Internacional

Leonardo Wagner: tem Jean Valjean brasileiro no México

(Foto: Gilda Villarreal)

Leonardo Wagner já tinha uma carreira consolidada no teatro musical brasileiro quando recebeu um convite inusitado: fazer “Les Misérables”, em espanhol, no México. Na época, ele estava na reta final da temporada do espetáculo em São Paulo. A franquia da Broadway seguiria viagem e a produção quis levá-lo, junto com os cenários e figurinos que rodam o mundo inteiro. “O produtor Morris Guilbert estava no Brasil em junho do ano passado e assistiu a uma sessão comigo de Jean Valjean”, lembra o ator, que nunca tinha cogitado a hipótese de fazer um espetáculo fora do Brasil, “como o musical já era um ‘velho conhecido’, pude focar desde o primeiro dia em aprender o espanhol. Tenho feito aulas de gramática e de fonética para neutralizar o acento, isso tem sido muito positivo”. Ele está na Cidade do México desde o início do ano, com contrato fechado até dezembro, e já foi até promovido. Saiu do Brasil como cover e, no México, se tornou alternante. Em resumo, por aqui, ele só fazia o protagonista quando o titular não podia, mas no México ele tem sua sessão certinha toda semana.

À nova vida, se adaptou rápido. Acha o ritmo da Cidade do México parecido com o de São Paulo e gosta do povo, da comida e da cultura. “Eu tenho muita sorte, pois as coisas aqui, desde a produção até os colegas de elenco, além da cultura mexicana, têm me ajudado muito na adaptação. Tudo tem sido incrível, tenho aprendido muito, aproveitando para conhecer ao máximo o país”. Ele pode até estender a temporada por lá. Existe a possibilidade do musical ser prorrogado no país.

TEATRO EM CENA – Qual a melhor parte da carreira internacional?
LEONARDO WAGNER – A experiência toda. Estar em um país diferente, com uma produção tão grande, com uma empresa tão grande como é a OCESA, e ainda poder trabalhar como ator num espetáculo como “Les Misérables”, é um privilégio muito grande.

E qual a pior parte?
A distância de tudo e de todos que estão longe, sorte ter a internet hoje em dia, mas mesmo assim, a saudade é muito grande.

Teve algum perrengue relativo a trabalhar fora do Brasil?
Nenhum, absolutamente tudo tranquilo, até a parte legal com imigração, permissão para trabalhar e burocracias de impostos e tudo. A produção deu um suporte muito grande. Agora já aprendi a andar com as próprias pernas por aqui.

Em termos financeiros, o trabalho do ator-cantor é mais valorizado aí do que no Brasil?
Eu acredito que é BEM parecido, aqui existem oportunidades diversas, como no Brasil, produções maiores, produções menores, produções que pagam bem e outras que nem tanto, agora, aqui é tudo na base de patrocínio e labuta, ou seja, tem mesmo que vender boleto, senão, encerra a temporada e acabou.

(Foto: Gilda Villarreal)

Além do idioma, quais as principais diferenças de fazer musical no Brasil e em outro país?
A principal diferença sem dúvida é o elenco, são pessoas diferentes, não só pela língua, mas também pelo humor, cultura, etc. No começo, eu era muito mais observador, até entender e sentir como as pessoas são no dia a dia. Em termos de rotina é tudo muito parecido, com exceção que aqui chegamos somente uma hora antes do espetáculo, e tudo flui melhor, eu diria.

Do que você teve ou tem que abdicar para trabalhar fora do país?
De audições e possíveis projetos incríveis aí no Brasil, mas tem horas que o importante é pôr os sonhos na balança, fazer uma escolha e viver a minha escolha ao máximo, tirar proveito e usufruir de todas as lições que ela tem me trazido.

Podendo escolher, gostaria de continuar no México no ano que vem ou voltar para o Brasil?
Eita, que essa pergunta eu tenho me feito bastante! E não sei. Ficar onde eu possa mostrar ao máximo meu trabalho, onde eu me sinta útil como artista e, claro, onde as oportunidades continuem surgindo.

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