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Junior Dantas é O Pequeno Príncipe Preto e questiona papéis dados a negros

(Foto: Rodrigo Menezes)

“O Pequeno Príncipe Preto”: o título é autoexplicativo. A partir do próximo sábado (9/6), o ator Junior Dantas (de “As Malditas”) sobe ao palco na pele do famoso personagem da literatura no Teatro Glauce Rocha, no Centro. A diferença, desta vez, é que o príncipe é negro. O espetáculo, voltado para o público infantil, pretende valorizar a cultura negra e empoderar crianças e adolescentes que ainda não se veem representados na maioria dos livros e brinquedos que lhes são oferecidos. “Vivemos em uma sociedade na qual o ‘padrão’ de beleza europeu decide o que é bonito. O preconceito racial é muito embutido. A partir do momento que só escalam atores brancos, com cabelos lisos e de classe média alta, os negros nunca serão empregados”, o ator diz ao Teatro em Cena, “preto não pode fazer personagem bem sucedido, fazer rico, ter uma profissão de sucesso. Só nos dão personagens de porteiro, jogador de futebol, vendedor, cantor de samba, bandido e para abrir portas”.

Junior integra a famosa cia. carioca OmondÉ há nove anos, mas sua infância foi em Ipueira, no interior do Rio Grande do Norte. Não havia internet e a televisão só pegava um canal. As referências eram poucas – o controverso Saci Pererê e a empregada Tia Anastácia. “Não lembro de ter super-heróis pretos, mas posso citar vários personagens brancos com roupas das cores da bandeira dos Estados Unidos. Eu sempre questionava por que os bonecos, as imagens dos livros, não se pareciam com a maioria das crianças. É importante que elas cresçam com referências positivas e se identificando com os personagens”, pondera. Com esse espetáculo, ele pode ocupar essa lacuna. Além da representatividade, “O Pequeno Príncipe Preto” tem como proposta ressignificar a cultura afro-brasileira, sempre lembrada pela escravidão. A trilha sonora é marcada por tambores e trabalha com lundu, kuduro, jazz e soul.

– Eu acredito que este espetáculo vai levantar questões e abrir um diálogo entre as pessoas. Eu não lembro de conversar com minha família sobre os tons da pele, cabelo crespo, características físicas. É importante mudarmos a ideia de que tudo que é preto é feio, ruim, sujo e impuro. – aponta o ator.

(Foto: Rodrigo Menezes)

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SERVIÇO: sáb e dom, 16h. R$ 20. 45 min. Classificação: livre. De 9 até 29 de julho. Teatro Glauce Rocha – Avenida Rio Branco, 179 – Centro. Tel: 2220-0259.

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