Crivella admite censura à peça: “não permitiremos” – Teatro em Cena
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Crivella admite censura à peça: “não permitiremos”

(Foto: Divulgação)

O prefeito Marcelo Crivella acabou admitindo que censurou a apresentação do espetáculo “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu”, que traz a travesti Renata Carvalho no papel de Jesus Cristo. Durante a abertura dos Jogos Estudantis no Parque Olímpico, na Barra, na quarta (6/6), o bispo licenciado foi questionado sobre o tema e respondeu o seguinte: “se você considera censura, eu vou dizer a você que é. É uma censura que garante os direitos de liberdade religiosa e das pessoas não serem ofendidas na sua liberdade religiosa. Não chamo isso de censura. Enquanto eu for prefeito, nos espaços públicos administrados pela prefeitura, nós não permitiremos qualquer manifestação que ofenda a religião das pessoas”.

O espetáculo já sofreu tentativas de censura em Jundiaí (SP) e em Salvador (BA). A apresentação no Rio de Janeiro estava confirmada até a última segunda (4/6), quando a produção da Mostra Corpos Visíveis recebeu uma negativa da Secretaria Municipal de Cultura (SMC). O monólogo, que tem cumprido turnê nacional, teria uma sessão única na Arena Carioca Fernando Torres, no Parque de Madureira, um espaço administrado pela prefeitura. Quando Crivella soube da programação, gravou um vídeo dizendo a peça “ofende a consciência dos cristãos”. “Na minha administração, nenhum espetáculo ou exposição vai ofender a religião das pessoas. Eu não vou permitir”, postou no Facebook.

Houve um protesto nesta semana contra o cancelamento do espetáculo e um novo diálogo entre a organização da mostra e a subsecretária de cultura Rachel Valença. Uma solução não foi encontrada. A produção do evento busca alternativas para garantir a realização de sua programação completa, incluindo o espetáculo alvo do veto. Pelo Facebook, Renata Carvalho, a protagonista de “O Evangelho….”, questiona a atitude do prefeito, ressaltando que ele nem viu nem leu a peça: “afinal, o que este espetáculo têm de ofensivo? É que ele equipara/ compara/ apresenta/ materializa/ assemelha Jesus de Nazaré em um corpo travesti. Jesus é a imagem e semelhança de todes, menos de nós pessoas trans – é inapropriado. (…) Precisamos desmistificar essa construção social que criminaliza nossos corpos, identidades e vivências trans”.

(Foto: Reprodução)

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