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Jefferson Schroeder estreia como dramaturgo em comédia solo

O ator Jefferson Schroeder (de “Os Inadequados”) mostra ao público, pela primeira vez, seu trabalho de dramaturgo. Ele estreia nesta semana a comédia solo de sua autoria “A Produtora e a Gaivota”, no Espaço Cultural Sérgio Porto, no Humaitá. Travestido em cena, ele dá vida a uma produtora picareta chamada Meire Sabatine, que tem que enrolar a plateia enquanto o elenco da peça “A Gaivota”, de Tchekhov, não chega, por estar preso em um engarrafamento. Conclusão: ela acaba contando a história da peça para o público.

(Foto: Thiago de Lucena)

– Criei a personagem Meire Sabatine há cinco anos a partir de uma região da minha voz que eu ainda não tinha explorado. Surgiu então uma produtora teatral picareta que não gosta de teatro. Ao longo destes anos brinquei com a mente desta mulher ao ponto de querer fazer uma peça para ela. – Schroeder conta ao Teatro em Cena – É muito interessante essa sensação de dizer o que você quer em um formato para o público. Pois a obra tem um caminho quase que independente do desejo do criador. Sinto que cada obra sugere uma vida própria, que ela mesma diz o que pode ou não ser dito dentro dela. Deixei então a peça ir falando junto comigo. E agora vejo que consegui desta forma dizer o que eu queria sem tentar me impor ao fluxo natural da peça.

“A Produtora e a Gaivota”, além de ser o primeiro texto montado de Jefferson Schroeder, marca também sua estreia em um monólogo. O ator é integrante da Cia. OmondÉ e está mais acostumado a elencos médios e grandes. “Claro que estar sozinho no palco por um tempo grande te deixa de certa forma mais exposto. Mas tanto nos ensaios, com direção e equipe, quanto depois, com a peça em cartaz, com o público, creio que não estarei sozinho”, diz o ator, que volta a ser dirigido por João Fonseca – com quem trabalhou em “O Livro dos Monstros Guardados” em 2015.

Jefferson sem a caracterização (Foto: Reprodução)

João, para quem não sabe, assina a direção de outro importante monólogo de ator travestido: “Minha Mãe É uma Peça” (2006), que se tornou um enorme sucesso e foi adaptado para o cinema, tornando-se blockbuster. Schroeder, aliás, atua no filme – na pele do sobrinho de Dona Hermínia. Será que seu solo também alçará grandes voos? “Que pressão!”, ele ri, “o João brinca de dizer isso às vezes. Que Meire deve pensar ‘outra peça com homem vestido de mulher?’. Realmente o sucesso do Paulo é astronômico com esta peça. O efeito da minha ainda é um baú fechado. Não tenho ideia de como será a recepção do público. Dentro de mim ela ocupa todo o meu amor e tem me feito muito feliz. E quando a gente consegue amar e ser feliz, já vivemos um sucesso”.

O início da trajetória é meio parecido. “Minha Mãe é uma Peça” estreou na pequena sala do Teatro Cândido Mendes, sem patrocínio, antes de virar turnê nacional por grandes salas. “A Produtora e a Gaivota” também é um projeto independente de Jefferson Schroeder: “mas sinto que a falta do dinheiro, que gera até um impulso mais forte – no desejo de concretizar tudo da melhor forma, contribui para essa peça especificamente. Pois esta peça, de alguma forma, fala das dificuldades que a arte enfrenta e do quanto nós artistas estamos ficando órfãos de um amparo governamental. Levantamos, eu e meus parceiros, para dizer que estamos aqui firmes em nossos sonhos, apesar de tudo”.

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SERVIÇO: sáb a seg, 19h. R$ 30. 70 min. Classificação: 12 anos. Até 12 de junho. Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto – Rua Humaitá, 163 – Humaitá. Tel: 2535-3846.

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