Entrevista

Jeniffer Nascimento estrela retorno de Confissões de Adolescente

(Foto: Drica Donato)

(Foto: Drica Donato)

Avisa à galera que “Confissões de Adolescente” vai voltar aos palcos! Jeniffer Nascimento (de “Hairspray” e “Hair”) é um dos destaques do elenco da nova montagem, dirigida por Bia Oliveira (de “Conto de Verão”), e terá o privilégio de atuar ao lado do namorado, Jean Amorim (de “Na Pista”). Os dois foram convidados pela diretora e ensaiam há um mês para a estreia no Teatro Popular Oscar Niemeyer, em Niterói. O objetivo é resgatar o texto original de Maria Mariana, prima de Bia, sem deixá-lo tão datado, para que se comunique tanto com a geração dos anos 90 (que cultua a peça até hoje) quanto com quem está na adolescência hoje em dia. O poder do espetáculo, que já virou livro, série de TV e filme, está para lá de comprovado. Jeniffer, que tem 22 anos, acredita que todo mundo se identifica com o conteúdo, porque já passou ou está vivendo algo parecido. Temas como primeiro beijo, perda da virgindade, escolha da profissão, drogas, gravidez na adolescência, amizade, namoro são corriqueiros e todo mundo tem uma história para contar.

– Eu tenho um texto na peça que falo uma frase tipo assim: “como é bom ser mulher, como é bom sentir esse molejo de amor machucado”. Eu era uma adolescente que amava sofrer por amor. Sempre fui muito dramática. Adorava botar o CD da Wanessa Camargo e cantar e chorar. Ficar me confessando para o espelho. É tudo muito intenso nessa fase. Eu amava sofrer. Era muito dramática. – relembra, em entrevista ao Teatro em Cena – Eu tinha o costume de me apaixonar por meus melhores amigos e aí eu não sabia como falar para eles, porque não queria perder a amizade. Isso era uma dúvida e uma angústia muito grande pra mim, porque ao mesmo tempo que eu queria falar e ser mais que amiga, muitas vezes eu nem falava para não perder a amizade. Preferia ter só como amigo do que distanciar aquela pessoa que era importante para mim.

“Confissões de Adolescente” estreou em 1992 no porão da Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema. É um espetáculo baseado no diário pessoal de Maria Mariana, filho do dramaturgo e diretor Domingos Oliveira. Na época, ela tinha apenas 19 anos e chamou as amigas Carol Machado, Ingrid Guimarães (de “Razões Para Ser Bonita”) e Patrícia Perrone para contracenarem com ela. Foi um tremendo sucesso, fez turnê e lotou teatros por todo país. O público juvenil não tinha um espetáculo que falasse tão bem a sua língua. O texto foi publicado e vendeu 200 mil exemplares. Dois anos depois, estreou na TV Cultura a série homônima, que tornou “Confissões” cult de vez – com Maria Mariana, Daniele Valente (de “100 Dicas Para Arranjar Namorado”), Georgiana Góes (de “Sonhos de um Sedutor”) e Deborah Secco (de “Mais Uma Vez Amor”) no elenco. De lá para cá, foram muitas montagens embaladas por “Sina”, do Djavan, e teve até um filme em 2014, com Sophia Abrahão, Malu Rodrigues (de “Nine – Um Musical Felliniano”), Clara Tiezzi (de “#Meninos e Meninas”) e Isabella Camero (de “Vida, o Musical”) nos papeis principais. No palco, atrizes como Carolina Dieckmann, Clarice Falcão e Sophie Charlotte já viveram as personagens.

"Confissões de Adolescente": elenco de 2016 (Foto: Drica Donato)

“Confissões de Adolescente”: elenco de 2016 (Foto: Drica Donato)

Jeniffer e o novo elenco, formado por Giulia Costa (da novela “Malhação”), Ana Vitória Bastos (de “Conto de Verão”) e Fernanda Alice – sabem que tem um trabalho icônico nas mãos e prometem fazer a versão delas. Jean Amorim, seu namorado, é a novidade da montagem: um garoto. Ele interpretará todos os personagens masculinos mencionados pelas meninas.

– Como temos pouco tempo de ensaio, porque começou há um mês, eu achei que teríamos uma referência de alguma montagem para fazer algo parecido. Mas não. A Bia deixou a gente criar bastante em cima do texto e isso foi muito legal. Eu não tenho nenhuma referência do que já foi. Nunca vi a peça, nem o filme, só alguns episódios da série, para não dizer que não vi nada. A gente está criando a partir dos nossos artifícios mesmo, e o que a Bia dá de feedback para nós. – conta a atriz, que também está no ar na novela “Êta Mundo Bom!”, tendo que conciliar gravações e ensaios – Os ensaios são mais ou menos baseados no meu roteiro de gravações e no roteiro da Giulia. É muito difícil conciliar duas pessoas que estão no ar, mas a gente tem feito muitos ensaios separados também. Como “Confissões” tem muitos monólogos, a gente consegue trabalhar o todo e separadamente também.

Ter o namorado no elenco também ajuda. Esse é o terceiro trabalho deles juntos. Eles trocam ideias, se dão toques e usam experiências do dia-a-dia para se comunicar nos ensaios. “Por exemplo, ele falou uma vez: ‘sabe quando você fica brava comigo? Pensa nisso, é meio assim que você pode falar’. É muito maneira essa relação. A gente já tem uma parceria muito grande e se respeita muito como profissional”. Quando a diretora os convidou, perguntou se seria um problema trabalharem juntos, porque alguns casais de atores não gostam. Certamente não é o caso deles: adoram.

Jean Amorim e Jeniffer Nascimento: parceria (Foto: Reprodução)

Jean Amorim e Jeniffer Nascimento: parceria (Foto: Reprodução)

Nem tudo é festa em “Confissões”, porém. A dramaturgia trata de temas delicados, como drogas e gravidez na adolescência, esbarrando no tabu do aborto. Jeniffer considera o assunto muito delicado e complexo. Sua melhor amiga engravidou aos 17 anos e foi um baque. Elas tinham sonhos parecidos, corriam atrás deles juntas e, de repente, uma barrigona no caminho. “É como você estar em uma corrida e de repente deixar alguém para trás e continuar correndo, sabe?”. A menina teve que abrir mão dos sonhos para trabalhar e cuidar do filho. “É uma questão muito complicada”.

Um dos momentos da peça com o qual Jeniffer mais se identifica é o que trata do primeiro beijo. Ela lembra bem como foi o dela: aos 11 anos, em uma festa de Halloween da escola. Estava fantasiada de diabinha e o menino de vampiro. “Foi muito engraçado! Estava tocando ‘Me Namora’, a gente se beijou de olho aberto e foi horrível!”, ri ao lembrar. Perdeu o BV como a maioria das pessoas: de uma forma completamente diferente da idealizada. “Apesar do meu romantismo e tudo mais, sempre fui uma pessoa muito decidida. Quando decidi que queria dar meu primeiro beijo, simplesmente fui e dei meu primeiro beijo. Não fiquei esperando ser o cara que eu era apaixonada…”. E quando o assunto é a perda da virgindade, então?

– Essa expectativa de perder a virgindade é o que eu lembro muito. A gente cria e idealiza todo o momento, como a gente quer que aconteça. Quando a gente é adolescente, acha que pode idealizar uma coisa e que vai ser como o planejado. Mas não é assim, né? A menina espera o momento certo, porque ela quer que aconteça assim e assado, e no fim das contas nunca acontece como as pessoas planejam. – observa a atriz e cantora, que já fez outros trabalhos para o público juvenil, como a novela “Malhação”, a peça-série “Na Pista” e o grupo musical Girls.

Para ela, o melhor de “Confissões” é aproximar pais e filhos e proporcionar o diálogo. “Isso é uma coisa essencial: ter seu pai como amigo e não como inimigo, que você vai ter que ficar mentindo o tempo todo”. Ela lembra que a relação dela em casa sempre foi a melhor possível. O pai dela era o que levava e buscava todo mundo na balada, e voltava ouvindo todas as histórias no carro. Como Jeniffer trabalha desde cedo fazendo peças teatrais, às vezes ela só podia entrar em algumas festas acompanhada dos pais, por ser menor de idade, e isso não era nenhum problema. “Nunca fui aquela adolescente que falava ‘ai, que saco, meus pais vão comigo’. Eu me divertia super. Sempre os vi como meus companheiros”. Com a peça, espera despertar essa aproximação familiar no público.

(Foto: Drica Donato)

(Foto: Drica Donato)

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SERVIÇO: sex, 21h; sáb, 20h; dom, 19h. 60 min. Classificação: 12 anos. Até 26 de junho. Teatro Popular Oscar Niemeyer – Av. Jornalista Rogério Coelho Neto, s/n – Niterói. Tel: 2621-5104.

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