Marcelo Castro estreia no teatro musical de Nova York – Teatro em Cena
+ TeatroInternacional

Marcelo Castro estreia no teatro musical de Nova York

O diretor musical, regente, arranjador, preparador vocal e – ufa! – pianista Marcelo Castro, por trás de várias produções da Aventura Entretenimento e da Möeller e Botelho, deu mais um passo importante para sua carreira. Ele está cuidando dos arranjos de orquestra de um musical americano, chamado “What Do Critics Know”, que será apresentado em julho na Times Square como parte do New York Theatre Music Festival, de onde já saíram várias peças da Broadway. É a primeira vez que ele trabalha com teatro musical internacionalmente. “Sempre achei muito distante chegar fora do país como diretor ou arranjador. Existe muita gente capacitada por lá. Mas fiquei muito feliz de conseguir entrar, pelo menos um pouquinho, nesse espaço”, ele conta ao Teatro em Cena.

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

O autor do musical é Matthew Gurren, que conheceu o trabalho do Marcelo por meio de sua namorada, que é brasileira, e por outros amigos em comum. Quando esteve no Brasil, assistiu a “Os Saltimbancos Trapalhões – O Musical” (2014), no qual Marcelo é creditado pelos arranjos e pela regência, e ficou encantado. “O que me impressionou foi sua capacidade de criar um grande som com poucos instrumentos. Acho que eram só sete músicos no palco, mas parecia uma orquestra inteira da Broadway”, relembra. E era justamente isso que ele estava procurando para seu espetáculo. Marcelo é acostumado a esse tipo de minimização: para “Nine – Um Musical Felliniano”, reduziu uma orquestra de mais de 25 músicos para apenas nove. Matthew ama essa habilidade. O americano reconhece que há muitos profissionais talentosos nos Estados Unidos, mas diz que Marcelo se equipara ou até os supera. “Eu acho que o mundo está reconhecendo o Brasil como um dos melhores produtores de musicais e a qualidade das apresentações são certamente de grande calibre. Acho que esse é apenas o início das colaborações entre brasileiros e americanos”.

Confira alguns vídeos do trabalho do Marcelo em “Os Saltimbancos Trapalhões”:

Vencedor do Prêmio Shell por “Um Violinista no Telhado”, Marcelo conta que foi chamado para cuidar da direção musical de “What Do Critics Know”, mas optou por ficar só como arranjador da orquestra, por motivos de agenda. Ele ainda está envolvido com “BarbarIdade”, que vai para São Paulo, e não poderia se ausentar para ficar tanto tempo em Nova York. Mesmo o trabalho de arranjos está sendo feito via Internet. As grades de orquestra, os áudios, as partituras, tudo é acertado e transmitido por e-mail ou via Skype. E isso é o suficiente para ele perceber diferenças no método de trabalho. “Lá existe uma pessoa para cada função: diretor musical, supervisor musical, orquestrador, orquestrador de coreografias, arranjador de vozes, preparador vocal, além dos assistentes. Aqui reduzimos tudo em uma pessoa só”, aponta o profissional, que tem quase 20 espetáculos no currículo. “Ou seja, temos qualidade para executar as tarefas, mas precisamos de mais estrutura e conhecimento dessa área”.

Na opinião dele, ironicamente, a parte musical do teatro musical é deixada de lado no Brasil. “As produções, com exceções, estão mais preocupadas com coreografias e outras coisas. Se você reparar, as críticas que são feitas falam pouquíssimo, quando falam, da parte musical, que é fundamental nesse tipo de teatro. Nossos prêmios em teatro musical são feitos por bancas que muitas vezes nem tem músico. Como podem julgar as coisas assim? Apenas no ‘feeling’?”, questiona o músico, que ainda quer fazer muitos trabalhos em seu país, para participar dessa evolução necessária. “Temos sempre que aprender! Com todos! Se eu tiver oportunidade de trabalhar ainda mais com isso, de aprender ainda mais sobre isso, vou estar sempre disposto!”.

Marcelo com parceiros de trabalho: Laís Lenci e Susana Vieira, Nicola Lama, Charles Möeller, Fabiana Tolentino e Claudio Botelho (Fotos: Arquivo Pessoal)

Marcelo com parceiros de trabalho: Laís Lenci e Susana Vieira, Nicola Lama, Charles Möeller, Fabiana Tolentino e Claudio Botelho (Fotos: Arquivo Pessoal)

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

Comentários

comments