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Miguel Falabella: “ganhei e perdi muito dinheiro com teatro”

Ator, diretor e dramaturgo, Miguel Falabella (em cartaz em São Paulo com “Annie”) foi o convidado do programa “Lady Night” de Tatá Werneck na quarta (28/11) e fez um balanço de sua carreira na TV e no teatro. Respondendo à apresentadora, ele disse que a função de dramaturgo foi a que lhe deu mais dinheiro até hoje. “Você vende a peça para o mundo inteiro. ‘A Partilha’, por exemplo, que talvez seja meu maior sucesso, vendi para 14 países”, contou o artista, “o teatro me fez ganhar muito dinheiro e perder muito dinheiro. Já tive grandes desastres”.

(Foto: Reprodução / Multishow)

Um dos desastres de sua carreira foi “A Pequena Mártir do Cristo Rei” (1995), escrita sob encomenda para a atriz Eva Todor (1919-2017). De tanto que ela pediu, ele escreveu o texto, mas não ficou muito bom. “Era uma peça muito doida, que se passava em um manicômio. Um travesti se internava para ter um laudo para cortar o piru fora. Dona Eva fazia uma mulher que ia visitar o neto que estava internado. Tudo se passava nesta clínica psiquiátrica. A peça foi uma confusão, não deu nada certo, e perdi muito dinheiro, mas tive muitas alegrias também”, contou.

A paixão dele pelo teatro nasceu em seu aniversário de oito anos, quando sua avó o levou de ônibus da Ilha Governador até a Praça Tiradentes pra ver Bibi Ferreira fazendo “Alô Dolly!”. Ali decidiu que queria ser ator e fazer parte daquele mundo. “Voltei para casa um menino transformado. Eu tive uma epifania ali, quase que religiosa, quando vi aquele fenômeno teatral na minha vida. No ônibus, falei ‘é isso que vou fazer na minha vida'”, lembrou. Muitos anos mais tarde, em 2012, ele assinou a direção de outra montagem deste musical da Broadway, e o protagonizou ao lado de Marília Pêra (1943-2015).

Miguel também aproveitou a entrevista para defender a Lei Rouanet. “Tem coisas erradas na Lei Rouanet? Tem sim. A Lei Rouanet como um todo é uma merda? Não é, não. A Lei Rouanet bem usada é maravilhosa. 10% dos ingressos são destinados a pessoas que jamais foram ao teatro, a crianças que nunca viram o fenômeno teatral. Como eu, que tive uma avó que me levou e mudou minha vida, espero ter tocado o coração de uma criança e mudar a vida dela”, concluiu.

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