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Juliana Terra encena monólogo em casa no Jardim Botânico

É cada vez mais comum assistir a espetáculos em espaços residenciais no Rio de Janeiro. Na falta de pauta em teatros, produções se viram e se adaptam em apartamentos. Às vezes, o elenco abre as portas para os espectadores. Em outros casos, em esquema delivery, são os moradores que recebem as peças na sala de suas casas. “Quem Sabe Aqui”, monólogo da atriz Juliana Terra (de “Sarau das Putas”), foi concebido para ser montado em uma residência no Jardim Botânico. Quer dizer, não uma, mas a residência – a residência em que Carol Chediak, parceira no texto e na direção, morou na infância.

(Foto: Divulgação)

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“Acredito que temos uma carência de teatros no Rio, e nem sempre é fácil conseguir pauta”, Juliana admite, em entrevista concedida ao Teatro em Cena. Mas o caso dela é particular. A proposta da peça é realmente acontecer em uma casa – “em qualquer lugar do mundo, mas dentro de casa”. A ideia foi da diretora Inez Viana (de “Cock – Briga de Galo”), que assina a supervisão do espetáculo. Quando leu o texto, que fala justamente do retorno da personagem à casa em que morou quando era criança, Inez sugeriu que a montagem fosse lá. A residência do Jardim Botânico, onde elas já ensaiavam, era a principal inspiração para a história. Na trama, o local ficou fechado por oito anos, repleto de caixas. Na vida real, também.

O diálogo entre ficção e autobiografia, com o uso da casa real, favoreceu muito o espetáculo, na opinião da atriz. Mas também trouxe muitos desafios técnicos. Elas tiveram que sonorizar e instalar câmeras em todos os cômodos, por exemplo, para que a operação de luz e som fosse feita por uma central de controle no segundo andar. Todos os cômodos, na verdade, foram adaptados – porque são utilizados na apresentação, que ocorre de maneira itinerante. A biblioteca recebeu uma performance; um dos quartos, um piano; a banheira, a projeção de um vídeo… Tem isso: “Quem Sabe Aqui” mescla diferentes linguagens artísticas. Carol Chediak é artista visual.

(Foto: Divulgação)

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Aliás, para ela, que é dona da casa, o trabalho teve uma importância ainda maior. Voltar ao lar, como a personagem do espetáculo, suscitou o desejo de viver ali novamente. “Ela resolveu voltar a morar lá na casa ao fim da temporada. Como estamos filmando todo o processo, decidimos fazer um documentário, incluindo a obra que será feita até a mudança dela com os filhos”, conta Juliana. O filme será mais um passo no conceito multimídia do projeto.

Por sessão, Juliana recebe apenas 20 espectadores. Ela prefere chamá-los de convidados, porque eles são inseridos na peça, como se a personagem estivesse recebendo uma visita. Mas os “convidados” pagam. Os ingressos custam R$ 80, e são vendidos antecipadamente, com entrega a domicílio. Como não há bilheteria, a produção optou pela venda por telefone (98633-7074), em horário comercial. É importante frisar: não há venda na hora. No primeiro fim de semana, deu certo, e o clima intimista agradou. “A resposta geral foi excelente. As pessoas se sentem acolhidas e ao mesmo tempo convidadas a revisitar suas memórias”, ressalta a atriz. “Recebemos ótimos feedbacks por e-mail, com histórias pessoais e algumas pessoas que já compraram para ir novamente”.

A temporada vai até 2 de novembro, com apresentações sextas e sábados às 21h e domingos às 20h. A residência fica na Rua Corcovado, nº 146, no Jardim Botânico, e a entrada é pela Lopes Quintas. A classificação é de 14 anos.

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