Diretor de Tim Maia, Cazuza e Cássia Eller, João Fonseca avisa: “cansei de musicais biográficos” – Teatro em Cena
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Diretor de Tim Maia, Cazuza e Cássia Eller, João Fonseca avisa: “cansei de musicais biográficos”

“Tim Maia – Vale Tudo, o Musical”, “Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz, o Musical” e “Cássia Eller – O Musical”. Esses são três dos trabalhos bem sucedidos do diretor João Fonseca no teatro, mas se engana quem pensa que vem uma nova biografia por aí. “Cansei de musical biográfico. Quero dar um tempo”, disse o diretor, em mesa no último dia do II Seminário Carioca de Teatro Musical, na semana passada, no Theatro Net Rio, em Copacabana. “Biografia por biografia não quero fazer agora. Adorei fazer as três, mas acho que já deu”.

João Fonseca no seminário (Foto: Reprodução / Facebook CEFTEM)

João Fonseca no seminário (Foto: Reprodução / Facebook CEFTEM)

Ao contrário de muitos, ele não é um crítico do gênero – nem poderia. Mas, antes de enveredar por essa vertente, ele admite que também não poupava críticas. “Eu falava mal pra caramba de musical biográfico. Achava sem graça, oportunista, tudo o que falam sobre meus espetáculos hoje em dia”. Ele só mudou de opinião quando se viu envolvido no projeto da peça sobre Tim Maia, há três anos. O espetáculo foi um sucesso comercial, e “Cazuza” e “Cássia Eller” vieram na esteira.

Hoje em dia, ele defende a vertente – embora não goste do verbo “defender”. Se faz, não precisa defender. Pensa assim. Mas João Fonseca tem um discurso pronto, com argumentos bem embasados. Diz que os musicais biográficos ampliaram o número de espectadores no teatro. “Eles conseguem romper com a resistência de quem odeia musicais. As pessoas vão porque são fãs das músicas ou do artista e podem se encantar pelo teatro musical”. Os números não negam. A peça do Tim Maia foi vista por mais de 100 mil pessoas, por exemplo.

"Tim Maia - Vale Tudo, o Musical" alçou Tiago Abravanel ao sucesso (Foto: Wayne Camargo/Divulgação)

“Tim Maia – Vale Tudo, o Musical” alçou Tiago Abravanel ao sucesso (Foto: Wayne Camargo/Divulgação)

O diretor garante que não tem fórmula, e que o segredo do seu sucesso é muita ralação. “Não tenho um método ortodoxo de trabalho. Não existe ‘isso está errado’, ‘isso não pode’. Comigo, tudo pode”, explica. “Sou um diretor maluco, porque não tenho medo de ser ruim, de marcar mal, de fala ruim. A gente faz e depois vai acertando”. Um dos seus últimos musicais não biográficos, “Rock in Rio – O Musical”, recebeu várias críticas. Além de ser considerado uma peça publicitária, ela foi considerada exaustiva por causa da longa duração (estreou com 3h10 de encenação). João admite o erro. “Estreamos com 10h de duração e, em São Paulo, fomos para 9h30”, brinca. “Ficou um espetáculo muito melhor lá, mais redondo”. Agora, vai para São Paulo outro musical com sua assinatura, “O Grande Circo Místico”, muito mais bem aceito.

Já há outros projetos musicais encaminhados, aliás. Além de supervisionar o trabalho de novos diretores, João Fonseca quer se dedicar a dois espetáculos especificamente. Um é “Bilac Vê Estrelas”, uma adaptação do livro homônimo do Ruy Castro, com música inéditas, que estão sendo compostas. O outro é ainda mais ousado e arriscado: uma versão musical de “O Beijo no Asfalto”, de Nelson Rodrigues. A ideia é do ator Claudio Lins (de “Elis, a Musical”), que está escrevendo as canções. “Pode ser que ninguém goste, mas acho que dá para fazer. ‘O Beijo No Asfalto’ é uma peça perfeita, impecável. Não há o que mexer. Quero estragá-la”, declara, com seu humor típico. “Estou super empolgado. As músicas estão ficando lindas. Eu acho divertido estraçalhar o clássico”. E essa já tem até previsão de estreia: setembro de 2015. É esperar para ver.

(Foto: Leonardo Torres)

(Foto: Leonardo Torres)

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