que, se você for comparar com outras, tem muitas semelhanças , mas ela dentro da nossa trajetória de dez anos também é um corte, uma inflexão, dentro da nossa trajetória. Isso aí, mesmo pra nós de dentro, vemos que há algo que se revelou diferente e novo para a gente.

Tá confiante para as premiações?
Olha, por um lado, enfim, sim, mas por outro, não sei. Não sei como se passa esse tipo de avaliação de prêmios. A peça teve muitas indicações. No Cesgranrio, o fato de eu e o Marcos termos ganhado, isso deu uma certa consagração, porque nosso projeto é uma parceria, tanto no texto quanto na direção. [pausa] Bom, aguardo. Nunca dá para esperar muito. Mas acho que tem aí um bom sinal. Estou otimista em relação ao que vier.

Que importância você dá para as indicações e os prêmios que recebe?
A importância é da ordem bem prática: toda premiação dá uma visibilidade e possibilita que os trabalhos continuem, sejam vistos, e não só a obra em questão, mas tratando de um projeto de pesquisa maior, possibilita que tenha prosseguimento. A premiação tem essa função imediata, ainda mais no momento difícil que a gente está vivendo, de crise, de uma coisa mais escassa, então foi fundamental ter essa peça com essa visibilidade toda, porque permite continuar. E prêmios também dão um certo conforto ao narcisismo. Não dá pra negar. A gente aposta, arrisca, se sente desamparado, com pouco apoio, às vezes atacado pela crítica ou por certas situações que fazem parte do ofício, então quando vem o prêmio é um certo respiro, um certo conforto, um certo carinhosinho no ego. Isso aí obviamente tem. Mas, sobretudo, o que mais me interessa é que as peças continuem.

Cena de "Outside, um Musical Noir" (Foto: Reprodução)

Cena de “Outside, um Musical Noir” (Foto: Reprodução)

Você já tinha tido essa aprovação de crítica também com “Cara de Cavalo” e “Outside”. Considera essas suas peças mais relevantes?
Eu considero, na verdade, dentro da trajetória da nossa companhia, que o “Outside” teve uma importância muito grande porque era uma peça grandiosa, era uma ópera rock, tinha grandes proporções, era uma grande produção, e, dentro da nossa linguagem, a gente começou trabalhar com música ao vivo, que foi algo que continuou nas obras posteriores. O “Outside” teve uma importância estratégica. Ele também é uma inflexão dentro da nossa história, assim como o “Caranguejo”. O “Cara de Cavalo” é muito significativo, porque a gente vinha com adaptações de literatura, o “Outside” musical, e a gente vinha com uma angústia e uma demanda de chegar ao Brasil, né, de abordar um tema que fosse mais familiar, mais próximo da nossa realidade brasileira, latino-americana. O “Cara de Cavalo” foi uma abertura para tentar criar e imaginar esse espaço simbólico do Brasil e das pessoas que nos rodeiam, o que vai desembocar por exemplo no “Caranguejo”, que trata da memória da cidade, a memória do espaço urbano, esse imaginário das histórias esquecidas. Acho que é por aí. Vejo esses dois trabalhos assim.

Você está com três peças em cartaz. Já tem planos para outros projetos?
Sim, tenho um projeto que estou tendo o maior cuidado, que é muito especial. É um espetáculo infantil que se chama “Tãotão”, tudo junto, que é o nome de um menino. [soletra o título]. Estou há um ano e meio concebendo com a Cacá Mourthé, que é minha mãe e toca lá o Tablado. Vai ser a primeira peça infantil feita no Tablado sem ter sido escrita pela Maria Clara Machado. É um trabalho muito importante. Estou com muito cuidado. A gente está começando agora o ensaio e deve estrear até o final de maio. É um trabalho muito importante, que diz muito respeito a minha trajetória pessoal. E, para o Tablado, também acho bacana estar inaugurando, de outro modo, esse olhar para a infância, que é tão tradicional na obra da Clara.

Antes de terminar, você pode adiantar um pouco sobre esse infantil?
A história é a partir do mito de Narciso, e tem a ver com esse lugar do “apaixonamento” por si mesmo, da beleza, do poder da imagem para as crianças. Todos nós estamos inseridos nesse aspecto, mas as crianças são muito absorvidas pela imagem, porque são muitos suportes: o celular, o iPad, o computador, a televisão… A peça pretende dar uma atenção para esse domínio das imagens na infância. Ela conta a história de Tãotão, um menino que tem um espelho mágico, no qual ele assume a forma de milhares de outros meninos e meninas, e um dia esse espelho se quebra. Ele e uma amiga, Tina, passam a viver dentro desse domínio das imagens e tem um momento que querem voltar para a casa, porque não aguentam mais viver assombrado pelas imagens no espelho, e ai encontram na fonte o Narciso, que tá preso no seu próprio reflexo. Eles vão ter que libertar Narciso para voltar para casa.

(Foto: Reprodução)

(Foto: Reprodução)

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CARANGUEJO OVERDRIVE: qui a sáb, 21h; dom, 19h. R$ 50. 75 min. Classificação: 16 anos. Até 1º de maio. Teatro Poeirinha – Rua São João Batista, 104 – Botafogo. Tel: 2537-8053.

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COMO ME TORNEI ESTÚPIDO: qui a sáb, 19h; dom, 18h. R$ 20 (ou R$ 5 para associados Sesc). Classificação: 12 anos. Até 27 de março. Teatro Sesc Ginástico – Avenida Graça Aranha, 187 – Centro. Tel: 2279-4027.

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FATAL: qui a dom, 20h. R$ 15. 60 min. Classificação: 14 anos. Até 10 de abril. Oi Futuro – Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo. Tel: 3131-3060.

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