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Fruto de residência artística, coletivo faz apresentação no Teatro Poeira

Durante a temporada do aclamado “BR Trans”, o ator Silvero Pereira e a diretora Jezebel de Carli promoveram uma residência artística no Teatro Poeira, em Botafogo. Foram três meses de experimentação no campo criativo, a partir de dispositivos de gênero e performatividade. O encontro deu origem ao Controversa Coletivo, com os atores que participaram da residência, e eles estão com uma apresentação marcada para segunda (29/8), às 20h, no próprio Poeira. O encerramento da residência será simbolizado com o exercício cênico “Desviada – Animais na Pista”. Para conferir, é só chegar (cedo): a entrada é gratuita (sujeita a lotação).

(Foto: Divulgação)

(Foto: Divulgação)

O que esperar dessa apresentação? O que os artistas estão construindo a partir das pesquisas e exercícios realizados. É um work in progress. A montagem é baseada em jogos de improviso, performances, re-escrituras pessoais e leitura de autores como Chico Buarque, Clarice Lispector, Plínio Marcos e Caio Fernando Abreu. “O que o público pode esperar é algo vivo, que é nosso, mas que também faz parte do mundo de muita gente que irá nos assistir”, conta Aron Costa (de “Orfeu – O Menino Que Sonhava Em Samba”), um dos 15 nomes que estarão em cena. Seu colega de cena Filipe Ribeiro (de “Dzi Croquettes em Bandália”) completa: “Levantamos muito material cênico e dramatúrgico. Este trabalho é 1/3 do que já temos e a urgência da cena é lapidada com muito cuidado pela direção. Um trabalho sensível”.

Os materiais operam sobre “corpos desviantes”, termo que Jezebel usa em sua pesquisa sobre corpos não-heteronormativos, fora do padrão social. Na mensagem enviada à imprensa, o coletivo fala em “corpos éticos e políticos, montarias para inventar gestos e ações que possam romper com as normas compulsórias de gênero e sexo”. Para chegar a esse lugar, a residência também contou com colaboração de Rafael Barbosa, com toques dramatúrgicos, e Ana Luiza Bergmann, que trabalhou com bufão com eles por uma semana.

(Foto: Divulgação)

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– Estar em contato com artistas tão intensos e coesos na arte de criar nos remeteu a um plano de trabalho excitante e investigador. Momentos como a recepção de Silvero Pereira ao som de “No quiero sus bejos” no primeiro dia de trabalho foi mágico. Passar cinco dias em convivência artística com a Jezebel e ao fim do dia ela relatar que éramos um encontro teatral importante foi outro momento. E nós, o coletivo, nos reconhecemos depois das performances apresentadas individualmente, um se reconheceu nas dores e amores do outro. – conta Filipe.

Eduardo Ibraim (de “Corações Solitários”), Fernanda Báfica (de “Nada Menos Que Muito”), Flávia Coutinho (de “Próxima Parada”), Igor Veloso (de “Entre o Amor e a Espada”), João Fontenele, Juracy de Oliveira (de “Mercedes”), Leonardo Paixão (de “Melodrama da Meia Noite”), Lucas Valentim (de “Grandjean, le Soleil”), Nina Fachinello, Rafael Annarolli, Samuel Belo, Vanessa Garcia (de “À Gaivota”) e Will Lopes completam os artistas do coletivo, que pretende continuar pesquisando e atuando em diversas plataformas.

– Silvero tem muita força na expressão e no corpo, e nos preparou de forma intensa para tentar chegar nesse estado de prontidão. E a Jezebel é incrível. A maneira como ela nos direciona, o olhar cauteloso… Ela é muito inteligente e usufrui essa sabedoria de forma exemplar em seus jogos e na direção do espetáculo. – conclui Aron, o mais jovem do coletivo, com 18 anos.

(Foto: Reprodução / Instagram)

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