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João Fonseca revela que ator ficou pelado e fumou maconha em teste para Cazuza

Sala de audição para “Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz, o Musical”. O diretor João Fonseca, vindo do sucesso de “Tim Maia – Vale Tudo, o Musical”, avalia diversos atores para o espetáculo. O resultado todo mundo sabe: Emílio Dantas (de “Rock in Rio – O Musical”) ficou com o papel principal. Mas há outro candidato que nunca será esquecido. Ele chegou, pediu para se preparar, tirou a roupa e, para completar, acendeu um baseado na frente de todos. A bizarrice sacudiu a banca.

Candidato perdeu a linha para integrar elenco do musical do Cazuza (Foto: Divulgação)

Candidato perdeu a linha para integrar elenco do musical do Cazuza (Foto: Divulgação)

– Não sei se existe alguma gafe maior do que a daquele menino. No “Cazuza”, a gente não tinha a [produtora de elenco] Marcela Altberg. A gente estava com a Cibele Santa Cruz e eu me metia mais nos currículos. Eu olhava e mandava chamar sem saber quem era, sem nunca ter visto. Eu arrisco. Esse menino veio de paraquedas, não tinha a menor noção. – lembra o diretor, em seminário no Theatro Net Rio, em Copacabana. – Ele ficou pelado e falei “tá, ele tá pelado, ok, vamos lá”. Ele começou a fazer e daqui a pouco acendeu um baseado. Eu falei “para!”. Aí ele: “por quê? não pode?”. Falei: “amor, não pode em nenhum lugar, é proibido, né? Você quer que a produção seja expulsa daqui?”.

Histórias de audições não faltam para o diretor, que só no ano passado assinou “O Grande Circo Místico”, “Cássia Eller – O Musical” e “Bilac Vê Estrelas”. Além do peladão maconheiro, João também já teve que lidar com uma candidata que bateu na cara dele durante o teste. Era para “Rock In Rio – O Musical”, encomendado por Roberto Medina.

João Fonseca no seminário do CEFTEM (Foto: Leonardo Torres0

João Fonseca no seminário do CEFTEM (Foto: Leonardo Torres0

– Ela estava cantando “Pessoa Nefasta” [do Gilberto Gil], veio se aproximando de mim na mesa, chegou e me deu um tapa! Depois, eu falei para ela: você sabe que podia estar reprovada ali, né? É risco demais. Eu podia ter parado o teste, se fosse outra pessoa. Tem vários diretores que conheço que teriam mandado ela embora ali na hora.

Ele entende, no entanto, que algumas pessoas percam a noção no desespero por se sobressair nas audições para essas grandes produções de alta visibilidade e cachês rentáveis. João vê o teste como um instrumento necessário, mas não prazeroso. Ele, particularmente, os detesta, e acha a posição de avaliador muito cruel.

– Eu tento deixar a pessoa o mais à vontade possível, e tento entender que todo mundo ali teve um raciocínio, mesmo essa que me deu um tapa e o outro que ficou pelado. Essa profissão é muito difícil, e todo mundo está muito sedento por uma chance e um emprego. Estar nesta posição de resolver isso é uma responsabilidade muito grande e uma energia muito difícil. Eu geralmente não gosto.

Em "Rock in Rio - O Musical", equipe criativa se desafiou a fazer audições para entender lado dos candidatos (Foto: Divulgação)

Em “Rock in Rio – O Musical”, equipe criativa se desafiou a fazer audições para entender lado dos candidatos (Foto: Divulgação)

No “Rock in Rio”, quando levou o tapa, João Fonseca propôs aos membros da banca que passassem por uma audição fictícia para entender a situação dos candidatos. Assim, o dramaturgo Rodrigo Nogueira (de “Chacrinha – O Musical”), a produtora Aniela Jordan (da Aventura Entretenimento) e a diretora musical Délia Fischer (de “Chacrinha – O Musical”) assumiram o lugar dos atores, com os avaliadores e a câmera na frente. E, mesmo não tendo nada em jogo, foi difícil.

– A gente não tinha nada a perder e tremeu. Ficou todo mundo muito nervoso. Foi muito difícil. É bom a gente sentir isso. É difícil. Eu tenho que ser cúmplice daquela pessoa. Eu sei, quando vejo uma audição, que não há ser humano que não fique nervoso, que não se atrapalhe e que não possa cometer gafe. É válido. Eu não tenho fórmula.

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