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Fernanda Montenegro defende artistas no “Faustão”: “não somos corruptos”

(Foto: Reprodução / TV Globo)

Fernanda Montenegro (de “Viver Sem Tempos Mortos”) usou a visibilidade do “Domingão do Faustão”, neste fim de semana, para defender a classe artística das críticas políticas relacionadas ao uso da Lei Rouanet (algo adotado inclusive pelo novo presidente Jair Bolsonaro). Ela foi homenageada no prêmio “Melhores do Ano”, escolhida por funcionários da TV Globo, ao lado de Adriana Esteves e Marieta Severo (de “Incêndios”), e comoveu a audiência com seu discurso. Fernanda Montenegro repetiu diversas vezes a frase “não somos corruptos”, pedindo ao público uma maior conscientização acerca da crise econômica e política na qual o Brasil foi afundado. Artistas têm sido chamados de “mamadores das tetas do Estado”.

Confira a fala da atriz na íntegra:

“É o seguinte… Nós somos de uma profissão digna. Nós somos parte de uma cultura teatral milenar. Não é possível fazerem de nós, gente de palco, atores de televisão e de cinema, responsáveis pela derrocada econômica deste país. Não somos corruptos. Não somos responsáveis pela crise de corrupção que o Brasil está passando. Se estende por este país, de uma forma ultrajante, uma visão negativa, torpe, agressiva, em cima de nós. Não somos responsáveis pela corrupção deste país através da Lei Rouanet. É preciso que busque as gangues onde elas estão. Aproveito o seu programa de tanta popularidade, onde você hoje apresentou dezenas de atores, de atrizes, e nós lembramos diretores, autores… não somos corruptos, gente! Eu sei que há uma terra de ninguém que é a Internet, tudo bem, então nós temos que, de uma maneira mais palpável, se posicionar. Somos dignos. Temos uma profissão extraordinária. Tenho certeza que pra nós é a maior profissão deste mundo. Podemos não ser prioritários. Não temos uma profissão prioritária, mas temos uma profissão libertária. Os nossos palcos, os nossos programas de TV ligados à dramaturgia, é uma busca constante de amplidão do imaginário, da sensibilidade, e isso nos leva a uma integração de nação, de cultura. Não somos corruptos. Não somos isso que, de uma forma agressiva, nos jogam brutalmente. Não somos ladrões diante da Lei Rouanet. Procurem os verdadeiros buracos corruptos deste país. Eu agradeço você [Faustão] dar essa oportunidade, porque Marieta também já se posicionou, como eu sei que a qualquer hora que houver chance você [Adriana] vai se posicionar. Então este momento é lindo, gente. É uma prova que existe uma arte neste país. Todos nós temos não só a televisão: nós temos o teatro, o cinema, professores de arte dramática, dubladores. Tudo vive de um processo cuja raiz é o teatro. Agradeço estar aqui com minhas amigas. Eu digo a você [Adriana] que você vai chegar aos 75 anos da mesma maneira que você tem a sua emoção e achando que talvez o seu talento, ou a sua resistência, vai melhorar. Não, minha filha, você vai caminhar, como se caminha – um personagem bom, um personagem que se alcança, um personagem que não se alcança. Mas a gente botou o pé nesse palco – né Marieta? – é para sempre. Às vezes se estreia maravilhosamente bem e se morre nesta profissão maravilhosamente bem” (sic)

Em novembro do ano passado, Fernanda Montenegro acionou o Facebook após receber ataques de ódio de internautas. Depois de usar sua fanpage oficial para defender a liberdade de expressão, ela foi insultada e recebeu até ameaças de morte. Na época, sua produtora Carmen Mello divulgou que a rede social se limitou apenas a sugerir o bloqueio dos usuários: “a resposta que o Facebook nos deu foi que as pessoas não ultrapassaram nenhuma linha, não cometeram nenhum pecado ao usar palavras de morte”. A filha Fernanda Torres (de “A Casa dos Budas Ditosos”) criticou a postura do site na ocasião: “se você pagar um peitinho, a nudez no Facebook é totalmente vilanizada, mas pode postar metralhadora, ameaça de morte, xingar do que for que não fere ‘os padrões da comunidade’. Daqui a pouco, vão dizer que vão matar e vão matar… O Facebook é um alienígena e está sendo usado para eleger o (Donald) Trump, por exemplo. A tecnologia chegou antes da legislação sobre ela”.

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