Crítica

Crítica: Chopin ou o Tormento do Ideal

Nathalia Timberg (de “O Que Terá Acontecido a Baby Jane?”) assumiu o desafio de estrelar a montagem brasileira de “Chopin ou o Tormento do Ideal”, espetáculo francês criado em 1987 pelo ator e autor Philippe Etesse. Ela mesma assina a tradução da peça, que encerrou sua temporada no último fim de semana no Teatro Maison de France, no Centro. No palco, Nathalia interpreta cartas, declarações e poemas para reconstruir os últimos 20 anos da vida do pianista Frédric Chopin (1810-1849), que morreu aos 39 anos. Suas cenas são entremeadas pela música ao vivo apresentada pela pianista Clara Sverner, que já concorreu ao Grammy Latino por um álbum tocando justamente Chopin.

(Foto: Ligiane Braga)

No Brasil, a direção fica a cargo de José Possi Neto (de “O Musical Mamonas”), que separa de um lado a música do piano de Clara e do outro a palavra de Nathalia. Cenicamente, a separação é mesmo física. Uma à esquerda ao piano, a outra à direita em uma poltrona. Falta entrosamento. As duas facetas pouco se comunicam – como se o espectador visse duas apresentações independentes ao mesmo tempo. Como em um jogo de tênis, Nathalia dá sua cena, Clara toca uma música, Nathalia faz outra cena, Clara apresenta outra canção, e assim vai, com a bola de um lado para o outro. O formato cansa rapidamente. As interpretações dos recortes textuais não são tão atraentes, e as apresentações musicais revelam-se facilmente mais interessantes. Clara é precisa na execução do repertório clássico e entrega algo valioso para o público. As cenas de Nathalia, com saltos temporais e pluralidade de vozes masculinas, são maçantes. Ao invés de um espetáculo teatral, o resultado se aproxima mais de um concerto com teatralidade.

A montagem é ditada pela escuridão necessária para projeções. A cenografia de Chris Aizner valoriza um longa tela ao fundo do palco, que recebe o videomapping do VJ Alexandre Gonzáles. O vídeo designer é Laerte Késsimos. No geral, são cenários internos e externos digitalizados, diferentes para cada intenção do texto. Para que eles possam ser vistos, a iluminação de Wagner Freire é sublinhada pela penumbra. Os figurinos, de Miko Hashimoto, também são sóbrios. Some essa escuridão ao texto tedioso e o resultado é letárgico, infelizmente. Confesso que torci para que Chopin morresse logo e o espetáculo cessasse.

Por Leonardo Torres
Mestre em Artes da Cena e especialista em Jornalismo Cultural.

(Foto: Divulgação)

Ficha técnica
Concepção original: Philippe Etesse
Tradução: Nathalia Timberg
Direção: José Possi Neto
Elenco: Nathalia Timberg
Piano ao vivo: Clara Sverner
Cenografia: Chris Aizner
Desenho de luz: Wagner Freire
Figurinos: Miko Hashimoto
Criação e Direção Vídeo Mapping: VJ Alexandre Gonzáles
Vídeo Designer: Laerte Késsimos
Direção assistente: Renato Forner
Assistente de figurinos: Ana Key Kapaz
Fotos divulgação: Ronald Mendes ou Juliana Alabarse
Projeto Gráfico: Lucas Sancho
Iluminador: Marcel Rodrigues
Administração e Contratos: EXEDRA Consultoria
Produção executiva: Jessica Rodrigues e Victória Martinez
Coordenação de projetos: Contorno Produções e DCARTE
Realização: DCARTE e Gelatina Cultural
Produção Executiva CONTORNO Produções
Direção de produção: Danielle Cabral e Ricardo Grasson
Assessoria de imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany

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