Crítica: Evolução – Teatro em Cena
Crítica

Crítica: Evolução

Reconhecido em qualquer lugar pelos 13 anos que deu vida ao Beiçola da série “A Grande Família”, o ator Marcos Oliveira faz seu retorno aos palcos com a primeira peça de sua autoria, “Evolução”. É também o primeiro trabalho dele no teatro em quase cinco anos. O último foi o musical que todo mundo prefere esquecer “Barbaridade” (2015). O novo trabalho, infelizmente, também não é bem sucedido. Sozinho no palco, Marcos enfileira cenas supostamente cômicas mas com pouca ou nenhuma graça. A aposta no ridículo não decola e é triste de ver.

(Foto: Divulgação)

A dramaturgia se propõe a traçar um panorama rápido da evolução humana desde a Idade da Pedra até os dias atuais. Com fórmulas ultrapassadas de humor, a peça começa sua viagem pelo tempo tendo como fio condutor a relação do ser humano com o sexo e o amor. Cheio de piadas bobas sobre o ato sexual, Marcos demora a arrancar os primeiros risos condescendentes da plateia. Ele se esforça. Para cada cena, o ator troca os figurinos paupérrimos (assinados por ele e Lilly Clark) e assume uma nova personagem, em geral, feminina. Marcos dá vida a uma professora de literatura ensinando romantismo para a turma; a uma moradora de Copacabana que foi hippie nos anos 1970; e um Papai Noel decadente que trabalha em casas de swing (?). Os personagens são inconsistentes e as cenas – em formato de esquete – não se sustentam até o fim. O texto é extremamente repetitivo e repleto de excessos, o que atrapalha o timing do próprio ator-autor em cena, além de abusar da paciência do público. Definitivamente, não funciona. A peça se perde em si mesma. A cena do Papai Noel, desconectada de todo o resto, é incrível, no pior dos sentidos.

A montagem conta ainda com material audiovisual pré-gravado, exibido em um telão central, no interlúdio entre esquetes – tempo em que o ator sai do palco para trocar sua caracterização. O blackout para dirigir as atenções ao telão é o máximo de criatividade da iluminação de Fabio Ferrarese. Nos vídeos, Marcos aparece sempre como dois âncoras de um telejornal, um homem e uma mulher, costurando o texto com informações factuais sobre a evolução humana (como epidemias e guerras). A tentativa de explorar a linguagem televisiva tem clara intenção de divertir, o que não acontece. É tosca. Os vídeos, como os monólogos do ator no palco, duram mais tempo do que o suportável. Falta ritmo em todo o espetáculo – uma falha da direção de Marina Gil, incapaz de tornar texto mais fluido. Tomara que mudanças drásticas ocorram durante o tempo de vida do espetáculo: precisa melhorar um mínimo que seja para cobrar a entrada.

Por Leonardo Torres
Mestre em Artes da Cena e especialista em Jornalismo Cultural.

(Foto: Divulgação)

Ficha técnica

TEXTO: MARCOS OLIVEIRA

DIREÇÃO E TRILHA SONORA: MARINA GIL

ILUMINAÇÃO: FABIO FERRARESE

FIGURINOS: MARCOS OLIVEIRA E LILLY CLARK

CONFECÇÃO DE FIGURINOS: MACEDO LEAL

OPERADOR DE LUZ: FABIO FERRARESE

OPERADOR DE VÍDEO E SOM: BERNARDO SARDINHA

CONTRA REGRAGEM: LÉO SILVEIRA

DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: AMANDA XAVIER

PRODUÇÃO EXECUTIVA: ABAJOUR 202

FOTOS E VÍDEOS : ADALBERTO JUNIOR BRITTO

PROGRAMAÇÃO VISUAL: BERNARDO SARDINHA

ASSESSORIA DE IMPRENSA E DIVULGAÇÃO: DANILO MARCKS

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SERVIÇO: sáb, 20h; dom, 19h. R$ 40. 70 min. Classificação: 16 anos. De 9 até 24 de fevereiro. Teatro Municipal Ziembinski – Rua Heitor Beltrão, s/n – Tijuca. Tel: 3224-2003.

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