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Musicais de TV e cinema nos quais atores não cantam de verdade

Filmes e novelas musicais ajudam a disseminar e democratizar o gênero em todo o mundo, já que nem todo mundo tem a oportunidade de assistir a um espetáculo musical no teatro. Mas, como toda produção audiovisual, esses filmes e novelas têm seus segredinhos de edição. A verdade é que muitos atores que aparecem cantando – inclusive em cenas icônicas – estão, na verdade, dublando as vozes de outras pessoas. Como Milli Vanilli, sabe?

O Rei do Show (2017)

No filme de Hollywood, a personagem Jenny Lind é considerada a melhor cantora do mundo. Por isso, a produção julgou que a atriz Rebecca Ferguson não tinha voz suficiente para o papel. Decidiram mantê-la, mas chamaram Loren Allred (do “The Voice US”) para gravar a música da personagem, “Never Enough”.

Elis (2016)

No filme biográfico de Elis Regina, a voz ouvida nas cenas é da própria cantora, e não de Andreia Horta, eleita a melhor atriz do ano no Festival de Gramado, no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro e no Troféu APCA. Andreia fez preparação vocal apenas para que sua interpretação parecesse real. “Eu não sou cantora, só canto lá em casa. A voz que valeria, no final, era a da Elis, mas eu tinha que preencher esse corpo todo, com energia, a veia do pescoço precisava saltar junto”, explicou ao UOL na ocasião do lançamento.

Cheias de Charme (2012)

Leandra Leal, Taís Araújo e Isabelle Drummond realmente gravaram as músicas das Empreguetes, o grupo formado na novela da TV Globo. Por sua vez, Ricardo Tozzi, que fazia o personagem Fabian, não cantava de verdade. Ele dublava a voz do cantor Juliano Cortuah. “Na verdade, eu nunca cantei. Até comecei a fazer aula de canto, mas não dava tempo. Eu até cantei e gravei algumas músicas, mas o Fabian era o cantor do momento. Para credibilizar, a gente achou que era melhor botar um cara que tivesse um vozeirão mesmo”, o ator revelou em entrevista ao “Mais Você”.

High School Musical (2006)

No primeiro filme da franquia teen do Disney Channel, a voz de Troy Bolton não era de Zac Efron. Quem realmente gravou músicas como “Start of Something New” e “Breaking Free” foi o canadense Drew Seeley, que acabou substituindo Zac Efron quando o elenco do filme entrou em turnê. Zac não cantava.

Chiquititas (1997)

Na novela infantil do SBT, as crianças não cantavam de verdade. O elenco tinha que atuar e dançar, mas as vozes que elas dublavam eram de outras pessoas – nunca mostradas para o público. No entanto, os discos – que venderam milhões de cópias – traziam os nomes dos verdadeiros intérpretes (em letras minúsculas, é verdade). O primeiro álbum, com “Remexe”, “Tudo Tudo” e “Mentirinhas”, foi certificado como platina tripla no Brasil. “Eu dublava muito bem. Enganei o país inteiro”, Fernanda Souza (a eterna Mili) brincou no “Programa do Bial”, “depois até me chamaram para gravar um CD e eu gravei. Não podia recusar aquela graninha. Mobilhei um apartamento inteiro com o dinheiro daquele CD”.

A Noviça Rebelde (1965)

Calma! É claro que Julie Andrews é a verdadeira voz de Maria. Mas não dá para dizer o mesmo de seu par romântico no filme, Christopher Plummer. A voz cantada do Capitão Von Trapp é de um homem chamado Bill Lee, que sempre ficou no anonimato.

My Fair Lady (1964)

Quando o musical da Broadway foi adaptado para o cinema, a produção escalou Audrey Hepburn para o papel protagonista, mas achou sua voz “inadequada”. Quem gravou as músicas foi a cantora Marni Nixon, considerada a “voz das estrelas”, por já ter cantado ocultamente em cerca de 50 filmes. A chamam de “ghost singer”. Deu certo, porque o filme ganhou oito Oscars. Mas Audrey foi a única do elenco principal que não foi indicada à premiação.

West Side Story (1961)

Quando o musical da Broadway foi para o cinema, o papel de Maria, que era de Carol Lawrence no teatro, ficou com Natalie Wood no filme. Mas a voz cantada da personagem era, de novo, de Marni Nixon. A cantora, inclusive, acredita que Natalie não sabia disso durante as filmagens. “Eles não disseram para ela que talvez sua voz não ficasse boa o suficiente, porque tinham medo de magoá-la. E isso criou um clima ruim, que eu me sentia muito desconfortável”, disse em uma entrevista de 2001.

O Rei e Eu (1956)

Marni Nixon novamente. É dela a voz da personagem Anna, interpretada por Deborah Kerr – que naquela altura já tinha duas indicações ao Oscar. A terceira veio com esse filme, mesmo não cantando de verdade. “Você sempre tinha que assinar um contrato jurando que nada seria revelado. Quando eu fiz ‘O Rei e Eu’, a Fox disse ‘se alguém souber que você canta qualquer parte de Deborah Kerr, vamos garantir que você nunca mais trabalhe na cidade”, Nixon revelou em entrevista ao programa de TV “Nightline” em 2007.

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