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Crítica: A Verdade

Diogo Vilela (de “Cauby! Cauby! Uma Lembrança”) está em cartaz com seu melhor trabalho no teatro nesta década. Depois de anos envolvido com musicais de qualidade questionável, o ator finalmente encontrou um texto à sua altura: a comédia “A Verdade”, do francês Florian Zeller. O espetáculo, dirigido por Marcus Alvisi (de “Bonifácio Bilhões”), fisga e diverte o espectador com uma história sobre infidelidades conjugais envolvendo dois casais de amigos. Diogo Vilela dá um show de atuação, com a plateia em sua mão.

(Foto: Dalton Valerio)

Na história, seu personagem é um homem de negócios que trai a esposa com a mulher de seu melhor amigo. A história começa com os amantes na cama de um hotel, onde costumam se encontrar. Ela está um pouco incomodada com a situação, mas ele a convence de que o melhor é continuar mentindo, para o bem de seu amigo. Se realmente o amam, têm que poupá-lo desse desgosto. Pouco a pouco, a mentira se torna uma bola de neve que não tarda em derreter no colo do protagonista, que é confrontado com uma série de revelações inimagináveis. A peça traz frequentemente novas informações e pontos de virada, surpreendendo o espectador a todo momento e mantendo seu nível de interesse na rede de hipocrisias e inversões de valores dos personagens.

O elenco é formado por quatro atores. Claudia Ventura (de “Agosto”) vive a esposa de Diogo Vilela com brilhante atuação capciosa; Paulo Trajano (de “Cauby! Cauby! Uma Lembrança”) é o melhor amigo, plácido diante das verdades obscuras; e Carolina Gonzalez (de “O Pai”) faz a amante do protagonista e esposa do melhor amigo, escada para Diogo em diálogos que contrastam o drama de sua personagem e o egoísmo risível do amante. É Diogo, sobretudo, que domina a cena. O ator acerta a dose cômica em cada expressão e cada tom de fala, feitos para fazer o público rir.

A direção de Marcus Alvisi explora bem todo o espaço cênico, em comunhão com a cenografia perspicaz de Ronald Teixeira e Guilherme Reis e a iluminação fundamental de Maneco Quinderé. O cenário, fixo, traz três ambientes definidos e com múltiplas possibilidades de utilização. Com o enfoque dado pela luz e a direção, a pluralidade de ambientes da peça é satisfeita sem que o palco precise ganhar elementos novos. Os figurinos, também de Ronald e Guilherme, e a caracterização de Mona Magalhães traçam uma ligação com a França sem com isso comprometer a identificação com a plateia brasileira. “A Verdade” é mesmo um bom espetáculo.

Por Leonardo Torres
Mestre em Artes da Cena e especialista em Jornalismo Cultural.

Ficha técnica
Texto: Florian Zeller
Direção: Marcus Alvisi
Elenco: Diogo Vilela, Claudia Ventura, Carolina Gonzalez e Paulo Trajano
Cenário e Figurinos: Ronald Teixeira e Guilherme Reis
Luz: Maneco Quinderé
Caracterização: Mona Magalhães
Fotos: Dalton Valério
Produção Executiva: Marco Aurélio Monteiro
Direção de Produção: de Marília Milanez

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SERVIÇO: qui, 17h30; sex e sáb, 19h30; dom, 18h30. R$ 80 (qui) e R$ 90 (sex a dom). 80 min. Classificação: 12 anos. Até 26 de maio. Teatro Maison de France – Avenida Presidente Antonio Carlos, 58 – Centro. Tel: 2544-2533.

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