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Domínio Público faz duas únicas apresentações no Rio de Janeiro

(Foto: Humberto Araujo)

Um das estreias mais disputadas do Festival de Curitiba neste ano, “Domínio Público” chega ao Rio de Janeiro para duas únicas apresentações. O espetáculo reúne quatro artistas que viraram notícia por conta da onda conservadora e moralista que conduz o Brasil atualmente: Wagner Schwartz, o “nu do MAM”, Renata Carvalho, a “Jesus travesti”, Elisabete Finger, a “mãe da menina do MAM”, e Maikon K, o “nu da bolha”. Os quatro colaboraram na construção de um espetáculo inédito, em resposta aos ataques e censuras sofridos. O resultado pode ser visto nesta sexta (2/11) e no sábado (3/11) às 20h, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Centro, como parte do 27º Panorama Festival.

O espetáculo concebido é uma espécie de palestra sobre “Mona Lisa”, a pintura de Leonardo da Vinci que atrai multidões de turistas diariamente ao Museu do Louvre, em Paris. O intuito é mostrar como histórias externas à obra podem alterá-la definitivamente e marcá-la para sempre. “Mona Lisa”, no caso, foi roubada em 1911, o que ajudou a tornar célebre a pintura. A sinopse de “Domínio Público” diz: “a proposta é estabelecer relações entre as múltiplas interpretações projetadas sobre a Mona Lisa e as projeções criadas pela sociedade sobre as vidas, identidades e trabalhos de quatro performers em cena”.

(Foto: Annelize Tozetto)

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Tem tudo a ver com o que os quatro vivenciaram. Wagner foi chamado de pedófilo quando caiu na Internet uma foto de sua performance no Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo. Uma criança aparecia mexendo em seu pé, ao lado da mãe, a coreógrafa Elisabete Finger. Na performance, Wagner se colocava nu e à disposição do manuseio do público – como a série “Bichos” de Lygia Clark. O olhar do outro em uma foto descontextualizada não perdoou. “Eu recebi 150 mensagens me ameaçando de morte, queria uma parede blindada no teatro, achava que alguém poderia me dar um tiro”, ele relembrou, na ocasião da estreia de “Domínio Público”.

Wagner é autor de nove criações desde 2003 e já recebeu o Prêmio APCA de melhor projeto artístico. Renata Carvalho é atriz e diretora há 22 anos, autora do manifesto “Representatividade Trans”. Elisabete é coreógrafa e performer, com mestrado realizado em Berlim. Maikon K, por sua vez, trabalha com dança, performance e teatro, com pesquisa focada no corpo e sua capacidade de alterar percepções.

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SERVIÇO: sex e sáb, 20h. R$ 30. 50 min. Classificação: livre. Dias 2 e 3 de novembro. Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) – Rua Primeiro de Março, 66 – Centro. Tel: 3108-2100.

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