Malu Rodrigues, estrela ascendente – Teatro em Cena
Entrevista

Malu Rodrigues, estrela ascendente

“Eu me vejo velhinha, fazendo musical, cantando, mesmo em cadeira de rodas”

(Foto: Divulgação / João Caldas)

Até o dia 2 de setembro, Malu Rodrigues é Maria Von Trapp no musical “A Noviça Rebelde”. Ela não esconde de ninguém: é o papel que sempre quis fazer. Dez anos atrás, a carioca deu início à sua carreira no crescente teatro musical brasileiro ao integrar o elenco infantil do mesmo espetáculo. Kiara Sasso era a personagem-título. Ultimamente, Kiara já foi assisti-la duas vezes. Malu cresceu e sua carreira também. Seus ídolos e referências a respeitam e prestigiam. “O valor sentimental é muito grande. Além de voltar à ‘Noviça’, é estar com [os diretores] Charles [Möeller] e Claudio [Botelho] de novo”, ela diz em entrevista ao Teatro em Cena, no meio de uma semana atribulada, “é muito emocionante estar revivendo tudo isso, agora no papel de Maria. Eu me emociono todos os dias com as crianças, porque lembro de mim. Está sendo muito gostoso”. A frente do elenco, ela agradou público e crítica. Foram mais de 100 mil espectadores em São Paulo, e ela conquistou uma indicação ao Prêmio Bibi Ferreira. No Rio de Janeiro, já está sendo cotada para as premiações também. Atualmente, o espetáculo cumpre seis sessões semanais na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca. Malu tem substituta, mas faz questão de se apresentar em todas as sessões. Só precisa de muita água. Sua camareira diz que ela bebe três litros por apresentação.

A atriz é conhecida por ser disciplinada e responsável. Em São Paulo, só se afastou do papel da noviça uma única vez, a pedido da produção, para que sua susbtituta pudesse experimentar o protagônico. No Rio de Janeiro, só não fez o musical em dois dias, por conta de compromissos com a TV Globo. Um deles, uma aparição no “Domingão do Faustão” justamente para promover o musical. Além disso, ela está no elenco da 2ª temporada do programa “PopStar”, em que mostrará outra faceta como cantora. Por conta de uma gravação imprevista, essa entrevista teve que ser adiada em cinco dias. Mas o musical, ela deu um jeito e fez naquele dia. Avisou que precisava sair cedo para ir ao teatro e correu para lá. O caminho do estúdio até a Cidade das Artes, ela tira de letra. Há poucos meses, enquanto se preparava para a estreia de “Noviça”, Malu ainda gravava a novela “O Outro Lado do Paraíso” no Rio e apresentava o espetáculo “Se Meu Apartamento Falasse” em São Paulo. Chegou a tomar seis voos em cinco dias. “Nunca vi ela reclamar de absolutamente nada, nem mostrar cansaço”, conta Charles Möeller, o diretor que a descobriu em audições em 2008 e virou seu padrinho artístico, ao lado de Claudio Botelho, “ela era a primeira a saber todas as vozes e todas as danças. Sempre estava pronta no ensaio com uma felicidade absoluta. Isso é alma sábia e rara nesse ofício”. Malu chama a dupla de diretores de pais. Já são 13 trabalhos com eles no teatro.

(Foto: João Caldas)

– Malu tem um foco e determinação únicos. É uma protagonista silenciosa, que te dá a maior segurança! Eu sei que qualquer peça que ela estiver será levada com um rigor absoluto. Será executada exatamente como marquei e concebi. Sem crises e nem desmandos. Ela tem encontros com os personagens por batalhar cada respiração deles. Uma pessoa em pleno estado de evolução. Temos muita química e qualidade de encontro. O que mais me alegra em relação a Malu, além de ser uma atleta de elite, incapaz de queixas, é o fato de ela estar sempre querendo mais e ir além. É uma mão na luva, um exemplo para todas as gerações. – elogia Charles Möeller.

Maria Luísa Reisderfer Rodrigues completa 25 anos no próximo dia 29 de agosto com currículo invejável. A maioria do público a conhece como a Bia de “Tapas & Beijos”, série que fez por três anos, ou como Karina, de “O Outro Lado do Paraíso”, a novela em que viveu uma prostituta. Mas Malu tem também cinco filmes na conta: o quinto deles, a cinebiografia “Minha Fama de Mau”, no papel de Wanderléa. “Já tem data para estreia: 29 de novembro. O Erasmo [Carlos] já divulgou, então deve ser essa data aí”, avisa. São várias participações em séries, telefilmes e especiais de TV desde a infância, mas é mesmo no teatro que ela esbanja. Contabiliza 14 musicais, e nem entram no cálculo os infantis e pequenas produções que fez quando era menina, antes de conhecer Möeller e Botelho. Com eles, fez trabalhos memoráveis, como “O Despertar da Primavera” (2009) e “O Mágico de Oz” (2012), sempre nos papéis principais.

Ela estrelou montagens brasileiras de sucessos da Broadway, “O Despertar da Primavera” e “O Mágico de Oz” (Fotos: Divulgação)

Tudo começou com Xuxa Meneghel, no entanto. Aos três anos de idade, Malu gravou um clipe com a rainha dos baixinhos para o programa “Xuxa 10 Anos” (veja o vídeo e tenha sua dose de fofura). Ao longo da infância, fez outros trabalhos com a apresentadora e também com Renato Aragão, o Didi. Sonho de muita criança. Mas ela não tem muitas lembranças dessa época. “Era muito pequena”, explica, “mas lembro dela sempre fofa e querida comigo. Até hoje”. O despertar para a música veio por volta dos oito anos, por conta do programa “Gente Inocente”, apresentado por Márcio Garcia: era uma espécie de show de talentos de crianças. “A gente aqui em casa achava muito legal ver as crianças cantando e se apresentando”, ela recorda. Na época, pediu para o pai matriculá-la em aulas de canto, para poder mandar um vídeo e se candidatar. O programa, porém, foi extinto e ela nunca mandou o material. Mas a música já havia lhe pegado: as aulas de canto continuaram. Ainda menina, fez peças de Sura Berditchevsky, Augusto Thomas Vannucci, Agnes Moço e Marcelo Mello. Em 2008, surgiu a chance de entrar para um grande musical – “A Noviça Rebelde”. Ela estava com 14 para 15 anos: “eu lembro de estar vivendo em um mundo mágico”. Seu aniversário de 15 anos foi comemorado com o elenco do espetáculo, já trabalhando. Dessa época, ela guarda grandes amigos, como Estrela Blanco e Jules Vandystadt. Na sequência, veio “7 – O Musical” (2009), onde conheceu Alessandra Verney, parceira de tantos espetáculos, incluindo o mais recente. “Ela era a minha filha no ‘7’. É muito legal acompanhar o amadurecimento dela, não só como mulher, mas como atriz, e toda disciplina que ela tem, a dedicação, a forma como ela embarca nos papéis que faz. Eu sempre brinco que a gente vai estar velhinha e trabalhando juntas, eu bem mais velha no caso (risos)”, diz Alessandra. Logo depois, um verão vermelho tomou conta de seu quintal. Malu passou no teste para sua primeira protagonista, a Wendla em “O Despertar da Primavera”.

O espetáculo foi imortalizado em um álbum e arrebatou uma legião de fãs adolescentes, alimentando o sonho de uma nova geração com relação à carreira em musicais. Além de Malu, o musical apresentou ao público nomes como Rodrigo Pandolfo (de “Céus”), Pierre Baitelli (de “O Doce Pássaro da Juventude”), Felipe de Carolis (de “Pippin”), Letícia Colin (de “O Grande Circo Místico”), Lua Blanco (de “Se Eu Fosse Você, o Musical”) e Eline Porto (de “Cássia Eller – O Musical”). Durante a temporada de São Paulo, Malu se viu no meio de uma polêmica, no alto de seus 16 anos. A Justiça proibiu que ela mostrasse o seio na cena da “primeira vez” de sua personagem. Mesmo emancipada, o juiz entendeu que ela estava sujeita às regras do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Deu o que falar – e gerou mídia espontânea para o musical. Para Malu, foi tudo “muito normal”.

– É que todo mundo aumenta tudo. Ficou parecendo que foi “oh, uma coisa horrível”. – pondera – Na verdade, o que aconteceu foi: eu pedi para eles irem assistir à peça. Falei: “gente, tenho 16 anos, sou emancipada e posso responder por mim, então pede para alguém assistir à peça e ver que não sou nenhuma pervertida, nenhuma adolescente louca que está querendo tirar a roupa na frente de todo mundo, nem meu pai é pervertido…”. Foi o que aconteceu. Foi uma psicóloga, ainda levou o filho dela, e aí no final das contas, enfim, infelizmente… Tem gente que não conhece as leis muito bem, as próprias pessoas que trabalham no jurídico, então acabou proibindo mostrar o seio. Mas, enfim, não teve nada demais. A peça continuou, eu continuei bem, e eu, o Charles e o Claudio estamos aí. Não teve nada. Foi só um burburinho. Desses burburinhos do mal.

Nos anos seguintes, ela emendou uma sequência de trabalhos com os “pais”. O único diretor diferente com quem trabalhou nos palcos foi Matheus Souza, que a contratou para o alternativo “Cinco Júlias” (2016). Ela quis experimentar. Dois anos antes, tinha estrelado um filme escrito por ele, “Confissões de Adolescente”, que teve uma das maiores bilheterias do cinema nacional em 2014, com faturamento de R$ 8,6 milhões. “Malu tem aquela coisa que alguns artistas têm que a gente não sabe explicar e que dá um toque de mágica e mistério para isso que a gente faz”, fala Matheus Souza, “ela tem o brilho de uma Audrey Hepburn, o carisma de uma Julia Roberts, a elegância de uma Cate Blanchett, o magnetismo de uma Jeanne Moreau e a voz de alguém que não tenho nem com quem comparar”.

Na mesma época de “Cinco Júlias”, Malu experimentou algo inédito na carreira: viajou para fora do país com o musical “Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos”. O destino foi Portugal. O elenco fez uma mini turnê lusitana – uma experiência “incrível”, como a atriz gosta de dizer. Ela não sabia, porém, que uma apresentação muito mais perto de casa, ali em Belo Horizonte, seria a que realmente repercutiria. Durante uma sessão do espetáculo, o diretor Claudio Botelho, como ator em cena, botou um caco e brincou com a situação política do país, chamando Lula e Dilma Rousseff de ladrões e sugerindo o impeachment da segunda. Chico Buarque sempre foi partidário do PT e seu público rejeitou a piada, reagindo com vaias. A sessão foi cancelada, virou um tumulto e um áudio de bastidores vazou na Internet, gerando uma acusação de racismo contra Claudio. Um caos. Malu estava presente no evento e tem sua opinião sobre o que aconteceu.

(Foto: Marcelo Faustini)

– Olha… O Claudio tem esse jeito brincalhão de falar o que ele pensa. Obviamente, quando você fala o que pensa, nem sempre você recebe uma resposta legal, né? – ela comenta o caso – No “PopStar”, se eu receber uma crítica e for arrogante, a pessoa também pode me dar um safanão. Ok. Vai ficar safanão por safanão. Você respeita quem te respeita. Quem não te respeita, cabe a você decidir se ignora ou se entra na pilha. O que aconteceu em Belo Horizonte foi que ele fez uma piada (que não precisava ter feito, mas isso não vem ao caso, e ele pediu desculpas ao elenco inteiro por ter feito a piada) e parte do público reagiu de forma muito grosseira. Não só com ele, mas com os artistas que estavam em cena. Aí virou um tumulto. Foi isso que aconteceu.

Vaias e xingamentos em um dia, palmas e ovações em outro. Não é assim a vida de um artista? Corta para dois anos mais tarde: Malu aplaudida todas as noites por mais de mil espectadores, na pele de Maria Von Trapp, papel que rendeu a Julie Andrews sua segunda indicação ao Oscar. O episódio mineiro não abalou em nada a relação de Malu com os diretores. “Podem falar o que quiserem deles, menos que não têm qualidade em tudo que fazem”. Depois da tormenta, ela vive agora a realização de um sonho. Mas como diz seu pai artístico, ela “está sempre querendo mais e ir além”. Pensa na gravação de um disco, e sua participação no “PopStar” vai ajudá-la a entender o tipo de cantora que quer ser.

(Foto: Cíntia Carvalho / Setor VIP)

TEATRO EM CENA – Que lembranças você tem da primeira montagem?
MALU RODRIGUES – Eu lembro muito dos ensaios. A gente gravou o CD antes da peça estrear, então a gente aprendeu primeiro muito bem as músicas. Foi até com a Ester Elias, que hoje em dia é minha professora de canto. Nem foi com a Kiara, porque ela na época estava fazendo alguma coisa em São Paulo, não lembro o que era. Ela terminou para fazer a “Noviça”. A gente fez tudo com a Ester primeiro, e logo depois a Kiara veio. Eu lembro que tinha “as três famílias” (alternantes) e foi onde conheci a Estrela [Blanco], que é minha parceira até hoje. Foi muito gostoso. O Jules [Vandystadt] estava na minha primeira audição, que foi muito mágica. O [Marcelo] Castro tocou na audição. Hoje em dia, ele nem toca mais em audição. Só assiste. Foi onde o Claudio e o Charles estavam crescendo também, então foi todo mundo meio que crescendo junto – óbvio que eu crescendo de maturidade e de idade também. Eles já eram superconhecidos, mas foi onde a carreira deles deu uma deslanchada, né? Os musicais começaram a vir mais para o Brasil, além da T4F. Eu lembro que o primeiro musical que assisti foi o “7”. Eu já tinha visto musical na TV, mas nunca ao vivo. Saí apaixonada. Fui assistir porque ia fazer a audição para a “Noviça”. Pensei: “preciso assistir pelo menos um e como tem um deles em cartaz, melhor ainda”. Assisti e saí maravilhada. Depois, eu fiz o “7”, foi tudo meio mágico.

Como foi protagonizar o musical no Teatro Renault, que é tão simbólico para o teatro musical brasileiro? Imagino que você tenha assistido a grandes espetáculos lá.
Primeiro, foi muito bom fazer uma produção inteira nossa. O cenário foi feito para a gente, não tem uma montagem com cenário igual. Os figurinos… A gente teve muita liberdade.. A gente, não. O Charles e o Claudio. Mas a gente, em conjunto. Muita liberdade de concepção de personagem, de fala, de marca, de texto, de versão. O Claudio, pra mim, é o melhor versionista pra sempre, independente de ser meu pai ou não. Eu acho que as versões dele ajudam muito os musicais a não perderem a musicalidade que as pessoas já conhecem. A “Noviça” é muito conhecida. Estar, neste teatro, que ultimamente tem recebido só coisas prontas… Enfim, eu acho que quem faz é tanto ator quanto. Mas são essas franquias que já vem com cenários e figurinos prontos. É muito legal ter uma produção inteiramente feita aqui neste teatro, que tem essa tradição. Tanto é que a Time For Fun acabou por fazer uma parceria com o Claudio e o Charles, por ser uma produção tão bem sucedida e toda feita no Brasil. É óbvio que eles vão continuar com as franquias, porque é uma coisa que super dá certo e dá emprego para um monte de gente. É incrível. Eu nunca trabalhei com franquia, então nem posso opinar se é mais ator ou menos ator, porque não faço ideia de como seja. Mas, em todos que vi, as pessoas faziam trabalhos maravilhosos – a Fabi [Bang] em “Wicked”, a Myra [Ruiz], a Kacau [Gomes] em “Les Mis”, a Clara Verdier… Todas maravilhosamente bem. Como eu vi há muito tempo lá fora, nem sei dizer se era muito igual ou não. Mas eu acho que eles só têm a ganhar com essa parceria, porque juntou algo brasileiro de muita qualidade com algo que já tinha muita qualidade. Acho que tanto um quanto outro só tem a ganhar.

(Foto: Globo / Estevam Avellar)

As críticas ao seu trabalho são super favoráveis. Você lê? Se importa?
Acho que todas as críticas são muito bem-vindas, principalmente agora no “PopStar”. A gente sempre aprende. Crítica, também, a gente não leva tudo ao pé da letra, porque entra muito o gosto pessoal de cada um. Cada um tem um motivo para escrever aquilo. Tem gente que gosta mais de uma coisa, gente que gosta mais de outra, música nacional, internacional, musicais lá de fora, musicais brasileiros, biografias… A gente filtra e guarda só o que é bom e o que serve de ensinamento e aprendizado para o resto da nossa vida. Os elogios, a gente agradece muito, porque dá mais segurança para a gente – de que está fazendo um bom trabalho, indo pelo caminho certo, então tudo é bem vindo.

Como você mesma avalia seu trabalho? Você gosta de ver gravações, se ouvir?
Eu tenho pânico de ouvir minha voz em gravação, porque eu sempre acho muito ruim. Eu sou virginiana, né? Tenho um problema sério em assistir. Prefiro não assistir. Fico em pânico de assistir. Mas confio no que as pessoas estão falando, porque a gente tem um senso crítico muito grande, né? O maior inimigo da gente é a gente mesmo, então eu tento assistir mais pelo aprendizado mesmo – para aceitar o que é, ver o que todo mundo está vendo, e entender um pouquinho mais de mim. Então, eu procuro ver o que dá, quando tem material gravado.

E novela?
Eu assistia. E, na novela, tinham outras questões – a câmera, como se posicionar pra câmera, a luz, onde tem luz. “Nossa, me posicionei horrorosa nessa cena!” São coisas que, quando você faz um papel menor, talvez não tenha alguém preocupado lá na Globo, por exemplo. Todo mundo tenta sempre fazer um bom trabalho, mas a gente também tem que estar mais safo. Tudo serve como aprendizado: como se posicionar, como falar. Eu assisto hoje em dia por isso. Aprendi a me assistir. Mas eu não gosto, não.

(Foto: Leo Aversa)

Eu sei a história de que você queria participar do “Gente Inocente”. Mas como foi que você descobriu que tinha boa voz?
Na verdade, acho que nunca descobri isso, não. Acho que foi quando passei em uma audição. (risos) Na verdade, eu comecei a fazer aula de canto para mandar um vídeo para o “Gente Inocente”, mas acabou que o programa terminou.

Você tinha quantos anos?
Eu tinha oito, nove. Por aí. O programa acabou, não deu tempo de mandar o vídeo, mas me apaixonei por aula de canto e continuei cantando a vida inteira. Aí dei sorte que, quando tinha de 13 para 14, soube da “Noviça” e comecei a me preparar para a “Noviça”.

Mas você já estava trabalhando nesse intervalo entre oito e 14 anos.
Sim, sim. Eu fiz alguns trabalhos. Fiz um musical superbonito ali no Teatro Villa-Lobos, “A Arca de Noé”, do Augusto Vannucci. Tinha a Izabella Bicalho. Foi meu primeiro trabalho maior. Fiz alguns infantis. Comecei a cantar em infantis. Mas nada muito grandioso. Meu primeiro trabalho grandioso mesmo foi a “Noviça”.

Você começou muito cedo. Quando seus pais perceberam que era sério e não era mais brincadeira?
Acho que tudo foi meio fluindo. Sempre fui muito centrada também. Eu sempre gostei muito do que fazia. Quando tinha uns 12 anos, fui fazer futevôlei para ver se era isso mesmo que eu queria, porque você não sabe se é isso mesmo que você quer quando começa muito novo. Você vai meio indo. Eu fiz aula de várias coisas e nenhuma me pegou. Realmente sou apaixonada por musical e pelo palco. Não consigo abandonar de jeito nenhum.

Sempre encarou tudo como trabalho ou havia algum deslumbramento infantil?
Não, graças a Deus, nunca fui deslumbrada. Acho que minha família me ajudou muito com isso. Nunca pensei em “ser protagonista de alguma coisa”. Eu sempre fui fazendo os testes para os papéis que tinham a ver comigo. Fui dando sorte de haver papéis que tinham a ver comigo e com a minha voz. E estar preparada para aquilo. Sempre fui me preparando, desde criança. Sempre vi como um trabalho mesmo. Nunca tive essa coisa de crescer e ser muito famosa… Isso acaba vindo com a profissão, né? Mas nunca tive essa intenção de ser famosa. Inclusive, nem mexo no Instagram direito. Eu sou uó! Pro “PopStar”, vou precisar de alguma ajuda, de fã, de alguém, porque não sei nem mexer naquilo direito.

(Foto: João Caldas)

Porque tem que pegar voto, né?
É, tem que pegar voto, mas é legal ter a torcida para aumentar a galera, para animar. De verdade, até lá no “PopStar”, é muito legal, porque é uma competição e não é. É uma competição porque tem um prêmio no final [R$ 250 mil], mas só ganha quem fica em primeiro, e provavelmente a Jeniffer [Nascimento] vai ganhar, porque ela já é uma popstar. Minha torcida é dela. Eu estou lá como Malu, não estou como uma personagem. Para mim, está sendo um dos trabalhos mais desafiadores que já fiz na vida, porque é a Malu cantando. Eu não sei se a Malu é uma popstar. Nem sei se ela quer ser uma popstar. Mas ela está lá para descobrir, conhecer pessoas, ganhar conhecimento. Eu também quero fazer um CD, então tudo é bem-vindo, sabe? Estar lá perto daqueles produtores incríveis, só com gente incrível. Eu jamais trabalharia com a Renata Capucci, por exemplo, e ela é uma deusa de ensinamento. Acho que está todo mundo querendo muito aprender, cantar. Meu intuito é mais mostrar para o Brasil que a Malu canta, porque nem todo mundo tem condição de ir a um musical, nem todo mundo gosta…

E é mais restrito a Rio-São Paulo.
É, fica mais restrito a Rio e São Paulo. É uma forma das pessoas saberem que a Malu, que às vezes faz uma novela ali, canta. Isso é muito legal. Isso é o mais legal.

Ainda sobre a infância, quais as melhores lembranças que você tem?
Ah, eu sempre fui muito feliz. Minha família sempre foi muito próxima, então sempre tive eles muito presentes, me apoiando em tudo, principalmente quando tinha que trabalhar e ir ao colégio ao mesmo tempo. Sempre tive uma melhor amiga do colégio, que é minha melhor amiga até hoje. Tive os amigos do colégio e, como trabalhei desde novinha, tinha também os amigos do trabalho. Acho que a parte mais feliz da minha infância foi essa. Acho que a mais fácil, na verdade, porque quando você vai crescendo vira um mundo de questões, você não sabe o que quer fazer, tem vestibular, tem gente que começa faculdade e desiste… Eu nem fiz vestibular, inclusive. Eu já sabia o que eu queria. Essa parte foi bem fácil pra mim, graças a Deus. Mas eu sempre fui criança. Nunca deixei de ir a festinha, a aniversário… No meu aniversário de 15 anos, eu que pedi para não ter festa e lembro que fiz um jantar com as pessoas da “Noviça”, porque estava fazendo o musical. Tinha um restaurante no Shopping Leblon, que eu fechei uma parte. Era um anexo pequenininho. Lembro que fechei o restaurante, que na verdade já estava fechado na hora que a gente saía da “Noviça”, né? Mas eles ficaram abertos para fazer o meu aniversário. Eu não fiz festa, mas fiz um jantar e foi a melhor forma de comemorar. Sempre a música e os musicais estiveram presentes. Eu fui muito feliz.

Como você fazia com os estudos, por exemplo quando ia cumprir temporada em São Paulo, no caso de “O Despertar da Primavera”?
Ah… Tive muito apoio do meu colégio. Sempre fui boa aluna. Nunca tive problema. Tive o apoio da minha família. Óbvio que eu não estava no colégio mais difícil do mundo. Estava em um colégio que tinha um ensino ótimo, mas que não era aquele colégio para ser médica, sabe assim? Meus pais sempre me deram muito apoio e nunca exigiram que eu fosse a melhor aluna da sala, que nunca ficasse em recuperação. Eu consegui nunca repetir de ano, mas fiquei de recuperação várias vezes. É normal. A gente não frequenta a escola da mesma forma. Eu saía cedo bastante para ir fazer algum trabalho. Teve uma época que eu faltei um mês de aulas, alguma coisa assim. Ou as provas: eles confiavam em mim e eu fazia antes, ou fazia depois. O colégio me ajudou muito também, além do meu pai e da minha família. O colégio foi muito legal comigo.

Qual foi o colégio?
INSP – Instituto Nossa Senhora da Piedade. É um colégio de freiras que tem aqui no Flamengo.

(Foto: Jorge Bispo)

Eu sempre te vejo com seu pai. Sua família sempre te apoiou mesmo ou havia alguma pressão para ter um plano B?
Eu tive zero pressão. Quem mais fala até hoje é a minha avó: “por que você não vai fazer uma faculdade?”. Porque são outros tempos. Para ela, quem não faz faculdade não é ninguém na vida, sabe assim? Por mais que ela me apoie e fique super orgulhosa em todas as minhas peças, quem mais fala disso é minha avó. Fora isso, sempre tive apoio do meu pai. Ultimamente, acho que você vai me ver mais com o Thomaz [Cividanes, namorado e assistente de direção] do que com meu pai (risos). Mas meu pai sempre foi muito presente. E minha madrasta, que era minha agente, e virou minha boadrasta é mais do que presente na minha vida também. Tanto no trabalho quanto na vida pessoal. São parceiros para tudo – para viagem até para escolher roupa. Agora tenho o Thomaz, que está entrando nessa família.

Você diz que é tímida. Como era essa a questão do seio exposto em “O Despertar da Primavera”?
Ah… É o que eu falo. Estou no “PopStar” como Malu. No “Despertar”, estava como Wendla. Tinha a Wendla na minha frente. Não existe Malu ali. Claro que a gente acaba levando alguma coisa pessoal para a personagem na hora da construção… É a mesma coisa com a Maria: ela é supermoleca, fala, brinca. Eu sou zero Maria. Eu não sou assim. Sou mais jovem, mas sou zero de enfrentar, de bater boca. Sou zero Maria, sou zero Wendla. Por isso que o “PopStar” está sendo tão difícil, porque não tem nenhum personagem para eu me esconder. É a Malu, a Malu pura ali. Nos musicais, para mim, não era a Malu. Você acaba vivendo aquilo ali como outra pessoa. Acho que isso é o mais mágico da profissão: você poder ser várias pessoas em determinado momento do seu dia, sem precisar deixar de ser você.

Uma pergunta indiscreta: é verdade que você era virgem na época?
(risos) É verdade! Era! Eu não tinha nem namorado na época do “Despertar”, eu acho. Eu lembro que, quando vi o vídeo, com a cena, eu pensei “meu Deus do céu! Meu pai não vai deixar eu fazer esse musical nunca”. Fiquei desesperada. Eu lembro que ainda era aquele computador velhão, tijolão, enorme. Falei: “pai, vem aqui rapidinho”. Ele sabia que eu já queria fazer o musical, porque estava estudando. Falei “olha essa cena aqui” e botei desde o início o primeiro ato até o final. Quando chegou nessa parte da cena, ele falou “que que tem?”. Eu falei “é essa personagem que quero fazer” e ele repetiu “que que tem?”. Eu disse: “pai, tem que mostrar o peito, é uma cena de sexo”. Ele: “hã, que que tem?”. “Você vai deixar eu fazer?”. Ele: “claro, é super poético, não tem nada demais”.

Você que criou um monstro na sua cabeça.
Exatamente, com medo do meu pai não deixar. Enfim. É óbvio: seu filho ou filha, você fica sempre com um pé atrás, porque ainda não é maior de idade… Juridicamente, eu não sabia como funcionava, então a gente também foi pesquisar isso. Eu nunca tinha namorado na vida. Comecei a namorar depois do “Despertar”.

(Foto: Jorge Bispo)

Você é filha única?
Não. Tenho uma irmã por parte de pai, do primeiro casamento dele, e tem os três filhos da minha madrasta.

Ah, então é uma galera.
É, uma galera.

“Despertar” foi a primeira vez que você ficou em evidência e o espetáculo conquistou fãs, que iam assistir várias vezes. Sendo tímida, como é essa parte de se relacionar com o público?
Eu tenho muita dificuldade de receber tanto elogio quanto crítica. Como sou tímida, sempre fico… tímida mesmo, quando as pessoas elogiam. Mas eu acho que é uma coisa que vem com a profissão. O carinho é sempre muito gostoso. Outro dia, um grupo de senhoras foi assistir a “Noviça”, três passaram por mim, duas voltaram para me dar parabéns, e a outra veio depois. Ela estava super emocionada e eu também fiquei bem emocionada. Ela falou “fico muito feliz de ver que hoje em dia tem uma geração nova e talentosa, fazendo jus ao país que a gente tem, à cultura que a gente tem”. Isso, para mim, é muito gratificante. É meio natural, né? Você faz um bom trabalho e alguém te elogia. Isso acontece em qualquer profissão. É que a nossa tem mais visibilidade. Você vai em um musical e tem 1,5 mil pessoas te assistindo, duas mil pessoas te assistindo.

Nos últimos anos, você tem feito personagens mais sexy, que demarcaram mais sua fase adulta, tanto “Todos os Musicais…”, “Nine” e “O Outro Lado do Paraíso”. O que te faz se sentir sensual? Como desperta esse lado?
Eu acho que qualquer ser humano se acha sexy de alguma forma, ou acha que possa ser sexy, ou tem isso dentro de si – mesmo as pessoas que não se acham sexy. A gente que é ator procura muita referência. Vai de uma experimentação. Às vezes eu nem sei se sou sexy, se sei ser sexy. Você assiste a coisas, vê coisas, lê coisas que te influenciam de alguma forma para você criar uma sensação dentro de si. É testar. Os ensaios nada mais servem do que para isso – para testar coisas. Então os musicais também são um aprendizado para a Malu atriz, que vai fazer uma novela e tem que fazer tudo rápido, porque o ritmo é rápido. Nos musicais, você pode experimentar. Pelo menos, nos musicais que fiz até hoje com o Claudio e o Charles, eles dão essa liberdade para a gente experimentar coisas – modos de andar, de falar – para a gente encontrar a personagem. A gente sempre tem um feedback deles, porque quem está vendo de fora é que sabe. A gente nunca sabe como está. A gente faz sempre com o maior esforço do mundo, maior prazer e se empenha ao máximo. Se alguém falou que sou sexy, então fui sexy no “Nine”. É isso aí. (risos)

(Foto: Leo Aversa)

Você falou de referências. Quais são seus ídolos no teatro musical?
Tenho algumas. A Julie Andrews já era uma referência para mim, uma das mais incríveis, porque… O Claudio fala muito isso e eu super concordo: existe uma coisa no musical que, dependendo do musical, a fala e o canto são muito diferentes. Você está falando e, de repente, começa uma canção. Eu acho que tanto a Judy Garland quanto a Julie Andrews fazem isso maravilhosamente bem. Elas ligam a fala com o canto, e cantam como se ainda estivessem falando. A voz é muito próxima da fala. Você fala muito cantando. Não é só uma canção. As duas, sem dúvida, são as maiores referências, fora a Barbra Streisand, Patti LuPone… Quem mais? Tem muita gente.

E do Brasil?
Do Brasil? Ah… Do Brasil, tem muita gente incrível das antigas, que me ajudou muito a crescer. A Ester Elias, para mim, de canto, é uma referência. A própria Kiara [Sasso] é uma referência. A Sara [Sarres], o Saulo [Vasconcelos]… foi uma galera muito incrível que veio e a gente espera chegar ao nível dessas pessoas também, com a idade deles. Tem muita gente boa vindo aí, tem muita gente boa que fez musical já. Tem muita gente.

Você fez 13 musicais com Charles e Claudio…
Eu acho que foram 13. Já perdi essa conta. Acho que foram 13, contando com o show que fiz com o Claudio. Acho que são 13.

Quando foi que percebeu que eles eram seus padrinhos artísticos? Houve um momento de simbolismo de firmar essa parceria?
Não. Acho que tudo aconteceu de forma natural. Sempre fui muito tranquila. A gente se entende muito bem, tanto dentro de cena quanto fora de cena. A gente tem uma linguagem muito parecida, até porque cresci com eles, fazendo com eles. Foi tudo acontecendo meio naturalmente porque, para os musicais que estavam vindo, eu super confiava neles em termos de qualidade e eles confiavam em mim em qualidade também. Foi uma confiança que a gente foi ganhando trabalho por trabalho. No “Chico”, tive a primeira oportunidade de trabalhar com o Claudio em cena, e depois fiz o show com ele. Foi meio acontecendo naturalmente de fazer muitos trabalhos juntos, de conviver e da gente ter alma parecida, jeito parecido também. Eles viraram família. Eles e a Tininha, no caso.

(Foto: Reprodução)

Quem é Tininha?
A Tininha é a chefinha deles, né. Nosso braço direito. É quem faz os cronogramas e está a frente da produção. Quem toma conta de tudo.

Como é seu combinado com Charles e Claudio? Você sempre está disponível para eles? Eles sempre te tem como prioridade? Existe isso?
Não, a gente nunca combinou isso, não. Eles são super livres para escolher quem eles quiserem para qualquer musical que eles quiserem. Eles nunca falaram “não faça esse musical, não faça isso”. Às vezes, quando surge algum trabalho, independente de ser musical, que eu tenha muita dúvida, consulto tanto eles quanto Thomaz, que conhece mais gente. Eu sempre pergunto. Às vezes a gente fica em dúvida de aceitar um trabalho porque não conhece a pessoa. Não que seja um papel pequeno ou não, mas se vai ser um bom trabalho, um trabalho de qualidade. Eu recorro a quem eu confio. Às vezes eles também não conhecem, o Thomaz também não, e eu não aceito, porque não sei. Ou aceito e quebro a cara. Mas a gente não tem nenhum combinado disso, não. O combinado é só de coração mesmo. De alma e de coração.

O Claudio se envolve em algumas polêmicas de vez em quando. Já ficou descontente com algo que ele falou?
Não. Eu acho que as pessoas aumentam muito algumas coisas. Eu estive presente em uma dessas polêmicas… e não concordo com a forma como tratam todo mundo, como trataram ele. Muita gente não estava presente e tomou partido de uma coisa que não aconteceu.

Você está falando do caso de Belo Horizonte, né?
Sim. Sendo Belo Horizonte, sendo qualquer coisa, eu acho que você tem que ter muita propriedade quando está falando de qualquer coisa. Não é só o Claudio, é o José Mayer… Eu acho que você tem que ter certeza do que aconteceu, tem que conhecer as pessoas. Eu só conheço o Zé, não conheço a outra moça. Então, não posso tomar partido. O que posso dizer do Zé é que ele é um cara foda, que sempre me tratou com respeito e que nunca, em nenhum dos musicais que já fez, nunca faltou com respeito com ninguém. Mas não sabemos o que aconteceu. Não estávamos lá. O que posso dizer é do Zé que conheço e do Zé que conheci. O que posso dizer é do Claudio que conheço e do Claudio com quem estou sempre. Acho que hoje em dia, com a Internet, as pessoas tomam muito partido. Acho que a gente tem sim que lutar pelos direitos das mulheres, lutar contra o racismo, mas a gente tem que tomar muito cuidado com os partidos que a gente toma. Tem coisas que não são reais. Coisas que crescem muito na Internet. Inventam muito. Eu, quando tomo algum partido, seja do Claudio, seja de quem for, tenho que ter plena certeza do que estou falando.

(Foto: Leo Ladeira)

Muita gente não suporta o Claudio. Você deve saber disso. Mas você se refere a ele e ao Charles como pais. O que as pessoas não conhecem e você admira neles?
Eu acho que eles são duas pessoas muito generosas, com todos. Eu já vi eles dando emprego para gente que nem canta porque estava precisando. Sabe tipo o Faustão, que ajuda as bailarinas fora do programa? Eles são muito generosos sempre, seja na forma de dirigir, de trabalhar, na vida pessoal. Estão sempre prontos para ajudar. Além disso, são pessoas super do bem. Ao contrário do que muita gente pensa, eles são zero racistas. Se fossem racistas, não teriam trabalhado com tantas pessoas negras, porque eles não precisam contratar negros no Brasil, não existe esse tipo de cota no Brasil. Eles poderiam simplesmente falar “não gosto e quero fazer um musical só de pessoas brancas”. Obviamente, em “A Noviça Rebelde”, é difícil você encaixar alguém, porque é na Áustria. Tem coisas que são physique, né? É que nem eu fazer escrava em alguma novela. Não é possível.

Só se for Isaura.
Exatamente! (risos) Fora isso, não tem como eu fazer. Nem que eu quisesse. Vão fazer uma série musical no Brasil pela primeira vez, ouvi dizer. Mas é sobre escravatura. A primeira série musical no Brasil não tem papel mim! (brinca) É physique. Eu falei “gente, puta merda, maneiro, achei incrível, porque vai dar emprego para muita gente, mas não podiam fazer um musical que tivesse uma sinhazinha apaixonada por um escravo? Daí eu teria uma canção…” Enfim. Tem coisas que são physique. “Chico”, eles poderiam não ter ninguém negro. Tinha a Lilian, depois entrou a Cássia Raquel. “Milton” foi criticado porque não tinha tanta gente negra. Mas “Milton” foi feito rápido, com um tempo limitado e eles precisavam de pessoas em quem confiassem. Então, assim, quando você trabalha de uma forma incrível e eles passam a confiar em você, é óbvio que eles sempre vão pensar em você. Independente de quem você seja. Totia [Meireles] está com eles há séculos, Gottsha, Marya Bravo, Alessandra Verney… esse lado generoso deles e de enxergar um talento, um bom trabalho… Não sei nem se tem gente que acha isso, porque nunca ouvi ninguém falar isso, mas pra mim eles são super amorosos com todos. Foram na “Noviça”, foram em todos musicais que fiz. São completamente pacientes, porque o que eu já vi de ator fazendo cena com eles… Eles são pacientes nível máximo. Eu já teria desistido, sabe assim? Eles são muito pacientes, além de serem muito talentosos. O Claudio só tem esse jeito de falar o que ele pensa e levar na brincadeira algumas coisas que as pessoas interpretam de uma má forma, mas é só o jeito brincalhão dele. Eu sou apaixonada pelos dois, sou suspeita para dizer, mas qualquer pessoa que tenha trabalhado com eles vai falar bem. Não tem alguém que fale mal.

Você se considera uma pessoa politizada?
Olha… Acho que a gente está vivendo em um país muito difícil em questões políticas. A gente não sabe mais em quem confia, em quem vota. Está todo mundo sofrendo. A gente está com muita pobreza no país. É um país onde o dólar está quase R$ 5. Daqui a pouco vai chegar a R$ 5. Não existe isso na minha cabeça. Tem muito desemprego. A própria Rede Globo está mandando muita gente embora, gente que trabalhava há anos lá. A gente está com muita dificuldade financeira, e está refletindo para outras coisas, inclusive nos musicais, para conseguir patrocínio. A gente ficar cinco meses em cartaz com a “Noviça” é um recorde. Um espetáculo desse tamanho. Eu agradeço a Deus todos os dias por estar fazendo isso. Mas é uma situação difícil. Eu não gosto de levantar nenhuma bandeira, porque as bandeiras hoje em dia estão muito extremistas. Eu acho que a gente tem que lutar por direitos iguais – contra o racismo, contra qualquer tipo de preconceito, homofobia, essas coisas. Mas existem algumas questões que estão virando extremas. E talvez isso seja até bom: talvez a gente precise desse extremismo para chegar a um equilíbrio, já que a gente nunca teve isso.

Você se considera feminista?
Sim, a Malu-feminista. Não esse feminismo exacerbado que existe hoje em dia, sabe? (risinho) A Malu tem suas questões e guarda suas questões para ela. Eu não tomo partido de nada, a não ser que seja alguma coisa que realmente valha a pena, alguma campanha mega. Mas sou super a favor de lutar pelos direitos das mulheres, contra a homofobia, contra o racismo e contra todas essas coisas. Eu só acho que às vezes a gente passa do ponto para lutar contra essas coisas. A gente tem que ter muito cuidado um com o outro. A gente está deixando de ser gentil e está perdendo um pouco desse amor que a gente tinha. Está virando tudo uma guerra. Eu tenho um pouco de medo de levantar alguma bandeira hoje em dia, sabe?

Cantareiros: projeto social (Foto: Arquivo Pessoal)

Eu sei que você participa dos Cantareiros e visita hospitais e asilos cantando para as pessoas.
Siiiim! Eu parei de participar momentaneamente, porque tem caído sempre final de semana e demanda uma energia enorme. Não é só ir lá cantar. Você na verdade está trocando sua energia pela energia das pessoas. Tem gente que está precisando de muita energia boa, principalmente em hospitais. Então, não dá para fazer a “Noviça” e ir com os Cantareiros no mesmo dia, porque acho que vou ficar muito exausta. Tem caído muito aos sábados, que eu faço duas sessões de “Noviça”.

Há quanto tempo você está envolvida nesse projeto?
(silêncio para pensar) Tem… seis anos. Vai fazer seis anos em dezembro. Meu primeiro dia no Cantareiros foi 12/12/12. Número cabalístico.

O que atraiu para ir na primeira vez?
Começou pela galera do “Beatles” mais ou menos, do Jules, que levantou esse projeto. Eu acabei conhecendo a galera do musical, eles falaram sobre o projeto, e eu super me interessei. É uma coisa que eu amo fazer, que é cantar, e por que não levar a música para quem está precisando? É uma coisa que renova a energia. Você coloca uma música e já fica melhor. A música é muito importante e muito potente, muito poderosa nesse quesito. Falei: por que não pregar o amor? Eu já tenho tantas graças na minha vida, graças a Deus. Eu tenho uma família boa, tenho boas condições, não tenho nenhum problema de saúde grave na minha família, graças a Deus. Por que não doar um pouquinho do que sei fazer, o meu dom, para as pessoas que estão precisando? Eu pedi para o Jules para participar. Minha primeira vez foi em um asilo. Como eu fui criada mais pelo meu pai e pela minha avó, principalmente minha avó, eu tenho uma questão com idosos muito grande. Sempre fico mal quando vejo um idoso abandonado. Foi em um asilo e eu não conseguia parar de chorar. Entrei no asilo, comecei a chorar e passei o dia inteiro chorando. Eu lembro que me apaixonei. Era um asilo na Tijuca. Nunca mais larguei. O projeto ficou maior, não é só galera de musical, mas tem que saber cantar pelo menos um pouquinho, porque os arranjos são do Jules, são arranjos bonitos, abrindo vozes lindas. O Cantareiros era feito só em duas semanas, em dezembro, por causa do Natal, e agora a gente faz Cantareiros o ano inteiro. Então a gente tem mais músicas, não só de Natal. E, no Natal, a gente tem essas duas semanas em que visita dois lugares por dia, com uma folga por semana. Cantando, levando doações… Acabou virando ONG, que é uma vitória, e eu continuo participando. Assim que acabar a “Noviça”, eu volto.

(Foto: Arquivo Pessoal)

O que essa experiência trouxe de novo para sua vida?
Eu acho que, primeiro, quando você está no Cantareiros, você passa a ver o mundo de uma forma muito mais leve. Claro que cada um tem seus problemas e os meus sempre serão piores que os seus. Mas, quando saio do Cantareiros, fico um tempo sem me irritar com qualquer coisa. Óbvio que, se bati meu dedo na quina da mesa, vou ficar pê da vida, mas as preocupações passam a ser tão menores. A gente vive em uma situação muito ruim de saúde, de dinheiro, de cultura nesse país. É um país lindo, com pessoas de bem, mas a gente está muito defasado de grana para ajudar em questões de saúde, para ter mais hospitais, mais lugares para as pessoas ficarem. Os hospitais particulares já são estranhos para a gente. Imagine quem não tem dinheiro para pagar um plano de saúde. Convivendo com isso, você passa a dar muito mais valor às coisas na sua vida. Além de dar valor, os problemas ficam muito menores, muito mais tranquilos de resolver. Eu sempre brinco que só não tem jeito para a morte. O resto, a gente dá um jeito. Ontem, gravando o “PopStar”, a Renata Capucci falou: “sempre me fazem uma pergunta maldosa porque estou no PopStar e não canto: ‘você está com medo?'”. Aí ela: “medo? Medo eu tenho de bala perdida, medo eu tenho de morrer atropelada, de um bandido me sequestrar, das minhas filhas serem sequestradas. Disso, eu tenho medo. Agora, medo de estar aqui no programa?”. A gente vai deixando algumas coisas de lado, alguns medos que antes atormentavam. A gente passa a ser muito mais grato com a vida, mais generoso, quando você convive com uma realidade que não é sua, mas é de muitas pessoas. Acho que é muito importante para todo mundo conviver de alguma forma, fazer um trabalho social, ajudar de alguma maneira: uma doação, ir para conversar, porque os idosos são muito sozinhos e só de conversar você já vai fazer alguma diferença. Diferença pra você, pra sua vida, pra sua mente, e pro mundo.

Você falou que foi criada por seu pai e sua avó. E sua mãe?
Minha mãe mora entre Rio e São Paulo, sempre morou. É gaúcha e tem um restaurante desses de estrada. Quando eu nasci, meus pais já estavam separados. Meu pai morava no Rio, mas trabalhava lá, e minha mãe já morava lá. Depois de um tempo, acharam que era melhor eu vir para o Rio, porque a educação é melhor do que no interior. Minha mãe trabalhava muito também, a gente não conseguia pagar uma babá, não tinha ninguém em quem confiasse… Numa dessas, fiquei doente, com febre, coisa de criança, e vim para o Rio porque minha mãe tinha que trabalhar e meu pai também. Minha avó passou a cuidar de mim. Acabei ficando no Rio. Minha mãe vinha toda sexta-feira e eu a via de sexta a domingo. Eu ia muito para lá também, em Resende.

Como você disse, as gravações do “PopStar” já começaram. Qual vai ser o repertório? Músicas de musicais?
Zero musical. Minha maior questão no “PopStar” é que eu queria que as pessoas conhecessem uma Malu cantora sem ser de musical. Musical, eu já sei cantar. Queria que as pessoas me vissem cantando outras coisas. E a Malu experimentando outras coisas também. Eu quero fazer um CD e não faço ideia de como é esse CD. Não faço ideia se é um CD de musical, um CD só com músicas da Gal, um CD só com músicas antigas. A Malu tem um gosto muito particular. Eu tenho, né. Eu gosto de músicas antigas: gosto de Elis, Gal, Cole Porter, Ella Fitzgerald, Billie Holiday. Algumas coisas, como Ella Fitzgerald e Billie Holiday, tem gente que não conhece. Ou não são muito populares do público [do programa]. Minha ideia, então, é cantar coisas mais conhecidas do público no início, para depois poder cantar o que eu quiser – se eu ficar. Os programas que eu for ficando, eu vou cantando o que quero. E tem uma questão do programa. Tem músicas que eles não querem, tem músicas que não aceitam, porque não é muito conhecida… É um jogo de cintura dos dois lados.

Malu com elenco da 2ª temporada do “PopStar” (Foto: Sérgio Zalis / Globo

Nessa primeira etapa, com músicas conhecidas, o que você canta? Pode falar?
Não pode. Eles não deixam a gente falar. É um estilo mais romântico, que tem a ver comigo, mas não necessariamente músicas que estão na minha vida. São músicas conhecidas e românticas, que eu escolhi ou que dei um ok, “tudo bem, essa eu faço”.

Você, então, está interessada em uma carreira de cantora, sem ser com a linguagem musical.
Estou. Eu amo cantar. Amo música. Acho que podem ser duas vertentes ótimas de levar junto – tanto musical quanto de cantora. A música sempre esteve muito ligada à minha vida. Eu queria que as pessoas pudessem me ouvir sem precisar ir a um musical, porque tem gente que não gosta. Tem gente que não sabe que eu canto. É muito engraçado lá no programa! Tem vários jurados que falam “nossa, foi uma surpresa ouvir você cantar!”. Eu fico pensando: tem gente que não sabe mesmo. Vai ser uma surpresa para boa gente que está em casa, sabe? Pessoas que lembram de mim de “O Outro Lado do Paraíso” ou de “Tapas & Beijos”, mas não fazem ideia que eu canto. Isso é muito legal, tanto para a carreira de musical quanto se eu fizer um CD. O programa está incrível para eu me conhecer também, ver o que eu gosto, ver que estilo de música quero fazer, o que funciona, o que não funciona, como é a Malu no palco, porque sou mega tímida, então… A parte boa é que ninguém julgou minha voz até agora. Isso é o mais importante, porque é isso que eu sei fazer. (risos) Eu estava morrendo de medo: “imagine se eu chego lá e alguém diz que eu não canto nada?”. É a única coisa que acho que sei fazer na vida, aí alguém vem e fala mal? Graças a Deus, ninguém falou disso. Falaram sobre outras questões – que o jeito de cantar lembra um pouco musical uma vez ou outra… Só no primeiro programa que falaram isso, na verdade. Ou que eu tenho que me soltar mais, cantar em português… Mas é um programa, eu vou cantar em inglês e em português, e a pessoa não tem como adivinhar. Tem muitas questões assim. Mas tudo bem-vindo para esse meu autoconhecimento. Está sendo uma delícia fazer.

A gente teve recentemente o filme musical “Ana e Vitória”, do Matheus Souza. Você também está cantando de verdade no filme “Minha Fama de Mau”, no papel de Wanderléa. Se o cinema nacional abraçar mesmo a linguagem musical, que tipo de projeto você gostaria de ver?
Eu gostaria de ver histórias escritas como “7”. Um filme do “7” seria incrível. Uma história toda brasileira, que se passa no Rio de Janeiro, e é um grande musical. Cara, a gente tem tantos musicais incríveis lá de fora. O próprio “Les Mis” causou um furdunço no Brasil, quando estreou o filme. Eu acho que seria tão legal se a gente pudesse transformar isso. Seria um outro veículo. Não ter só musical no teatro. Ter musical em cinema, onde as pessoas teriam mais acessso. Traria mais gente ao teatro também: “pô, isso no cinema, maneiro, ao vivo deve ser foda, mais incrível ainda”. Tudo ajuda. A TV também. Quantas séries musicais fazem sucesso lá fora? Aqui eu acho que a gente nunca testou nenhuma. Acho que pode ser um ganho para nós artistas, que somos completos, ou para a galera que está querendo cantar, poderia ser um incentivo. Acho muito legal: mostrar as facetas do que você sabe fazer. A gente que é artista, a gente tem que saber fazer tudo. Acho que pode ser muito rico – não só cinema, mas série de TV também.

(Foto: Globo / Raquel Cunha)

Você tem espetáculos ou filmes musicais favoritos?
Tenho alguns. Eu amo “Mary Poppins”, a “Noviça”… Nem vou falar os que eu fiz, porque acho que sou apaixonada por todos. Todos. Não tenho nenhuma questão. O “Despertar”, para mim, é o mais mágico em termos de história, o texto é muito incrível. Mas tem “O Despertar”, “Violinista”, os mais apaixonantes de texto e música. Tem “O Mágico de Oz”, para crianças, mas que pega os adultos também. Enfim, todos que eu fiz, eu amo. Mas tem “Once”. Eu não vi nenhum desses novos que estão na Broadway, então não tenho como opinar sobre eles. Vou tentar viajar no fim do ano. Mas, dos antigos, tem “Mary Poppins”, “Once”, que sou apaixonada, “Fantásticos”, que acho lindo, “Les Mis”, que sou apaixonada, e os da Disney todos, que acho o máximo, acho que trazem um encantamento para criança fora da TV e do cinema. A criança está vendo ao vivo, então acho que é muito mais lúdico para ela. Eu amo musical. Sou muito suspeita para falar. Eu amo todos. Desses novos, não vi nenhum. “Waitress”, “Dear Evan Hansen”, nada. Eu não sei nada. Quero ir agora para assistir antes que alguma coisa saia de cartaz.

Você hoje em dia ainda faz audição para musical?
Eu tenho um pouco de preguiça. O Claudio e o Charles não me chamam para audição, porque eles já me conhecem muito, então sabem exatamente o que vai funcionar e o que não vai funcionar comigo. Eu acho que, depois de todos os musicais que eu fiz, o chato de audição é isso. Eu já fiz tanta coisa que não é possível que quem vai fazer um musical olhe e fale “não sei se a Malu faria bem isso ou não”. Mas eu sou super a favor de audição. Se qualquer diretor me ligar para teste e falar “tenho um papel que é assim, assim e assim, mas eu queria ver você fazendo esse texto, tudo bem?”. Tudo bem. Mas não essas audições abertas, sabe? Tenho preguiça. Mandar material para ver qual é, ver se tem algum personagem. É diferente ligar e falar que está pensando em mim para algo: “tem como você fazer esse texto?”. Seja em vídeo, seja o que for, eu faço na maior boa vontade. Não tem problema nenhum. Mas enfrentar essas filas de audição…

Mas e essas produções gringas? Você tem interesse de fazer?
É, então. Os gringos da Time For Fun são pessoas que nunca me viram, que não me conhecem. Para eles, realmente, tanto faz se eu sou a rainha da cocada preta. Vou entrar na fila da audição. Mesmo assim, são audições marcadas, bonitinhas, com horário. O que eu não gosto são essas audições que você fica 30 horas na fila. Isso eu tenho preguiça mesmo. Mas normal. Eu sou super a favor de audição. Acho que é com audição que você conhece mais e mais talentos – pessoas que estão começando ou pessoas talentosas que ainda não deslancharam. Sou super a favor.

(Foto: João Caldas)

Depois da “Noviça”, já sabe qual será o próximo projeto no teatro?
NÃO FAÇO I-D-E-IA! Inclusive, pode botar aí: Charles, Claudio, Time For Fun, o que vocês vão fazer? Agora que são parceiros, espero que me deem emprego para sempre. (risinho) Não, mentira. Eu não sei. Acho que o Charles e o Claudio têm o “Despertar” que vão montar, né? Obviamente, não vou fazer, porque né? Estou com quase 25 anos. Não dá mais para fazer Wendla na vida. Ilse, também não. Se eles pegarem um elenco da minha idade na época, estou velha. Mas, a princípio, não. Não faço ideia. Estou esperando acabar “Noviça”, aí vou me dedicar ao “PopStar”, que se eu ficar até o final, vai até 18 de novembro. A partir do quinto programa, ocorrem eliminações a cada episódio. Os pontos não são acumulativos, então você nunca tem como saber como vai se sair. Se acumulasse e estivesse bem posicionada no ranking, daria para saber “ok, tranquilo, para eu sair, só se acontecer um desastre”. Vou até onde der.

Dessa maneira, é bom porque ninguém fica confortável.
É bom porque você se prepara sempre para fazer direito em todos os programas. Na verdade, eu vou sempre me preparar para fazer direito, independente de ficar até a final ou não. Mesmo que eu saia. É fazer direito simplesmente para não pagar micão e ninguém achar que sou péssima. Mas, enquanto for ficando, é até o dia 18 de novembro.

Você dizia que fazer Maria era um sonho. E agora?
Ai… Eu quero muito conseguir produzir um musical em parceria com o Claudio e o Charles. Eu quero muito ajudar, participar da produção. Apesar de ser chato, eu gosto bastante, sempre gostei de participar de tudo. Eu queria muito produzir meu CD também. Esse é meu próximo passo. Não faço ideia de como é CD, mas quero muito deixar registrada a minha voz em algum projeto meu, sabe? E continuar fazendo todos os musicais possíveis que existirem na Terra. Que venham! Cada vez surge um musical novo, então… Maria era um clássico que eu sonhava. Eu amo “Carousel”, que até vai vir agora, né? Amo “Mary Poppins”, então, tem algumas personagens que eu adoraria fazer. Seriam um sonho. Mas, se não fizer também, não era para ser e está tudo ótimo.

Você tem grandes realizações ainda com pouca idade. Como você se vê no futuro?
Eu me vejo velhinha, fazendo musical, cantando, mesmo em cadeira de rodas. Espero estar cantando com uma voz bonita e boa. A música é muito ligada na minha vida, seja como cantora, atriz, o que for, então eu me vejo com meus filhos me assistindo, meu marido me aplaudindo para sempre, e conseguindo viver disso, viver da minha arte. Esse é o meu maior sonho: viver só da minha arte, do meu trabalho, para sempre. E nunca deixar os musicais de lado, porque foi onde eu cresci e onde tudo começou. Musical sempre vai ter um lugar especial no meu coração.

(Foto: Leo Aversa)

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SERVIÇO: qui e sex, 21h; sáb, 16h e 21h; dom, 15h e 20h. R$ 75 a R$ 170 (qui e sex) ou R$ 75 a R$ 200 (sáb e dom). 160 min. Classificação: livre. Até 2 de setembro. Cidade das Artes – Avenida das Américas, 5300 – Barra da Tijuca. Tel: 3328-5300.

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