Crítica: Alice no País da Internet – Teatro em Cena
Crítica

Crítica: Alice no País da Internet

“Alice no País da Internet” reúne pela primeira vez no palco a atriz Heloisa Perissé (de “E Foram Quase Felizes Para Sempre”) e suas filhas Luisa e Antonia. O espetáculo infantil adaptado para a era digital aposta em uma abordagem visual que mescla projeções de vídeo e cenário encantador ao clássico de Lewis Carroll.

Heloisa Perissé divide o palco com suas filhas Antonia Perissé, de 10 anos, que dá vida a coelha, e Luisa Perissé, de 18 anos que interpreta a Rainha de Copas (Foto: Reprodução)

A história de Alice no País das Maravilhas não é mais uma novidade. Depois de diversos filmes, animações, live-actions, montagens teatrais, a trama ainda se reinventa de forma super atual em um mundo digital. Alice é uma menina dos dias de hoje que ao ganhar um notebook no seu aniversário, viaja a um mundo mágico através da internet e da sua imaginação.

A adaptação da fábula reescrita por Chiquinho Nery, que assina a direção ao lado de Cláudio Handrey, propõe uma viagem ao mundo digital de forma cômica, onde Alice, interpretada por Heloísa Perissé, encontra Bob Mouse, (o mouse do computador) que guia Alice pelo fantástico mundo de softwares e aplicativos. Do lado de fora da tela revelada pelo cenário, ele a orienta sobre os perigos causados pelos vírus. Ao encontrar “Spotifi”, um caipira apaixonado pela música de Villa Lobos, que embarca em uma aventura ao mundo “das maravilhas”. Chegando lá se deparam com a coelha apressada (Luisa Perissé) em um hoverboard, -(espécie de skate elétrico), que reforça a importância da preservação ao meio ambiente. Ao encontrar a Rainha de Copas, em uma nova configuração, a personagem não é mais a grande vilã. Inteirada nos aplicativos de relacionamento e no engajamento político, personalidade descolada até manifestou-se com um “FORA TEMER”, aplaudido pelo público. No encontro com Alice, o Chapeleiro Maluco apresenta os seus chapéus que possuem armazenamento de memória. Entre todos os encontros, um personagem misterioso atravessa o palco, que por fim revela-se o grande vilão: O Vírus de computador. Com a ajuda de Billy Cat, (o gato risonho), que, nesta adaptação é o provedor 4G, conduz Alice a um passeio pelas Sete Maravilhas do Mundo a bordo do 14-BIS.

“Alice no país da Internet” é uma adaptação da obra de Lewis Carroll feita por Chiquinho Nery que aposta no exaustivo vocabulário digital, como citação de atalhos, comandos, softwares, programas, hardwares e ignorando a linguagem dos memes e bordões, privilegiando piadas prontas.

Com trilha sonora de Villa-Lobos, Vivaldi, Rossini, Beethoven, Chopin, Tchaikovsky, com a direção musical de Nico Rezende, a trilha embala ao estilo clássico apresentando uma estabelecendo um contraponto a modernidade sugerida pelo espetáculo. Uma escolha que propõe apresentar grandes obras à crianças, comprometendo a unidade cênica, principalmente as coreografias concebidas por Suely Guerra.

O belíssimo e grandioso cenário assinado por Alexandre Murucci é repleto de cores, texturas, luzes, com um olhar apurado e acabamentos bem realizados. As animações criadas por Ricardo Monteiro complementam a cenografia com um ar moderno, contrapondo os cenários e figurinos de Marcelo Marques para os personagens repleto de toques elisabetanos.
Com a função de ambientar o mundo das maravilhas na era digital a estética da cena mescla o real e o digital através da transposição de uma espécie de “efeito 3D” onde a plateia assiste parte do espetáculo sobre o recorte da tela de um notebook.

A ideia de realizar um musical em que Alice embarca em uma realidade virtual é bacana, mas desaponta pela dublagem das canções, que parecem desconexas ao universo proposto. Contudo, a atuação de Heloísa Perissé rouba a cena, garantindo diversão e boas risadas não só as crianças, como a toda a família.

Por Gustavo Fonseca
Licenciado em Artes Cênicas.

(Foto: Reprodução / Internet)

Ficha técnica
– TEXTO: CHIQUINHO NERY
– DIREÇÃO: CHIQUINHO NERY e CLÁUDIO HANDREY
– ELENCO: HELOISA PÉRISSÉ (ALICE), ANTONIA PÉRISSÉ (COELHA), LUISA PÉRISSÉ (RAINHA DE COPAS), CLÁUDIO HANDREY (VÍRUS VIRULINO), DANILO FERREIRA (BILLY CAT – O PROVEDOR), LUCIANO BORGES (BOB MOUSE), ROGÉRIO FREITAS (CAIPIRA), SERGIO DUARTE (CHAPELEIRO MALUCO)
– CANTORES (POP-UPS): BRUNO BOER, CAROL PINA, LIZA DA MATTA, PABLO MARCELL, SARA CHAVES
– DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: ERNALDO SANTINI
– ASSISTENTE DE PRODUÇÃO: ALAN KILMER
– CENOGRAFIA: ALEXANDRE MURUCCI
– FIGURINOS: MARCELO MARQUES
– ILUMINAÇÃO: AURÉLIO DE SIMONI
– COREOGRAFIA: SUELI GUERRA
– DIREÇÃO MUSICAL: NICO REZENDE
– ARRANJOS: NICO REZENDE e ZÉ NETO
– PREPARAÇÃO VOCAL: FÁTIMA REGINA
– SONORIZAÇÃO: PROAUDIO SONORIZAÇÃO
– SONOPLASTIA: PAULO TÉSPIS
– VIDEOGRAFIA/PROJEÇÕES: BRANCO EVENTOS
– DESIGNER e ANIMAÇÃO: RICARDO MONTEIRO
– ASSISTENTE DE VIDEOGRAFIA: RENAN e MARCO AURÉLIO
– MAQUIAGEM: JOANA SEIBEL
– ASSESSORIA DE IMPRENSA: CEZANNE COMUNICAÇÃO
– FOTOGRAFIA: ESTÚDIO INSÔNIA
– ASSISTENTE DE PRODUÇÃO: ALAN KILMER
– PUBLICIDADE: CAUSAR MAIS
– INTERNET: PAULO CORDEIRO
– REDES SOCIAIS: PAULO CORDEIRO e RENATA RODRIGUES
– IDEALIZAÇÃO: CHIQUINHO NERY
– PRODUÇÃO: AUÍ CULTURAL

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