Conheça Gabriel Stauffer, o protagonista de O Grande Circo Místico – Teatro em Cena
Entrevista

Conheça Gabriel Stauffer, o protagonista de O Grande Circo Místico

Era mais um dia de ensaios de “O Grande Circo Místico”, quando o diretor João Fonseca (de “Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz, o Musical”) chamou o ator curitibano Gabriel Stauffer (de “A Serpente”) para conversar. Ele estava ao lado do protagonista Tiago Abravanel (de “Tim Maia – Vale Tudo, o Musical”) e tinha uma notícia para dar: Tiago estava deixando o espetáculo, por causa de um tornozelo torcido.

– Ele não vai poder fazer, então vai ser você mesmo.

Gabriel havia sido escolhido para o coro do musical três meses antes, depois de cinco etapas de audições. Teve que fazer testes de canto, de interpretação e de circo. Mas até então seria apenas o ‘stand in’ do Tiago Abravanel, ou seja, seu substituto em ausências pontuais. De repente, virou o substituto definitivo. Ganhou o papel.

– Beleza, ‘vâmo’ embora! Fechou.

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

Não é como se ele não tivesse noção da responsabilidade atribuída. Ele garante que tem. “Tenho certeza que está sendo um passo enorme e importantíssimo na minha carreira. Já parei para pensar nisso”, o ator dimensiona em entrevista ao Teatro em Cena. “Mas eu me empolgo quando penso nisso, porque é um prazer. Fico lisonjeado e agradecido por ser a peça principal, fundamental, dessa história”. É o que sempre quis, desde que decidiu levar a interpretação a sério: fazer o protagonista de uma peça importante no Rio de Janeiro.

Gabriel Stauffer faz comerciais de TV desde os quatro anos de idade, mas só considerou seguir a carreira de ator muito mais tarde. “Era aquela criancinha, de cabelo encaracolado, que sabia sorrir pra câmera. Não sabia o que estava fazendo”. Também compôs o coro infantil da igreja, fez teatro amador e aulas de circo em Curitiba, mas escolheu Publicidade e Propaganda na hora de prestar vestibular. Era o caminho natural, em uma família de comunicólogos. A guinada só veio em 2010, quando uma agência de modelos lhe propôs a mudança para o Rio. Ele pensou bem e seguiu seu instinto: trancou o curso no último ano, pediu demissão do trabalho de redator, e se matriculou em cursos livres de teatro na Cidade Maravilhosa. Em seguida, veio o curso profissionalizante na Casa de Arte de Laranjeiras (CAL). “Quis me dedicar um pouco a isso, e esse um pouco virou minha vida”.

Assim como a carreira de ator aconteceu naturalmente, a inclinação para os musicais também. Graças ao curso na CAL, o diretor Paulo Afonso de Lima (de “Gardel – O Musical de Tangos”) o convidou para fazer uma participação pequena em “Mulheres de Musical”, o show solo da Claudia Netto (de “Se Eu Fosse Você, o Musical”). “Eu não cantava nem nada. Era uma coisa pequena, só nos primeiros 15 minutos de peça”. Mas serviu para despertar o clique no ator. Ele viu que ali podia ter uma grande oportunidade. Começou a fazer aulas de canto e se inscreveu em uma oficina de teatro musical do diretor Marcello Caridade (de “Uma Professora Muito Maluquinha”), na qual participou de uma montagem de “Chicago”. “Vi que tinha muita gente indo para esse lado. A moda agora é musical, é o que faz sucesso. A gente tem que aproveitar essa oferta. É uma questão mercadológica”, analisa. Por coincidência ou não, a montagem de formatura da CAL, no ano passado, também foi um musical.

Gabriel Stauffer na montagem de "Chicago" da oficina do Marcello Caridade. (Fotos: Robert Ziehe)

Gabriel Stauffer na montagem de “Chicago” da oficina do Marcello Caridade. (Fotos: Robert Ziehe)

Com os outros formandos, Gabriel montou “Gota D’Água”, a famosa peça escrita por Chico Buarque. Foi seu primeiro contato profissional com a obra do cantor. Em “O Grande Circo Místico”, ele retoma essa “parceria”, já que a trilha sonora é toda composta por Chico e Edu Lobo. De alguma forma, o cantor se tornou um nome importante na trajetória do ator, presente em dois momentos marcantes. “Ele é um gênio, né? Sou fãzasso”, diz Gabriel, que destaca “Beatriz” como uma das obras-primas da MPB. “Eu cantava essa música de um jeito e, depois que entrei no ‘Circo’, aprendi a cantar e vi que cantava tudo errado”, ri. “As músicas do Chico e do Edu Lobo são cheias de meandros, nuances, cromatismos, subidas de tom que vão para outro lugar… Sem contar que tem música que vou cantar de ponta-cabeça, dando mortal”.

Céticos dirão que é coincidência que dois trabalhos do Chico Buarque apareçam em tão pouco tempo na carreira do ator. Pode ser mesmo. Mas a trajetória do Gabriel está cheia de situações assim. “O Grande Circo Místico”, por exemplo, não é a primeira vez que ele entra em cena para substituir alguém. Durante a entrevista, o fato chama a atenção dele. “Muito louco isso né? Agora que estou pensando… Minha vida de substituições”. O mesmo aconteceu na peça “A Serpente”, dirigida por Ivan Sugahara (de “Mulheres Sonharam Cavalos”), e na websérie musical “Se Nada Der Certo”, ainda inédita. No espetáculo, ele entrou no lugar do ator Saulo Rodrigues (também de “Mulheres Sonharam Cavalos”) e, na websérie, assumiu o papel principal, deixado por Oscar Fabião (de “Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz, o Musical”) há uma semana das gravações.

Gabriel Stauffer na websérie musical "Se Nada Der Certo", ainda inédita. (Foto: Divulgação)

Gabriel Stauffer na websérie musical “Se Nada Der Certo”, ainda inédita. (Foto: Divulgação)

“Se Nada Der Certo” é um parágrafo à parte. Gabriel estava em casa, aproveitando a família, que voltaria para Curitiba naquele dia, quando recebeu um telefonema. Era o produtor da websérie, que o conhecia das audições para “Cazuza”. Queria que ele fosse fazer um teste às 17h. “Falei ‘cara, estou com minha família aqui, tenho que levá-los no aeroporto, e talvez chegue atrasado”. Chegou mesmo. Entrou na sala às 19h, e a diretora Lisette Feliciano estava uma fera. “Ela estava com uma cara enfezada, e falava em inglês. Ela é de Los Angeles, mas eu não sabia. Pensei que era uma piada”. Mesmo com a situação estranha, ele fez o teste. Cantou e, imediatamente, ela decidiu: seria ele o protagonista. E tinha que ir gravar no dia seguinte. “Assim de supetão”, lembra. “Mas foi irado, uma experiência incrível, e espero que ainda dê bastantes frutos”. Ele não sabe em que pé anda o projeto (acredita que na fase de edição de som), porque está envolvido demais com “O Grande Circo Místico”.

Na reta final dos ensaios, Gabriel e o elenco têm chegado às 15h30 no Theatro Net Rio, em Copacabana, e deixado o local às 3h. Foi assim até na véspera da Páscoa. Mas ele está feliz, adorando trabalhar com João Fonseca, “que é uma mãe”, e com toda a equipe. “Paula Sandroni, Reiner Tenente, Letícia Colin, Fernando Eiras são uma galera macaca velha, gente extraordinária, que tem me ensinado muita coisa”, conta. “A gente formou uma família. Fazer parte disso é muito gostoso”.

Com Letícia Colin em foto de divulgação de "O Grande Circo Místico". (Foto: Leo Aversa)

Com Letícia Colin em foto de divulgação de “O Grande Circo Místico”. (Foto: Leo Aversa)

Quando perguntado se esse é o grande momento de sua carreira, Gabriel pausa. Fica em silêncio antes de responder. Titubeia. Diz que “sim”, e logo muda a resposta. “Grande momento parece uma coisa… sei lá”, tenta explicar. “Acho que é mais um passo na minha carreira. Um passo importante com certeza, um passo que todo mundo vai ver. Estou nessa trajetória há quatro anos, dando um passinho aqui, outro ali, um pra trás, dois pra frente. Pra mim, eu, Gabriel, como ator, é mais um passo. Outros virão”.

Serviço:
Theatro Net Rio – Sala Tereza Rachel
Rua Siqueira Campos, 143 / 2º andar – Copacabana. Telefone: 2147-8060.
Temporada: de 1º de maio a 27 de julho.
Dias e horários: quinta e sexta, às 21h; sábado, às 21h30; domingo, às 20h.
Ingressos: de R$ 50 a R$ 150.

Comentários

comments