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“Indicações a prêmios trazem holofotes à peça”, diz Rafael Primot

Toda a equipe da peça “Uma Vida Boa” está feliz da vida. O espetáculo, em cartaz no Centro Cultural Justiça Federal, recebeu três indicações ao Prêmio Cesgranrio: texto nacional inédito (Rafael Primot), atriz (Amanda Vides Veras) e iluminação (Daniel Sanchez). “O que me deixa mais contente é que as indicações a prêmios acabam trazendo um pouco os holofotes para o espetáculo, seu tema e nossa reflexão em cena. Isso é maravilhoso para nós que fazemos, produzimos e criamos arte”, declarou o dramaturgo ao Teatro em Cena.

Julianne Trevisol, Amanda Vides Veras e Daniel Chagas: elenco de "Uma Vida Boa" (Foto: Renato Mangolin)

Julianne Trevisol, Amanda Vides Veras e Daniel Chagas: elenco de “Uma Vida Boa” (Foto: Renato Mangolin)

“Uma Vida Boa” recebeu as nomeações por sua temporada no Oi Futuro Flamengo, em uma sala que acomodava apenas 63 espectadores por sessão. Além disso, a peça era classificada para maiores de 18 anos – o que também limitava a abrangência do público. Mas a crítica aprovou o trabalho, que trata de transexualidade, intolerância, abuso sexual e homicídio, nesta ordem. “Pelo tema, que é tão indigesto e pouco discutido na sociedade, imaginava que faríamos uma temporada mais ‘esquecida’ e acreditava que dificilmente uma indicação a algum prêmio tão bacana e ‘mainstream’ aconteceria”, diz Primot, que teve seu texto dirigido por Diogo Liberano (de “Vermelho Amargo”).

Resenha: “Uma Vida Boa” reflete intolerância contra transexuais com crueza

A trama é inspirada no crime real que aconteceu nos EUA em 1993 e serviu de base para o filme “Meninos Não Choram”, que deu o Oscar à atriz Hilary Swank. No espetáculo, o menino aprisionado no corpo de menina, e posteriormente assassinado, é interpretado por Amanda Vides Veras, que passou por uma transformação física em sua preparação. Ela desenvolveu a musculatura dos braços, usou ataduras para prender os seios, cortou o cabelo e deixou de fazer as unhas e as sobrancelhas. “Tudo o que eu queria era contar essa história! Era exercer a minha função de atriz, me jogando de corpo e alma em um projeto em que realmente acreditava!”, Amanda conta ao site. “Foram dois anos de esforço e dedicação a este projeto, e toda uma vida dedicada à carreira. Ser reconhecida [com a indicação ao prêmio] é maravilhoso!”. Ela concorrerá ao troféu contra Isabel Teixeira (de “E Se Elas Fossem Para Moscou?”), Carolina Ferman (de “Desalinho”) e quem mais for indicada no segundo semestre.

Recém iniciada, a nova temporada conta com o fôlego a mais das indicações. As sessões ocorrem quartas e quintas, sempre às 19h, no Centro Cultural Justiça Federal, que fica na Avenida Rio Branco, próximo à estação de metrô Cinelândia. Os ingressos custam R$ 30, e a classificação indicativa foi baixada par 16 anos. A temporada vai até o dia 21 de agosto. “E – tomara a Deus! – esta peça circule bastante”, diz Primot.

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