Especial Festival de Curitiba

Festival de Curitiba: performer fica nu e bêbado fumando no palco

Os 40 minutos de duração de “Transobjeto”, performance de dança de Wagner Schwartz, foram suficientes para impactar a plateia do Teatro da Reitoria, no sétimo dia do Festival de Curitiba. O coreógrafo impressionou por seu contorcionismo, nu em pelo, e também os caminhos da performance. No palco, ele pede um cigarro para o público, e realmente fuma, além de preparar brutamente – e tomar sequentemente – cinco drinques de frutas esmagadas por ele aos olhos dos espectadores. No fim da sessão, os aplausos demoraram a vir, mas vêm.

(Foto: Virginia Benevuto)

(Foto: Virginia Benevuto)

(Foto: Virginia Benevuto)

Wagner Schwartz é um dos artistas residentes do festival, que tem curadoria dos diretores Guilherme Weber (de “Os Realistas”) e Marcio Abreu (de “Krum”). “Transobjeto” estreou em 2004 e foi remontado em 2014, partindo de uma investigação permanente sobre corpo, presença, alteridade e espaço. Para esse trabalho, as referências declaradas são Hélio Oiticica, Lygia Clark e Caetano Veloso. Mas a inspiração inicial foi um livro da escritora português Maria Gabriela Llansol, de quem ele é fã.

Depois da apresentação, Wagner participou de um bate-papo com parte do público. A maioria foi embora. Ao responder as perguntas, ele admitiu que estava bêbado – e lento. “O álcool está agindo. Em 2004, meu corpo se permitia ser mais embriagado. Hoje, o corpo tem receio. Quando o corpo envelheceu, passei a tomar cuidados sérios para fazer esse trabalho, como comer antes de subir no palco”, disse o artista, “mas é importante sair um pouco de mim. Jamais acho que vocês estão vendo um espetáculo. Pobre de quem pensa isso. Para mim, a gente está aqui vivendo uma experiência”.

Dizendo-se encarnado em um tropicalismo tardio, o performer afirma que quer fazer “Transobjeto” por muito tempo. “É meu o que não interessa”, declarou, “a questão política não mudou. A pedra no meio do caminho ainda está lá. Ninguém conseguiu tirar. Vivemos atualmente o rapto de nossa subjetividade”.

“Transobjeto” tem outra sessão nesta terça (4/4), no Teatro da Reitoria. Os ingressos custam R$ 40.

(Foto: Virginia Benevuto)

(Foto: Virginia Benevuto)

(Foto: Virginia Benevuto)

*O Teatro em Cena viajou a convite da produção do festival.

Comentários

comments