Melhores amigos, Fernanda Souza e Léo Fuchs têm uma parceria de sucesso nos palcos – Teatro em Cena
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Melhores amigos, Fernanda Souza e Léo Fuchs têm uma parceria de sucesso nos palcos

(Foto: Thatiana Albuquerque)

(Foto: Thatiana Albuquerque)

A cena é a de dois mil espectadores de pé aplaudindo o espetáculo. Mas, para a atriz que estava no palco, o significado era maior do que a aprovação pública. Para o produtor, que assina o texto da peça com ela, mais ainda. Apresentar-se no Vivo Rio era um sonho – e os amigos Fernanda Souza e Léo Fuchs conseguiram juntos, com o stand up biográfico “Meu Passado Não Me Condena”. Neste Dia do Amigo, os dois se reúnem no camarim do Teatro Fashion Mall, onde estão em cartaz atualmente, com o mesmo projeto, para falar sobre essa amizade que deu certo no teatro. Já são cinco trabalhos juntos.

– Cara, Vivo Rio é um negócio muito marcante! Ele não conseguiu nem falar no final… Falei um texto lindo e ele não conseguiu falar nada. Estava muito emocionado. E Vivo Rio foi uma coisa dele. No início da peça, ele falou: “um dia a gente vai fazer no Vivo Rio”. E eu não acreditei, falei: “Mas nem… Leonardo, não existe a possibilidade de a gente botar duas mil pessoas numa casa. Não existe! Isso é completamente louco”. Mas a gente fez. Isso é coisa dele. – conta Fernanda Souza (ou, como Léo chama, Fê ou Fêzinha) ao Teatro em Cena.

“Meu Passado Não Me Condena” é o quinto espetáculo deles dois em parceria, e já está há dois anos em cartaz, com cerca de 200 mil espectadores em todo o Brasil. É um trabalho que só surgiu por causa dessa amizade. Juntos, tiveram a ideia de mostrar os bastidores da vida de uma atriz famosa para o público. Fernanda diz que só aceitaria revirar suas memórias e reviver tantas histórias assim com um amigo ao lado. Leo, aliás, está presente em vários dos causos que a atriz conta em cena – como a vez em que viajaram oito horas de van para apresentar uma peça, há mais de dez anos.

Leo e Fernanda há dez anos em momento de descontração (Foto: Arquivo Pessoal)

Leo e Fernanda há dez anos em momento de descontração (Foto: Arquivo Pessoal)

– O produtor local falava que eram cinco horas, depois seis horas, depois sete horas, a gente se olhava e falava “caraca, chega logo!”. A Fernanda estava com sono, queria dormir e não conseguia. Aí eu falei: “toma Dramin, Dramin é legal”. Mas imagina… Olha o tamanho dessa pessoa! Ela tomou Dramin e, quando abriu a porta da van, caiu de cara no chão. – conta Léo, que também é padrinho do casamento dela com o cantor de pagode Thiaguinho.

Fernanda repete: “De cara! De cara! Olhei pra cima e falei: onde estou?”. Eles são assim – um completando a história do outro o tempo todo durante a entrevista. Fernanda diz que eles são “muito dupla dinâmica”. Leo repete várias vezes que são melhores amigos e, quando se refere a ela, é comum dizer que “é sua diva”. Os dois estão em contato todos os dias, o dia inteiro, mesmo quando não estão em cartaz. “Tem dia que ele me manda tanto áudio no WhatsApp que eu falo ‘Meu Deus! Gravou um CD. Agora faz um resumo’”. A amizade sincera foi fortalecida com muitas coxias e muitas viagens pelo Brasil e pelo mundo.

Já são quase 15 anos desde “Os Melhores Anos de Nossas Vidas”, o espetáculo de Domingos Oliveira no qual os dois se conheceram, contracenando. Léo era também produtor da peça e Fernanda entrou como substituta de Luiza Mariani (de “Confissões de Adolescente”). Deram-se bem de cara, mas não grudaram de imediato.

– Ele era o produtor e não me dava muita confiança! – brinca a atriz.

– Ela era a atriz que chegou do nada, sabe? – ele debocha.

– Do nada nada! – Fernanda reclama, em um momento muito deles, como se o jornalista nem estivesse ali. Isso acontece várias vezes: independente de quantas pessoas existam em volta, é perceptível a intimidade e cumplicidade entre ambos.

– A gente se gostava, claro, mas não era melhor amigo. A gente ficou melhor amigo mesmo na época do “Beijos de Verão” [outro espetáculo de Domingos Oliveira], que os ensaios começaram em 2002.

Como Ângelo e Bárbara em "Beijos de Verão" (Foto: Divulgação)

Como Ângelo e Bárbara em “Beijos de Verão” (Foto: Divulgação)

Foi quando rolou a história do Dramin – ótima forma de selar uma amizade. “Beijos de Verão” ficou em cartaz por três anos e depois eles fizeram o infantil “O Natal Encantado” e também um espetáculo do Rafael Primot, chamado “Um Sonho Para Dois”. Com esse, foram parar em Portugal para uma turnê de dois meses, graças à presença do ator português Ricardo Pereira no elenco. Foi a realização de mais um sonho, e outra aventura para eles. Aproveitando quatro dias de folga, compraram passagens e foram conhecer Londres.

– Fiquei puta porque ele não ficou os dois meses comigo [voltou no fim do primeiro mês], porque a gente podia ter viajado para vários lugares e a gente não foi. Mas o que eu acho mais especial disso tudo é realizar junto um sonho. Os dois tinham o sonho de ir para Portugal fazer uma peça. É legal fazer? É. Mas é legal quando você faz com seu melhor amigo, que também é seu produtor, realizando um sonho. Aí fica é mais bacana ainda.

Mas nem tudo é oba oba, claro. Dormindo e acordando juntos, conhece-se também o pior um do outro. Trabalhando, dividindo responsabilidades e tratando de dinheiro, então, é um teste para qualquer amizade. Mas eles aprovam com nota alta. Os dois afirmam que sabem separar a amizade da relação profissional e, quando discutem, fazem as pazes três minutos depois. “É como se nada tivesse acontecido. É patético. Chega a ser engraçado de tão patético”, conta a atriz. Os motivos das brigas são sempre questões intrínsecas da relação profissional – a foto do pôster, a arte, detalhes…

(Foto: Thatiana Albuquerque)

(Foto: Thatiana Albuquerque)

– O que eu mais admiro no Léo é o bom humor, e ele é competente, muito profissional, muito querido, sabe tratar muito bem as pessoas. Ele é uma pessoa extremamente alegre e às vezes alegre até demais! (ri) Não, eu amo ele ser alegre! E ele me entende, me atura… Ééé, quê mais? Ele me ama! Aaaah, aloka!

– É para eu dizer a maior qualidade da Fernanda? – o produtor emenda.

– Falei um monte! Você tem que falar 14, no mínimo! – ela exige, enquanto se maquia para começar mais uma sessão de “Meu Passado Não Me Condena”.

– Vamos lá. Acho a Fernanda muito generosa. A gente é amigo de ter peça para 30 pessoas há dez anos atrás e voltar de ônibus de Campinas… A gente rala e rala junto, sempre junto, sabe? Acho ela generosa, bem humorada, às vezes não, mas eu quebro muito ela. Eu falo “Ow!” e ela se liga. Eu sou apaixonado por ela mesmo. De verdade.

– Ooown! A gente é muito dupla dinâmica!

– A gente brincava que quando era pequeno era Sandy & Junior, entendeu?

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